Vinicius de Moraes
Para isso fomos feitos:
para lembrar e ser lembrados
para chorar e fazer chorar
para enterrar os nossos mortos-
por isso temos braços longos para os adeuses
mãos para colher o que foi dado
dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
uma tarde sempre a esquecer
uma estrela a se apagar na treva
um caminho entre dois túmulos-
Por isso precisamos velar
falar baixo, pisar leve, ver
a noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
uma canção sobre um berço
um verso, talvez de amor
uma prece por quem se vai-
mas que essa hora não esqueça
e por ela os nossos corações
se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
para a esperança no milagre
para a participação da poesia
para ver a face da morte -
De repente, nunca mais esperaremos...
hoje a noite é jovem; da morte, apenas
nascemos imensamente.
sábado, 22 de dezembro de 2012
O BAILE DO MENINO DEUS
Começa neste domingo, dia 23 e vai até o dia 25, terça-feira, a curta temporada do imperdível espetáculo "O BAILE DO MENINO DEUS", no Marco Zero, Recife antigo.
O texto é de Ronaldo Correia de Brito e Assis Lima, coim a trilha sonora assinada por Antúlio Madureira. O espetáculo tem música ao vivo, com a participação de ua Orquestra composta por 14 músicos e solos musicais a cargo de Silvério Pessoa e Virgínia Cavalcanti. Um coral adulto, com 13 membros, junta-se ao Coro Infantil composto por 12 afinadas vozes, completando este belo espetáculo de Natal.
O espetáculo é grátis e começa às 20 horas.
VIAGEM POR VOCÊ
Antonino Oliveira Júnior*
Olhar seu corpo
Não é somente ver seu corpo;
Olhar seu corpo
É ver detalhes, beleza,
Marcas do sol e do desejo,
É viajar por ele
Tocá-lo sem por as mãos,
Acariciar com a mente,
Sentir o cheiro
Passear com os lábios
E sonhar um prazer
Infinitamente intenso.
*Antonino Oliveira Júnior é da Academia cabense de Letras
sábado, 15 de dezembro de 2012
HOMENAGEM A GONZAGÃO REVELA ANDREZA VIEIRA
A Secretaria Municipal de Cultura do Cabo de Santo Agostinho reuniu Sanfoneiros e forrozeiros da cidade, em noite de homenagem ao Centenário de Luiz Gonzaga. O evento aconteceu no Largo da Estação e revelou uma jovem cantora, que conseguiu se destacar dentre as dezenas de nomes que ali se apresentaram. Com uma voz madura, com a segurança de uma veterana, a jovem ANDREZA VIEIRA encantou a quem compareceu ao evento de Gozagão, alternando boa interpretação e excelente presença de palco. Uma jovem estrela, daqui mesmo, da Cohab, sobre quem ainda vamos ouvir muitos comentários. É só esperar e dar tempo ao tempo.
ENCONTRO DE BLOGS LITERÁRIOS DO NORDESTE
De 22 a 24 de maio do próximo ano, Maceió será sede do 2º ENCONTRO DE BLOGS LITERÁRIOS DO NORDESTE. O evento conta com apoio da Universidade Federal de Alagoas e Governo do Estado de Pernambuco, através da FUNDARPE. Segundo a coordenação, mais de 20 Blogueiros já confirmaram a presença, a exemplo do Blog de Antonino e Domingo com Poesia, ambos de membros da Academia Cabense de Letras.
A PONTE DOS VENTOS
O CANTO DO CORPO E AS RAÍZES DA VOZ - Oficina no Recife
O 19º janeiro de Grandes Espetáculos terá, em 2013, imperdível Oficina com atriz do Odin Teatret, da Dinamarca (IBEN NAGEL RASMUSSEN) em parceria com a pesquisadora TATIANA CARDOSO (RS). Serão 16 horas de Oficina em conjunto, quando compartilharão com os participantes suas técnicas pessoais de treinamento de ator, como em uma viagem através de exercícios feitos com o Grupo A PONTE DOS VENTOS.
