
“O segredo de ser jovem –
mesmo quando os anos
passam, deixando marcas
no corpo – é ter uma
causa a que dedicar
a vida.”
Vencedores (Mostra infantil)
Destaques | Premiados |
Sonoplastia | Clebson Trajano (A Carta) |
Cenário | Dihrôh Monteiro (As Aventuras de Zim e Zuta no Planeta do Sorriso) |
Maquiagem | Diogo Berladi (As Aventuras de Zim e Zuta no Planeta do Sorriso) |
Figurino | Lugg Alves (O livro Mágico) |
Iluminação | Isabella Farias (As Aventuras de Zim e Zuta no Planeta do Sorriso) |
Atriz Coadjuvante | 1 – Mayara Cristina (A Carta) 2 – Brunelly Gusmão (As Aventuras de Zim e Zuta no Planeta do Sorriso) |
Ator Coadjuvante | Luiz Carlos Santana (A Carta) |
Atriz | 1 – Amanda Andreoni (O livro Mágico) 2 – Raiane Letícia (As Aventuras de Zim e Zuta no Planeta do Sorriso) |
Ator | João Neto (As Aventuras de Zim e Zuta no Planeta do Sorriso) |
Texto | Hoton Esteves (As Aventuras de Zim e Zuta no Planeta do Sorriso) |
Direção | Hoton Esteves (As Aventuras de Zim e Zuta no Planeta do Sorriso) |
Espetáculo | As Aventuras de Zim e Zuta no Planeta do Sorriso |
Vencedores (Aspirantes)
Destaques | Premiados |
Iluminação | Renan de Oliveira (A Espera de um Milagre) |
Figurino | Onézia Lima (Macabéa – A Hora da Estrela) |
Maquiagem | Dani Nascimento (Adeus Mamãe!) |
Cenário | Thierry Fernandes (Rosas com Espinhos) |
Sonoplastia | Marcelo Santos (A Espera de um Milagre) |
Ator Coadjuvante | Itamar Phellype (A Espera de um Milagre) |
Atriz Coadjuvante | Josilâne Mello (Mateus e Catirina do começo ao fim) |
Ator | João Neto (Dos Filhos Deste Solo) |
Atriz | Rayanne Morais (Veja Você Margarida) |
Texto | Wedson Gomes (Um Estranho em Mim) |
Direção | Alesson Max (O Nó) |
Espetáculo | O Nó |
VENCEDORES (Master)
Destaques | PREMIADOS |
Iluminação | Luiz de Lima Navarro (Pelo Conjunto da Obra) |
Figurino | Luiz de Lima Navarro (As Malditas) |
Maquiagem | Rafael Dynarck (Uma Família Quase Perfeita) |
Cenário | Lugg Alves (Dilema de um Fumante) |
Sonoplastia | Luiz de Lima Navarro (Dos Filhos Deste Solo) |
Ator Coadjuvante | Jaílson Vidigal (O Rubro Sangue Sobre as Folhas Amarelecidas do Outono) Gilson Paz (O Rubro Sangue Sobre as Folhas Amarelecidas do Outono |
Atriz Coadjuvante | Elenita Ramos ( As Malditas) |
Ator | Flávio Alves (Dilema de Um Fumante) Rafael Dynarck ( A Espera de um Milagre) |
Atriz | Belly Nascimento (O Rubro Sangue Sobre As Folhas Amarelecidas do Outono) |
Texto | Léo Nolasco (Dos Filhos Deste Solo) |
Direção | Luiz de Lima Navarro (Dos Filhos Deste Solo) |
Espetáculo 3.º Lugar | Dilema de Um Fumante Texto de Flávio Alves Direção Lugg Alves |
Espetáculo 2.º Lugar | O Rubro Sangue Sobre as Folhas Amarelecidas do Outono Texto e Direção de Luiz de Lima Navarro |
Espetáculo 1.º Lugar | Dos Filhos Deste Solo Texto: Léo Nolasco e Direção de Luiz Navarro |
MELHOR ESPETÁCULO JURI POPULAR com 96,36%
O NÓ – Texto de Marcílio Moraes e Direção de Alesson Max
Comissão Julgador: Didha Pereira (Ator, Diretor, Arte-Educador e Autor Teatral)
Almeida Junior (Diretor, Produtor e Arte-educador)
Williams Sant’anna (Diretor, Ator, Historiador de Arte e Autor)
A MOCASPE 2011 teve seu encerramento no último sábado, 26 de março, com três espetáculos muito bons. Parece ter sido um propósito mesmo, para fechar com chave de ouro mais uma edição do que considero o “maior laboratório” cênico de Pernambuco. Muitas skates boas aconteceram, trazendo revelações e consolidando nomes que deram os primeiros passos justamente na MOCASPE.
