
quinta-feira, 30 de junho de 2011
SEXTA DE LETRAS

OFICINAS DE DANÇA

segunda-feira, 27 de junho de 2011
A VOZ DO POETA
Juareiz Correya
e falamos diretamente com Deus.
O que um padre
na imensidão da sua Igreja
reza e comunica ?
Histórias já conhecidas versículos memorizados de leituras exercícios
esgotados estudos bíblicos.
E um pastor, na ampla habitação
do seu Templo,
o que ora e comunica ?
O mesmo que os padres rezam e comunicam,
com outros modos outra moda outro modelo.
Podem os mestres espíritas
ir além do Evangelho
e da palavra de Cristo
como síntese do Mundo dos Espíritos
Encarnados e Iluminados ?
Os poetas não diferenciam
a existência da Humanidade da existência de Deus.
Deus é a divindade do Homem
e o Homem é a Humanidade de Deus,
pura e simplesmente,
em cada palavra verso estrofe
fábula imprecação oração canto poema
dito sussurrado pranteado gritado
do interior do coração
no inferno ou no céu
onde o poeta possa estar
de onde o poeta possa falar
aos ouvidos e ao coração de Deus.
E Ele ouve e sempre ouvirá.
(Palmares,27/11/2002).
quinta-feira, 23 de junho de 2011
CARTA A UM AMIGO QUE SE FOI
domingo, 19 de junho de 2011
ACADEMIA COMEÇA A RESGATAR THEO SILVA
segunda-feira, 13 de junho de 2011
CRÔNICA DO INVERNO
DOUGLAS MENEZES
Tem dia assim. A gente amanhece peito apertado. Vontade de não ver ninguém. Uma tristeza de descrença. Melancolia de criança roubada de seu melhor brinquedo. Dor que vem não sei de onde, nem de qual motivo. Apenas se instala o inverno. Uma mágoa que é só sua, que a ninguém a gente dá direito de compartilhar. Porque “a dor é minha dor”. E é bom que fique aqui dentro o sentimento de que tudo foi em vão, pois a vida não merece a morbidez desse momento.
Explicar como? Tanto barulho, as pessoas rodopiando na praça, o som junino enchendo a gente de alegria, e esse caminhar alheio, esses ouvidos que não ouvem, essa voz que não quer falar. Aqui e ali, um sorriso formal, uma brincadeira de futebol dita sem graça, entusiasmo nenhum, apesar de ser campeão. Só a fala de Mateus pedindo a cacunda cansada consegue ser audível e o aniversário de Caio, sem graça e sem festa, apesar do menino bom e carinhoso.
Chuvisco frio, neve na alma. Um mundo que não se quis, mas um mundo possível é o que se tem. E aí se dorme depois, aos sobressaltos, pensando no que pode vir, na violência enraizada, no medo que ela atinja os seus e roube uma das razões dessa vivência, que no momento é glacial e quase sem vida.
Mas, enfim, chega o sono pesado, a morte de algumas horas. E a esperança de uma manhã que se não for de luz radiante, seja, pelo menos, o início de um nebuloso dia de sol.
13 de junho de 2011.
*Douglas Menezes é da Academia Cabense de Letras
sábado, 11 de junho de 2011
PARA OS NAMORADOS ENAMORADOS

CONTRARIANDO O POETA
Antonino Oliveira Júnior
Espera,
Logo vou ultrapassar essa estrada,
Cuja bruma densa
Deixa opaca a retina dos meus olhos...
Sei que devo encontrar-te
E será logo, Mas não serei breve;
Espera,
Meu coração camaleônico
Toma agora uma forma única,
Estagnado na cor que reflete
O negro dos teus olhos,
O calafrio emotivo de tua pele,
A maciez rósea dos teus seios,
O mistério do teu ventre acolhedor;
Espera,
Vou entregar-me cegamente
Como quem voa um vôo sem descida,
E, uma vez em teus braços,
Gritarei para o mundo
Meu discordar do poeta,
O meu brado de entrega:
Que este amor que me incendeia
E me aquieta o coração
Não seja infinito enquanto dure,
Mas, que dure por ser ele infinito.
terça-feira, 7 de junho de 2011
MEU POEMA DE TRISTEZA (a Theo Silva)