As Oficinas acontecerão no Teatro Luiz Mendonça, no Parque Dona Lindu, de 14 a 17 de janeiro de 2013, das 09:30 às 13:30 horas e os interessados deverão acessar o site www.janeirodegrandesespetaculos.com e preencher Ficha de Inscrição. Haverá um processo seletivo para participação e o investimento na Oficina será de R$ 200,00 para participantes e R$ 100,00 para Observadores, com o pagamento devendo se feito até o dia 08 de janeiro, no SATED/PE -Fone: 3424 3133
O CHORO DO AMOR
Antonino Oliveira Júnior*
É
doloroso e cruel;
É
como sentir o prego perfurando tua carne,
Teus
nervos, tua história...
O
Teu olhar sereno
Sossega
nossas lágrimas
E
apascenta nossos corações...
Volto
no tempo
Que
me leva à manjedoura
Para
ver-Te em prantos
No
colo da mãe serena...
O
choro do amor ecoava,
O
choro que trouxe luz
Apontou
caminhos para a humanidade
E
encheu de esperanças
Um
mundo preso aos pregos
E
ao choro do nosso sofrimento,
Esquecendo
, sem razão,
O
Teu choro de amor.
*Antonino Oliveira Júnior é da Academia Cabense de Letras
INVENTÁRIO
DOUGLAS MENEZES*
Ninguém lembrará de você daqui a pouco. No
picadeiro não vai importar sua emoção. Anos a fio, chorou e fez chorar. Sorriu
quando a dor era mais forte, naquela linha tênue entre a coragem e a fraqueza.
Emocionou-se pelos outros, deixou de sentir sua própria emoção. E assim
vai, e assim foi. Fez da vida um
parágrafo único: sem graça, no mais das vezes. E no desespero da sobrevivência
menor, ouviu a amizade insincera: sinto muito, não posso ajudar, tenho minhas
limitações. Pediu perdão por não ter sido forte. Consolou-se dizendo que o
mundo era assim. Ninguém lembrará de você, pois hoje a nuvem do esquecimento
levará de vez até a mais abissal das recordações. Vento sem som, carregando a
memória por milhões de noites e dias. Atemporal a existência. Comer, dormir,
fazer mais gente, perpetuando a rotina de sempre . Ai Drummond, vida besta
esta, como tu disseste. Só você estará como veio ao mundo, e o poeta não
esqueceu: “Pela última vida, poucos amigos hão de te procurar”. Santana também
constatou: “Quem nos levará à derradeira morada, se todos que conhecemos estão
indo embora para aquele sono sem retorno?” Pois, Santana, não haverá alça, nem
caixão. Belo será a nossa transformação em poeira cósmica, como diz Ferreira,
apenas a matéria orgânica voltará para onde veio. Vibrou com o futebol, fez
campanha, se expôs, caminhou muito, discutiu, e assim mesmo ninguém lembrou de
você. Não um agradecimento, que é demais para eles, mas a lembrança de que você
existiu há uns meses. Esquecido será, pelos bens que não teve, pelo receio de ousar mais e sair da mesmice, mesmo com
risco. E a quem veio ao mundo pelo seu sémen, apenas a vontade de que tudo benevolente seja, numa vida de fardo menor que a sua.
Ninguém lembrará de você daqui a pouco, embora ainda brotem as
flores nos dezembros, e as namoradas permaneçam com o cheiro de jasmim no riso
fácil de quem conta estrelas. Como lembrar de você daqui a pouco se já agora,
na madrugada do silêncio, a luz do esquecimento presente se faz. Memória
dilacerada, voz que não se ouve. Você e o medo medonho da amnésia do tempo,
aqui, amanhecendo, na certeza de que daqui
a pouco, com o sol e esse verão tão moreno quanto quente, ninguém
lembrará de você.
*DOUGLAS MENEZES é da Academia Cabense de Letras e Professor de Língua Portuguesa e Literatura.
sábado, 8 de dezembro de 2012
OLIVIER E LILI
OLIVIER E LILI: UMA HISTÓRIA DE AMOR EM 900 FRASES volta a cartaz no próximo dia 13, quinta-feira, às 20 horas, no Teatro Capiba, no SESC de Casa Amarela, em Recife, dentro da Mostra Capiba de Teatro. Os ingressos custam: R$ 10,00 e R$ 5,00. Preços realmente populares para um bom espetáculo.