Ainda é muito bom ver espetáculos dirigidos por Luiz Navarro, Vidigal, Lugg Alves, etc., e muito bom, também ver personagens interpretados por Evânia Copino, Belly Nascimento, etc., porém, deu muita satisfação asistir espetáculos dirigidos por Marcelo Rushansky, Welson Amaral e outro novos diretores; poder assistir interpretações novas, como Bianca Barreto, uma menina de apenas 13 anos, dividindo o palco com um ator com a segurança de uma veterana, e tantos outros atores e atrizes que nos brindaram com bons momentos. Espetáculos muito sérios, de boa qualidade, como O NÓ, SEM DIREÇÃO, SUICIDAS, DOS FILHOS DESTE SOLO, etc., enriqueceram e nos encheram de certeza de que o Teatro Cabense continuará a sua marcha firme, cada vez melhor.
Foram três Sketes muito boas: O RUBRO SANGUE SOBRE AS FOLHAS AMARELECIDAS DO OUTONO, da Troupe Cara & Coragem, VEJA VOCÊ, MARAGARIDA, com a Cia. Teatral Minutos de Arte, e SEM DIREÇÃO, do Grupo Reticências. Todos muito bons e fechando a MOCASPE 2011 com chave de Ouro. E entre uma Skete e outra, durante toda a Mostra, tivemos a participação do multi-artista Vagner Alexandre e amigos, recitando trabalhos de diversos poetas cabenses, pernambucanos e brasileiros.
Antonino Oliveira Júnior
Skete das mais esperadas pelo público, por se tratar de um espetáculo dirigido pelo competente Luiz Navarro, além de ter o experiente ator Vidigal no elenco . E o espetáculo não decepcionou e brindou a platéia com um exemplo de direção e interpretação. O elenco teve excelente participação, com atuações seguras e domínio do texto. Aliás, um texto muito forte, escrito por Luiz Navarro, enfocando os enfrentamentos e desvios da natureza humana, ora justificados pelo excesso de amor, ora por violência gerada nos desvios da mente humana. O desenrolar da trama mostrava um quadro que é totalmente desfeito no final, quando ficou claro o estado de psicopatia do personagem que formava o triângulo amoroso. Tudo fazia crer que, em suas memórias, o assassino mataria por amor, por querer a amada só para ele, por não concordar dividi-la com um terceiro. A morte da mulher faz cair por terra este pensamento e expõe uma personalidade doentia e voltada para o crime e para a violência.
A direção de Luiz foi excelente, criativa e o elenco, com Marcílio Morais, Belly Nascimento e Vidigal, viabilizou o pensamento do premiadíssimo LÇuiz Navarro ao assinar a direção do espetáculo.
Em resumo, foi um espetáculo bem cuidado, bem interpretado, bem dirigido e com um texto por demais interessante, tendo como tema os encontros e desencontros que existem quando surgem os conflitos interiores e entre pessoas.