Antonino Oliveira Júnior
É na tristeza do poeta,
No seu coração que sangra,
Na solidão só sua,
Que a dor se aproveita
E, em forma de inspiração,
tira da garganta a sua voz
e o deixa falar apenas pelas mãos.
É o domínio imaterial,
Pelo qual,
A dor que feriu o poeta
Segue a sua sina insana
Vagando de coração em coração,
Perfurando almas
E iludindo a quem, um dia, como eu,
Viu na poesia
A cura do vazio sentimental.
LUA CAMBARÁ

domingo, 5 de junho de 2011
A SAGA DE UMA CAMINHADA HISTÓRICA

A SAGA DE UMA CAMINHADA HERÓICA
Antonino Oliveira Júnior
Nasci no agreste,
Pequenino, frágil,
Mas corajoso.
Ainda um pequeno filete,
Recebi pisadas e ameaças diversas,
Mas segui adiante,
Tomando corpo,
Criando brilho próprio,
Encantando as cidades por onde passei.
Segui meu curso
Em busca de novos ares,
Na ânsia de chegar ao litoral,
De me entregar ao mar,
Como todo aquele que deixa o árido
Em busca do frescor tropical.
A caminhada da felicidade
Tornou-se dolorosa
E chorei,
Sofrendo as dores da tortura,
Da falta de ar, da vida se esvaindo,
Fugindo de mim.
O chegar à cidade tornou-se um sofrer,
Uma certeza que o mal estava a caminho:
Espumas tóxicas, dejetos humanos,
Lixo contaminado matando meus frutos...
Que dor horrível!
Os peixes, coitados, morrendo afogados...
Que dor horrível!
Pessoas morando pertinho de mim,
Suspensas em varas, distantes da vida...
Mas eu sigo a viagem,
Mulheres guerreiras, pedaço homem, pedaço mulher,
Lavando as roupas, cantando cantigas alegres
Em rostos felizes que escondem a tristeza
Da alma que teima viver diante da morte...
Aqui, acolá,
Crianças brincando em gritos e risos,
Inocência, pureza,
Sem ver a sujeira que eu carregava;
Levo doenças, sofrimento e até a morte.
A canoa vai,
A canoa vem...
O homem olha triste para mim
E não entende...
Sua vida está ali...
A minha agonia
É a fome dos seis,
Dos sessenta, dos seiscentos.
O peixe afogado,
O pescador sem sorriso,
As crianças com fome...
Que dor horrível!
A espuma amarela
A cor da doença,
Prenúncio de morte...
E eu sigo a viagem,
Quase não respiro
E tento (em vão) limpar-me com lágrimas...
O mangue!!!!
Tenho que ali chegar vivo,
Ajudar a nascer novas vidas
De peixes, crustáceos, de plantas...
Estou chegando,
Muito fraco, ofegante,
Mas chegando,
Levando espumas amarelas,
Esgotos humanos,
Restos de fábricas...
Reencontro mulheres guerreiras,
Pretas da pele e do mangue;
Mulher e mangue se abraçam...
Estou feliz...
Ainda que muito ferido e abatido,
Levei a vida
Ao mangue que resiste,
À mulher que teima em viver;
E vou um pouco mais além...
Que alegria!!!
Vejo o mar,
Sinto a brisa tropical,
Chego fraco, abatido,
Ajoelho-me diante do mar
Tão forte, tão imponente, tão envolvente...
Estou chegando mais perto
E volto a lembrança lá atrás...
As casas suspensas em varas,
O triste olhar do pescador,
A espuma amarela,
Os dejetos,
Os peixes afogados,
As mulheres guerreiras,
O mangue tinhoso...
Não há tempo para nada...
Estou sendo tragado...
Estou sendo engolido...
Cheguei ao final,
Estou maior,
Virei infinito...
Agora sou Mar...
quarta-feira, 1 de junho de 2011
SEXTA DE LETRAS 2011