NA SALA DE AULA, MESTRE GRACILIANO E A INTERTEXTUALIDADE
Douglas Menezes*
Não é fácil, hoje, estimular no estudante de nível médio o interesse
pelo texto literário. Às vezes, num momento de pessimismo exagerado, achamos
ser esta geração um amontoado de seres perdidos, invertendo os verdadeiros
valores humanos. Um punhado de gente vazia, superficial, incapaz de analisar,
por mais simples que seja, um tema, um conteúdo qualquer. Geração sem
cabeça, ao sabor da instantaneidade e de
ações inconsequentes. Espantosa visão apocalíptica, esta. Nesse pesadelo, como
encaixar, ao menos, uma tentativa, no meio dessa massa alheia, de realização de
um trabalho literário? Pensamos nós, nos instantes de negativismo insolúvel.
Mundo sem saída. Resposta inexistente para a equação.
Junte-se a isto, salas abarrotadas, salários
aviltantes. Omissão dos pais, preocupados, tão-somente, com o dia asfixiante na
luta pela sobrevivência.
Depois, apimentando a receita do bolo catastrófico da Educação no
Brasil, a tecnologia e os meios de comunicação contribuindo com informações
“mastigadas”, esperando apenas a ingestão, sem maiores questionamentos, pois
pensar, dói.
No entanto, o raciocínio depressivo, felizmente, vai-se dissipando e,
embora não haja luz, nem sequer túnel, há aquilo que não devemos esquecer
nunca: a crença em que, de uma forma ou de outra, podemos contribuir para que
“as coisas” melhorem um dia. Até porque, aqui e ali, a manhã começa a chegar,
tênue amanhecer pedagógico. Na certeza de fazermos dos inimigos, aliados,
ferramentas de apoio. Não sermos tão retrógrados, que não possamos avançar; nem tão avançados
que esqueçamos a tradição, também necessária na luta pelas ações
transformadoras.
Passado o ranço da desesperança, vislumbramos a possibilidade de incutir
no jovem estudante, a Literatura como objeto de seu interesse.
Se é tarefa quase hercúlea, deve, ao mesmo tempo, ser função do
professor de Português não deixar o
ensino da Língua tornar-se, na verdade,
alvo da alienação crescente junto ao educando mais novo. Fundamental reagir,
politizar de forma democrática, mas levando em consideração, a experiência a
ser passada, o professor um leme, um guia que escuta, crendo entrar no caminho
que julga correto. Influenciar aquele que necessita aprender e apreender de
modo positivo a discernir e aprofundar conhecimentos.
Aparece, então, a primeira
pergunta: é possível criar no aluno um interesse maior pela Intertextualidade,
já que esse conteúdo tornou-se fundamental na compreensão do
texto literário?
A Intertextualidade já existe em alguns compêndios ( que palavra! ) da
Língua Portuguesa do antigo segundo grau, um pouco sistematizada, porém, ainda
assim, incipiente. É como se houvesse um certo receio em mexer com o mito da
originalidade autoral. Remeter um texto a um outro, matriz, na visão
conservadora, pode macular as obras de alguns “monstros sagrados”. E o Ensino Médio é bastante recalcitrante
nesse ponto: não gosta muito de bulir em feridas recém-abertas.
No entanto, deve-se, pelo contrário, mostrar como a Intertextualidade é
apaixonante, comprovando que o diálogo entre textos não torna nenhum autor
menos criativo ou plagiador, demonstrando ser a Literatura um conjunto de
contribuições, de acréscimos àqueles troncos iniciais, aquilo diferente e
comuns a todos os textos, na visão de que não há escritos adâmicos. Essa
prática deixaria menos enfadonha a análise dos estilos literários, presa à
rigidez de datas e características nem sempre verdadeiras dentro do pragmatismo
do texto artístico. Há modernismo em obras do passado; bem como passado em
outras modernas. A verdade é que a Intertextualidade traz maior dinamismo ao
fazer literário. Retira todo o engessamento da velha teoria dos estilos de
época, que devem ser estudados sempre em um vai-e-vem: passado, presente e
perspectiva para o futuro.