Um texto em favor da mulher e contra a violência do homem contra ela. Uma bandeira de luta erguida de maneira muito engraçada. Um humor contagiante, com destaque para Rayanne Morais, com uma atuação impecável no papel de Margarida.
Foi um espetáculo leve e muito engraçado. Mais uma vez sentimos a falta de informações sobre as Fichas Técnicas das Sketes, mas, ainda aissim, destaco a atuação dos jovem ator Adriano, que contracena com Rayanne Morais e da atriz coadjuvante, que faz o papel da prima de Margarida.
A direção de Marcelo Rushansky foi o que se chama de “feijão com arroz”, ou seja, procurou não dificultar a condução de um tema leve. Fêz o simples, mas fez bem feito. O final foi surpreendente e emocionante, com o elenco distribuindo flores (margaridas) com as mulheres da platéia. Foi o toque da direção.
Foi uma grande festa, uma grande homenagem às mulheres.
Foi um dos espetáculos mais engraçados e mais gostosos de assistir. O texto assinado por Lugg Alves e Flávio Alves trata de forma hilária a “performance” de alguns diretores cênicos. A direção de Welson Amaral foi simples, porém, muito bem definida e deu oportunidade para que os ótimos atores do elenco pudessem produzir ainda mais.
O elenco contou com a excelente atuação de dois jovens atores, João Neto e Gleydson Wanderson, que deram um show de interpretação dentro da proposta do próprio espetáculo, que foi apenas divertir a platéia satirizando os diretores de teatro. Muito hilário e muito saudável. Um texto sem maiores pretensões, sem mensagens questionadoras, mas, acima de tudo, concebido para divertir sem perder a qualidade. João Neto e Gleydson Wanderson foram perfeitos na proposta de fazer rir de maneira fácil, em especial na hora em que dançaram o “batidão”.
Parabéns aos autores, ao diretor e aos dois atores que formaram o elenco, por oferecerem uma comédia engraçadíssima, que alcançou o seu objetivo: Fazer a platéia rir.
Antonino Oliveira Júnior
À ESPERA DE UM MILAGRE foi apresentado pelo Grupo Zumbi dos Palmares, mostrando como tema central a solidão dos que se encontram presos a um leito de hospital, seja pela doença, seja pelo afastamento de amigos e familiares, que, muitas vezes “esquecem” dos que estão sendo consumidos pouco a pouco numa unidade hospitalar.
Ainda que tenha sido uma montagem extremamente amadorística, com algumas deficiências de marcação, de iluminação e até mesmo de dicção do elenco, valeu pelo tema abordado, uma realidade cruel nos hospitais. Um outro ponto importante é a demonstração de amizade de um amigo do doente, ali, presente, procurando dar força e “desmontando” no momento da morte do amigo até então hospitalizado.
O “Zumbi dos Palmares, de Ponte dos Carvalhos cumpriu o seu papel de ocupar espaço em tão importante evento teatral. E a MOCASPE cumpre, mais uma vez, o seu papel de laboratório das artes cênicas no Cabo de Santo Agostinho.
Antonino Oliveira Júnior foto: Wedson Gomes (reprodução)
No elenco, um bom trabalho de Belly Nascimento e da outra atriz (por falta de uma ficha técnica para público, imprensa, etc., deixamos de citar o nome), mas Evânia Copino rouba a cena a todo momento e transforma as demais em coadjuvantes, sem deixar de reconhecer seus trabalhos. Na verdade, pesa muito a apurada técnica de Evânia, sua experiência de palco e, acima de tudo, a sua capacidade de criar formas, caras e trejeitos que darão vida às suas personagens.
Enfim, foi mais uma comédia muito boa na MOCASPE 2011. A melhor, dentre todas, pela própria maturidade do grupo, pela caminhada e bagagem de Luiz Navarro, e as boas atuações de um elenco experiente, capitaneada pela excelente Evânia Copino, ladeada pelo bom trabalho realizado por Belly Nascimento e a outra atriz (não citada por conta da falta de informação).