Nessa linha, poderíamos motivar o Ensino Médio. Afastá-lo dessa
concepção estática que ainda, salvo exceções, em relação à prática pedagógica
da Literatura. Assim, a sonolenta concepção secular de não achar ligações entre
as diversas épocas, daria lugar à criativa interação entre períodos e autores,
valorizando-se, sobremodo, o diálogo entre textos. Sendo esse estudo bem
conduzido, não deixaria margens à visão simplória de que tudo se imita,
passando o adolescente a enxergar essa “imitação” como uma reescritura criativa
de temas já produzidos, residindo aí, a criatividade maior. Seria o primeiro
passo: eliminar qualquer visão preconceituosa em relação à Intertextualidade na sala de aula.
O aluno, nesse primeiro momento, deve entender a Intertextualidade como
um exercício analógico, já que, provavelmente, possui ele uma experiência desse
tipo durante sua vida antes da escola. Com efeito, para um principiante,
atividades indicando semelhanças no diálogo entre os textos, seriam um bom começo, pois analisar teoria
pelas diferenças comporta um aprofundamento não encontrado nos adolescentes.
Essencial é ativar a curiosidade do
estudante, fazendo-o trabalhar uma variada quantidade de textos e de autores
diferentes, ocasionando a inclusão do diálogo textual no dia a dia da sala de
aula, mostrando ser algo positivo o relacionamento intertextual para a
compreensão da escrita literária.
A partir daí, podemos trabalhar, com
os alunos do Ensino Médio, os textos de Graciliano Ramos. Sendo bom lembrar,
ser esse trabalho precedido de um conhecimento prévio sobre a
Intertextualidade. Assim, para o docente, não deve parecer estranho o uso do
termo, pois ele fará, constantemente, um exercício de diálogo.
Depois, os livros São Bernardo e
Angústia, logo no início do ano, devem ser indicados como paradidáticos. Os
alunos, assim, teriam tempo necessário de, pelo menos em um semestre, manusear
as obras, havendo também, a necessidade do conhecimento biográfico do autor e
alguma coisa sobre seu estilo, estabelecendo uma visão, ainda que superficial,
de toda a obra do mestre alagoano. O professor é fundamental nessa tarefa, à
medida que deve ser um elemento motivador na prática da leitura. A ideia geral
sobre a obra de Graciliano, repito, é fundamental. Por exemplo, ao falarmos da
linguagem enxuta dos dois livros em pauta, não criaremos estranheza aos alunos,
veriam isto com naturalidade, como marca do artista.
Além disso, o professor pode chamar
a atenção para um aspecto comum nos dois romances de Graciliano Ramos, Angústia
e São Bernardo, e que, com certeza, por ser um sentimento típico do ser humano,
tornará mais fácil a análise intertextual dos textos. Trata-se da presença do
ciúme nos dois livros, que de resto
sempre foi tema encontrado na Literatura Universal. Os dois personagens
principais, Paulo Honório em São Bernardo, e Luís da Silva em Angústia, a seu
modo, expressam um ciúme paranoico, que gera duas tragédias pessoais: a morte
da esposa Madalena em São Bernardo, que se suicida diante da pressão do marido;
e a perda da noiva Marina para o comerciante Julião Tavares, levando Luís da
Silva a assassinar o rival. Todo esse processo de desconstrução dos dois personagens
é seguido de uma desagregação psicológica degenerativa, sem volta e facilmente
compreendida por quem faz a leitura das duas obras.
E aí, um outro romance, de dimensão
grandiosa dentro da Literatura Brasileira, pode servir como mais um elemento
comparativo para o estudante de nível Médio: Dom Casmurro, de Machado de Assis,
a sua maneira, traz o ciúme, a desconfiança, como um dos temas centrais,
havendo, nesse momento, a possibilidade, de uma análise formal entre os três
livros: a mesma escrita enxuta é encontrada nas obras maiores dos dois
escritores. Linguagem carregada de essencialidade. Temáticas semelhantes,
abordagens diferentes, em Machado e em Graciliano, parecidos os dois, e, ao
mesmo tempo, díspares, pois cada um com sua personalidade própria de escritor.
O passo seguinte e definitivo, é
fazer um estudo da Intertextualidade, mostrando o dialogismo dentro da obra de
um mesmo autor. Dois escritores poderiam servir de modelo nesse exercício: José
Lins do Rego, na prosa, e Manuel Bandeira, na poesia. Ambos ricos em relação à
Intertextualidade.
Afora isso, lembremos de outras expressões
artísticas sobre a obra de Graciliano Ramos. Vidas Secas, São Bernardo e
Memórias do Cárcere são livros adaptados para o cinema que, pela qualidade,
acrescentam, e muito, algo mais sobre a produção do gênio alagoano. O teatro é
outra expressão artística que poderia ser utilizada pelos alunos em um estudo
na forma de monólogo, principalmente com relação a Angústia e São
Bernardo.
Por fim, recordar a
contemporaneidade do Mestre Graça. Sua atualidade, mostra, sobretudo, o autor
que ultrapassou o seu tempo. Como o mago Machado de Assis, demonstrou que os dramas humanos vão além de
um período histórico, inserem-se naquela visão de que grandezas e mesquinharias
acompanharão o homem, independendo da época e que sempre valerá a pena estudar
um artista como Graciliano, que produziu um trabalho de humanismo ímpar e que dificilmente será
apagado, por ser regional, brasileiro, mas, principalmente, universal.
DOUGLAS MENEZES É PROFESSOR DA REDE
OFICIAL E PARTICULAR DE PERNAMBUCO,
FORMADO EM LETRAS E EM COMUNICAÇÃO SOCIAL. ESPECIALISTA EM LITERATURA
BRASILEIRA E EM LEITURA, COMPREENSÃO E PRODUÇÃO TEXTUAL.
EMAIL: douglasmenezesnet@gmail.com
PROJETO "A ESCRITA DO CORPO" CHEGA AO FINAL
Grupo Quadro de Cena foto: Aryella Lira
Neste domingo, às 19 horas, o auditório da Livraria Cultura, no Paço Alfândega, recebe a etapa final do `projeto A ESCRITA DO CORPO: DRAMATURGIA DO ATOR NO PROCESSO DE CRIAÇÃO, com os atores Marcella Malheiros, Thomás Aquino, Andreza Nóbrega e Milena Marques demonstrando cena-experimentos a partir do diálogo da música com a partitura corporal, sob a direção musical de André Filho.
O LIVRO DAS PERGUNTAS, de Pablo Neruda, será o mote para a construção dos experimentos, com discussão aberta ao público no final. O trabalho tem o incentivo do Funcultura e a entrada é grátis.
sábado, 1 de dezembro de 2012
SONETO DAS METAMORFOSES
Carlos Pena Filho
Carolina, a cansada, fez-se espera
e nunca se entregou ao mar antigo.
Não por temor ao mar, mas, ao perigo
de com ela incendiar-se a primavera.
Carolina, a cansada que então era
despiu, humildemente, as vestes pretas
e incendiou navios e corvetas
já cansada, por fim, de tanta espera.
E cinza fez-se. E teve o corpo implume
escandalosamente penetrado
de imprevistos azuis e claro lume.
Foi quando se lembrou de ser esquife:
abandonou seu corpo incendiado
e adormeceu nas brumas do Recife.
MEU CANTO DE GUERRA
Solano Trindade
Eu canto na guerra,
como cantei na paz,
pois o meu poemas
é Universal.
é o homem que sofre,
o homem que geme
é o lamento do povo oprimido,
da gente sem pão...
é o gemido
de todas as raças,
de todos os homens.
é o poema da multidão.
Eu canto na guerra,
como cantei na paz,
pois o meu poemas
é Universal.
é o homem que sofre,
o homem que geme
é o lamento do povo oprimido,
da gente sem pão...
é o gemido
de todas as raças,
de todos os homens.
é o poema da multidão.
HI-RO-SHI-MA É O TEU NOME
*Roberto Menezes
A bomba explode distante
e me deixa cego agora
como o sol radiante
naquela noite lá fora.
Sol que me tirou o olhar
sol que mostra e zomba
sol que pra amar me chama
Hiroshima, mulher, menina.
Hiroshima. Só.
O sol, a bomba
e me tornei cego radioativo
perseguindo tua imagem
na loucura de uma viagem
que imagino, vivo e ativo:
sem saber se és Nevers
sem saber se és Hiroshima.
Cego sigo nessa dramática vertigem
de um pretenso e tenso cine-poema
que nunca passou, nem passará, no cinema.