Esta foi uma das Sketes mais esperadas na programação da MOCASPE 2011, devido, principalmente, por se tratar de um texto de Flávio Alves, com uma grande bagagem nos palcos do teatro cabense, e a direção de Lugg Alves, outro nome consolidado nos palcos da cidade.
DILEMA DE UM FUMANTE é um texto interessante, escrito em forma de cordel por Flávio Alves, dirigido por Lugg Alves, interpretado pelo próprio autor, que teve uma boa postura cênica, conseguindo dar vida aos quatro personagens que o texto continha. A sua boa atuação ficou explícita no momento em que a platéia conseguia ver com clareza a mudança de personagens. Foi uma atuação horizontal.
A direção de Lugg Alves foi criativa e contribuiu para que o próprio Flávio Alves tivesse os espaços e momentos apropriados para a mudança dos personagens. Não buscou grandes artifícios, mas, o simples apresentado foi o suficiente para assegurar a condição de bom espetáculo, usando com inteligência os adereços cênicos para auxiliar o trabalho de ator.
A iluminação foi boa, se levarmos em consideração a falta de maiores recursos do teatro Barreto Júnior. Foi possível perceber que houve um Plano de Iluminação, colocado em prática na medida do possível. A restrição fica apenas em relação à trilha sonora, que alternou momentos interessantes com outros repetitivos. Não sei se insistir apenas nas canções românticas de Núbia Lafayete foi o melhor caminho. Mas nada que tenha comprometido o espetáculo. Acho apenas que poderia ter sido feito um trabalho de pesquisa que criasse condições da utilização de músicas mais identificadas com o texto.
O texto de Flávio é forte e aborda um assunto que aflige grande parte da população. Ser fumante deixou de ser prazer e hoje é uma preocupação constante para o Próprio fumante, considerado por si mesmo um dependente químico, com imensas dificuldades de superação. Como se trata de um Grupo que costuma trabalhar a arte cênica dentro das empresas, levando mensagens para os trabalhadores, não sei se a linguagem dramática tão bem utilizada na MOCASPE venha a surtir o efeito desejado entre trabalhadores. Para o ambiente de fábricas, talvez esteja faltando um pouco de situações mais leves e com menos dramaticidade, para que a mensagem do texto alcance melhor seu público alvo.
Mas, foi um espetáculo de bom nível.
A noite do dia 24 de março teve uma Mocaspe eclética na sua programação. A primeira Sket foi A TENTAÇÃO, pelo Ministério do Riso, da Igreja Batista da Cohab. Uma sket com objetivos definidos e uma proposta religiosa de preservação, de doenças sexualmente transmissíveis, de gravidez precoce e indesejada, e, principalmente, da orientação religiosa que prega o “se guardar” para o casamento. Isentando-o de maiores questionamentos técnicos, uma vez que se trata de um grupo essencialmente amador e religioso, foi uma apresentação boa e deu o seu recado de forma inequívoca. Aqui e acolá fez a platéia rir. É muito interessante ver um grupo de igreja ocupar espaços no universo cênico da cidade. Outros, de outras igrejas e outros segmentos poderiam imitá-lo. É bom ver algo diferente.
A segunda apresentação da noite foi AS SANTINHAS, uma produção independente que fez a platéia rir com as situações inusitadas que acontecem num hipotético convento religioso, onde quatro “freiras” disputam o Poder da Ordem. E em meio ao processo, desenrolam-se situações hilárias e engraçadas.
Foi uma comédia muito interessante, apenas com uma observação a fazer, que foi a questão do tempo. Houve um momento em que todos acreditaram que iria acabar o espetáculo, mas, continuou e se perdeu um pouco até que se achasse seu final. No geral, foi legal, pouco apelativo, com algumas situações muito engraçadas, o que reforça a minha tese de que o apelo pornográfico é desnescessário. O palavrão torna-se engraçado quando dentro de um contexto. Quando jogado em palco sem uma situação em que ele se encaixa, fica vulgar e provoca apenas a gritaria e não o riso. È apenas uma observação, sem qualquer intenção de moralismo ou preconceito.