(Para quem assistiu Hiroshima Mon Amour. E prá ela)
*Roberto Menezes é Jornalista.
domingo, 25 de novembro de 2012
CARLA
Miró *
Conheci Carla catando lata
seus olhos brilhavam
como alumínio ao sol
São Paulo ardia num calor
de quase quarenta graus
pisou na lata,
como pisam os policiais
nos internos da Febem
jogou no saco
com a precisão
que os internos jogam
monitores dos telhados
e rápido foi embora,
tal qual sequestro relâmpago
deixando a lembrança de um tempo
que não havia
sequestros,
Febem,
nem tanta polícia
muito menos
catadores de lata...
os olhos de Carla
nem desse poema precisavam.
*Miró é um poeta de Muribeca
Conheci Carla catando lata
seus olhos brilhavam
como alumínio ao sol
São Paulo ardia num calor
de quase quarenta graus
pisou na lata,
como pisam os policiais
nos internos da Febem
jogou no saco
com a precisão
que os internos jogam
monitores dos telhados
e rápido foi embora,
tal qual sequestro relâmpago
deixando a lembrança de um tempo
que não havia
sequestros,
Febem,
nem tanta polícia
muito menos
catadores de lata...
os olhos de Carla
nem desse poema precisavam.
*Miró é um poeta de Muribeca
POEMA PARA MAIS UM DOMINGO
Frederico Menezes*
Agora já se esvai mais um domingo...a saudade do teu amor,
atravessando séculos e sonhos, como um domingo que amanhece,
teima em permanecer.
E permanece o manancial de ternura e a força do teu amor, que o tempo,
esse escravo do teu magnetismo, não consegue apagar.
Agora, já se esvai o domingo, nessa noite chuvosa a despertar
um perfume de nostalgia,
um anseio de amanhã, um cheiro de algo já vivido.
E permanece esse impulso indecifrável, esse quase desmaiar de tarde
nos olhos tocados pela espera doce.
Espera que o tempo, escravo do teu poder,
não consegue diluir.
Agora, já se esvai mais um domingo e me acena o outro dia
Com a possibilidade de servir e aspirar atender a tua vontade,
e, em teus braços, entregar coração e alma
na certeza de que tua paz perene
que o tempo, escravo do teu querer, não poderá, jamais, impedir.
*Frederico Menezes é da Academia Cabense de Letras.
Agora já se esvai mais um domingo...a saudade do teu amor,
atravessando séculos e sonhos, como um domingo que amanhece,
teima em permanecer.
E permanece o manancial de ternura e a força do teu amor, que o tempo,
esse escravo do teu magnetismo, não consegue apagar.
Agora, já se esvai o domingo, nessa noite chuvosa a despertar
um perfume de nostalgia,
um anseio de amanhã, um cheiro de algo já vivido.
E permanece esse impulso indecifrável, esse quase desmaiar de tarde
nos olhos tocados pela espera doce.
Espera que o tempo, escravo do teu poder,
não consegue diluir.
Agora, já se esvai mais um domingo e me acena o outro dia
Com a possibilidade de servir e aspirar atender a tua vontade,
e, em teus braços, entregar coração e alma
na certeza de que tua paz perene
que o tempo, escravo do teu querer, não poderá, jamais, impedir.
*Frederico Menezes é da Academia Cabense de Letras.
PINDORAMA, CARAVELA E MALUNGO
Foto: Aryella Lira
29/11 - Museu Murillo La Greca - 11 horas
15/12 - Museu da Abolição - 14 horas.
As apresentações iniciaram nos dias 23 e 24/11
O Grupo Quadro de Cena está com o espetáculo PINDORAMA, CARAVELA E MALUNGO em cartaz. A criação é coletiva e se propõe a falar sobre a terra brasileira, em uma peça para todas as idades. Com cinquenta minutos de duração, a montagem baseia-se no ato de contar e narrar evidenciando a memória e a palavra a partir de lendas e contos africanos, portugueses e indígenas que revelam esse Brasil.
Com caráter itinerante, a montagem poderá ser vista nos seguintes locais, sempre com entrada grátis:
29/11 - Museu Murillo La Greca - 11 horas
15/12 - Museu da Abolição - 14 horas.
As apresentações iniciaram nos dias 23 e 24/11
domingo, 18 de novembro de 2012
NASCE UMA ESTRELA
BÁRBARA é o nome da jovem que surpreendeu a todos no Clube da Associação Comercial de Gameleira, sábado. O Baile da Família corria solto, quando o cantor da Orquestra Nostalgia, que animava a festa, pediu a presença da jovem BÁRBARA no palco.
Integrante de família conhecida na cidade, BÁRBARA subiu ao palco e com seu jeito de menina, sem nunca ter ensaiado com a Orquestra, soltando seu vozeirão, encantando a todos com a interpretação de uma música de Alcione e uma outra de Bruno e Marrone.
A Orquestra e os visitantes ficaram surpresos e emocionados com a apresentação da jovem, que mostrou uma voz madura e um invejável segurança para cantar em público. Não será surpresa se, de repente, aquela voz segura se espalhar nos palcos de Pernambuco.
Integrante de família conhecida na cidade, BÁRBARA subiu ao palco e com seu jeito de menina, sem nunca ter ensaiado com a Orquestra, soltando seu vozeirão, encantando a todos com a interpretação de uma música de Alcione e uma outra de Bruno e Marrone.
A Orquestra e os visitantes ficaram surpresos e emocionados com a apresentação da jovem, que mostrou uma voz madura e um invejável segurança para cantar em público. Não será surpresa se, de repente, aquela voz segura se espalhar nos palcos de Pernambuco.
A PAZ QUE ME ACOLHE
Antonino Oliveira Júnior*
Deitei
meu olhar
Na
relva macia que é teu corpo
E
ali deixei que repousassem meus sentimentos;
Teu
silêncio,
A
paz que acalenta e acolhe minh’alma.
Quem
se abriga nas asas do amor,
Vence
tempos, ventos e tempestades.
*Antonino Oliveira Júnior é da Academia Cabense de Letras
O DOIDO
Jairo Lima*
Clara noite alucinante
em que banha-se o luar.
Lá passa o doido uivante
com louco grito suplicante,
que mais parece se torturar.
Dizem que foi pela partida
de alguém que lhe negou,
Endoideceu. Triste vida.
Que dor aquela, tão sofrida,
que o amante tresloucou.
Desde que ele enlouqueceu
que fúnebre sina, que destino!
olhando o céu, nunca esqueceu,
chama a noiva que morreu
no mesmo roto figurino.
E noivando, seguindo a lua, vai
esperando um sinal, um acenar.
Do peito um suspiro opresso sai
ao encontro da lágrima que lhe cai
pois seu canto agora é chorar.
(Inspirado o poema A DOIDA, de Florbela Espanca)
*Jairo Lima é da Academia Cabense de Letras.
Clara noite alucinante
em que banha-se o luar.
Lá passa o doido uivante
com louco grito suplicante,
que mais parece se torturar.
Dizem que foi pela partida
de alguém que lhe negou,
Endoideceu. Triste vida.
Que dor aquela, tão sofrida,
que o amante tresloucou.
Desde que ele enlouqueceu
que fúnebre sina, que destino!
olhando o céu, nunca esqueceu,
chama a noiva que morreu
no mesmo roto figurino.
E noivando, seguindo a lua, vai
esperando um sinal, um acenar.
Do peito um suspiro opresso sai
ao encontro da lágrima que lhe cai
pois seu canto agora é chorar.
(Inspirado o poema A DOIDA, de Florbela Espanca)
*Jairo Lima é da Academia Cabense de Letras.
REUNIÃO DE BLOGS LITERÁRIOS
Maceió sediará a 2ª REUNIÃO DE BLOGS LITERÁRIOS DO NORDESTE, que acontece em maio de 2013. O evento, coordenado pelo poeta pernambucano Juareiz Correya, já conta com a confirmação de 21 Blogueiros inscritos.
O Blog tem se destacado no universo da mídia eletrônica e cresce a cada dia o número de Blogs voltados para a literatura. Da terrinha teremos a participação do BLOG DE ANTONINO, coordenado por Antonino Oliveira Júnior, e do BLOG DOMINGO COM POESIA, do poeta Natanael Lima Júnior.
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
A BANDA QUE PASSA
Douglas Menezes*
O menino
observa, escuta o som que começa a ficar nítido. Tem os olhos acesos o menino,
brilham, percebendo a chegada de um prazer esperado com ânsia. Agora, a música
totalmente ouvida, bonita a melodia, mesmo sem a presença ainda visível de quem
toca. Não vacila, o garoto, em expressar um sorriso ingênuo, sábio, porém.