Antonino Oliveira Júnior
A última skete da noite chamou a atenção pela ousadia do texto, que trata de um tema extremamente delicado e polêmico, que é a relação entre pessoas do mesmo sexo. Wedson Gomes escreveu um texto com a preocupação de não vulgarizar o tema e provocar a reflexão da platéia. A direção de Marcelo Rushanski (não sei se escreve assim) foi simples e sem novidades, mas, teve o cuidado de não deixar que a platéia ou parte dela ridicularizasse o tema abordado. E conseguiu. Montou um espetáculo sério e que se fez respeitar, também, pela interpretação do elenco, formado por Madson Erick e Jonh Ribert, que tiveram a responsabilidade de tornar seus personagens respeitáveis. Foi um bom desempenho da dupla, com um maior destaque para o Madson Erick, que se mostrou mais à vontade e maior experiência de palco. A iluminação e a sonoplastia também foram destaques, mas, infelizmente, não sabemos quem criou e quem operou duas coisas tão importantes para o espetáculo.
Foi um bom espetáculo, pelo bom elenco, boa direção e, sobretudo, pelo tema abordado, polêmico, discutível, mas, real. Há quem encare com naturalidade, há quem discorde, há quem os queira destruir, mas, aí é preconceito e preconceito, na minha opinião, é apenas um jeito babaca de ver a vida. A relação entre pessoas do mesmo sexo existe e tem que ser encarada de frente pela sociedade, sem máscaras, sem hipocrisia e sem violência. Se Deus não admite, que eles resolvam com Deus após a morte.
De parabéns o grupo, autor, atores, técnicos, pela ousadia do espetáculo e pela seriedade com que conduziu o espetáculo. Dois personagens masculinos (poderiam ser femininos) discutem uma relação de amor e acabam por acharem uma saída para seus sentimentos. No final, ficou uma interrogação: O que é melhor, que dois homens se amem ou se odeiem?
“...e o mundo compreendeu,
E o dia amanheceu...em paz...”
A noite da quarta-feira, dia 23/03, reservou para a platéia da MOCASPE uma noite carregada de angústias e espetáculos envoltos em climas tensos. Pelos menos três, das quatro sketes da noite, giraram em torno de temas envolvendo angústias, medos e desespero. Dramas psicológicos, questionamentos sociais e psicopatas foram a tônica dos espetáculos “Dos filhos deste solo”, “Suicidas” e “12 Dias de Sodoma”, fazendo da noite da quarta-feira um momento de boas sketes.
Antonino Oliveira Júnior
A programação da quarta-feira, dia 23, começou com um grande espetáculo: DOS FILHOS DESTE SOLO, de autoria do carioca Leo Nolasco, com Luiz Navarro assinando a direção cênica, mantendo a tradição de produzir excelentes trabalhos.
O texto aborda uma cadeia de violência que envolve as ruas e as cidades brasileiras. Duas crianças de rua, que bem podem ser “de casa”, dialogam em seu mundo mesclado por ingenuidade e marcas adquiridas no seu entorno. Revelam o futuro nebuloso, sem, contudo, esquecer de associar seu presente complicado a um passado tão hoje nos lares brasileiros, que é a violência doméstica. Estar na rua pode ser fruto da extrema pobreza, sentir impulsos violentos tem a ver com o ambiente familiar sem afeto, sem ternura e, consequentemente, violento. É uma cadeia de motivos bem dirigida por Luiz Navarro, num espetáculo que contou com um elenco de boa atuação, que se mostrou disciplinado e fiel às marcações estabelecidas pela direção.
O espetáculo dá uma sacudidela nos ombros da platéia, como quem quer dizer: “não fale que não conhece isso aí...”, provocando reflexões profundas sobre os frutos que podem surgir em lares “organizados” materialmente e conturbado afetivamente. Crianças assim proliferam em nossas ruas como filhos deste solo.
O final faz justiça ao desfecho de nossa realidade nas ruas brasileiras, onde a cadeia da violência tem início dentro de casa, passa para o convívio das ruas e desemboca no espocar das armas dos que preferem resolver o problema da maneira mais fácil, ainda que inaceitável e desumano.
Um grande espetáculo que a “CARA & CORAGEM” nos deu na MOCASPE 2011. Um espetáculo forte, bonito e emocionante.
Antonino Oliveira Júnior
A Cia. Teatral Atos e Cenas participou da noite de angústias da MOCASPE, com uma Skete que aborda um dos temas mais polêmicos em relação à vida e à morte: o suicídio.
A dupla de atores, Marcílio Moraes e Bianca Barreto, teve um desempenho satisfatório, falando com segurança um texto sobre um tema delicado e polêmico, realizando, enfim um bom trabalho cênico. O espetáculo não teve, porém, uma bom início, com a direção apelando para um estilo já muito utilizado, alternando as falas do elenco acompanhando o ritmo da iluminação, com Black-outs após cada fala. Talvez por uma iluminação pouco ensaiada com o elenco, talvez pela precariedade do próprio sistema de luz do teatro, na verdade, não foi um bom momento por não haver uma ação mais sincronizada entre o texto e a operação de luz. Mas, nada que comprometesse o bom trabalho do Grupo, levando-se em consideração, principalmente, que a MOCASPE é um laboratório, um aprendizado para muitos dos participantes.
A dupla de atores conseguiu passar para a platéia o drama dos suicidas, o que passa na cabeça dos que se sentem incapazes de ir adiante. São momentos em que tudo pode passar na mente de quem se dispõe a fazer esse gesto extremado, seja de coragem ou covardia.
No final, o ato surpreendente da concretização do suicídio. Os gestos de carinho e ternura não foram capazes de fazê-los voltar atrás, contrariando a máxima de que o amor vence sempre. Mas isto é outra história e ninguém deve mesmo escrever com a preocupação de ter o final que cada um queira que aconteça. Foi a visão do autor e deve ser respeitada. Bom texto, boa interpretação e direção e iluminação apenas razoáveis. Na média, um bom espetáculo.
Antonino Oliveira Júnior
A psicopatia foi o tema central desse espetáculo, que mostrou o ator Gago Santos em boa presença de palco. Interpretar monólogo não é fácil, uma vez que o ator tem que alternar todas as emoções do texto sem ajudas coadjuvantes.
A violência abordada pelo texto mostra o requinte da violência dos pedófilos e psicopatas, quase sempre envolventes no primeiro momento e profundamente frios e violentos no desfecho. Foi um outro espetáculo muito denso e tenso nesta noite de angústias da MOCASPE, a quarta-feira, dia 23. O trabalho do ator foi bom, mas passou a impressão de estar muito solto e sem displina em relação à direção cênica. Tenho dúvidas se algumas subidas e descidas do palco eram ou não necessárias. Talvez se apresentado com mais sobriedade, o tema tivesse um resultado ainda melhor em relação à sua proposta de levar a platéia à reflexão sobre o tema. Se o ator seguiu à risca o diretor cênico, talvez a opção do diretor em tantos desce e sobe do palco não tenha sido das melhores. A iluminação continua sendo algo destoante nos espetáculos da MOCASPE. É preciso que os Grupos exijam melhores equipamentos e, ao mesmo tempo, procurem meios de terem técnicos capacitados para planejamento e operação de luz. Essa função é técnica e tem influência no resultado final do espetáculo.
Mas foi um bom espetáculo. Poderia apenas ser melhor, se mais trabalhado tecnicamente.