Aquele som ritmado, ele sabe, coeso, acompanhá-lo irá para sempre, vida afora,
gerações vindouras. Sabe, também, o menino, que seus pais, seus avós, da mesma
forma que ele, também se deslumbraram com a sua banda, com a banda da sua
cidade. Carregará a marca daqui pra frente: símbolo cultural do lugar onde ele
nasceu.
A sensibilidade à flor da pele, pois a banda passa. Bate palmas o garoto, em meio à multidão. Nada mais a enxergar, a não ser o som de sua orquestra predileta. A sua orquestra, segunda melhor do Brasil, como ele, lentamente crescendo, sacrifício dos artistas humildes, pobres, ricos, no entanto, de amor à sua terra, à sua música.
A banda que ganhou as ruas, que faz o menino correr entre as pernas dos adultos para alcança-la. Não quer perder momento algum do concerto ambulante. Também o povo acompanha. É a banda da cidade de Santo Agostinho, de nome pouco charmoso, mas que é graça, mas que produz um encantamento atravessando décadas. A Filarmônica distribui alegria pelas ruas do Cabo. E como disse o poeta, as dores são esquecidas, pelo menos no momento em que ela toca.
O menino e o povo num reino mágico, só contentamento a cidade respira com sua 15 de Novembro Cabense. É a banda que passa, é a banda que é graça. A poesia flui, enche de emoção o peito do pequenino garoto cabense.
Do livro Uma Declaração de Amor, em parceria com José Ferreira.1985.
*Douglas Menezes é da Academia Cabense de Letras
A sensibilidade à flor da pele, pois a banda passa. Bate palmas o garoto, em meio à multidão. Nada mais a enxergar, a não ser o som de sua orquestra predileta. A sua orquestra, segunda melhor do Brasil, como ele, lentamente crescendo, sacrifício dos artistas humildes, pobres, ricos, no entanto, de amor à sua terra, à sua música.
A banda que ganhou as ruas, que faz o menino correr entre as pernas dos adultos para alcança-la. Não quer perder momento algum do concerto ambulante. Também o povo acompanha. É a banda da cidade de Santo Agostinho, de nome pouco charmoso, mas que é graça, mas que produz um encantamento atravessando décadas. A Filarmônica distribui alegria pelas ruas do Cabo. E como disse o poeta, as dores são esquecidas, pelo menos no momento em que ela toca.
O menino e o povo num reino mágico, só contentamento a cidade respira com sua 15 de Novembro Cabense. É a banda que passa, é a banda que é graça. A poesia flui, enche de emoção o peito do pequenino garoto cabense.
Do livro Uma Declaração de Amor, em parceria com José Ferreira.1985.
*Douglas Menezes é da Academia Cabense de Letras
domingo, 11 de novembro de 2012
CULPA DE GODARD
Roberto Menezes*
Captar o teu olhar de cigana
na quase não - fila do cinema
para ver um filme de Godard
é fogo que virou poema
e me abrasou, e meu fez capitular.
E te seguir até à cadeira
onde você ficou a esperar
o desprezado filme de Godard.
Mas nem bem o filme começa
o ator na tela acaricia Brigite Bardot
e faz comovida jura de amor:
"te amo docemente
ternamente
tragicamente".
E teu choro de repente
pungente, obscuro
fez tremer as cadeiras
incendiou o escuro
e tua saída intempestiva
tuas lágrimas, teu segredo.
Nunca mais te vi
e no meu degredo
me tornei Bento e Escobar
devorados no ciúme e na ressaca
eles, culpa de Machado
eu, culpa de Godard.
(Ano passado em São Paulo. Durante lançamento da cópia remasterizada de O DESPREZO, do velho e sempre novo Jean- Luc Godard. Dedico à escritora Danielly Teles, que me entregou dois contos que escreveu, para que eu filmasse o Curta "MENINA: DOIS EM UM)
AINDA BATEM EM NOSSOS CORAÇÕES
(A
Paulo Cultura, poeta sempre.)
Antonino
Oliveira Júnior
Fala,
poeta,
A
tua voz que não morre;
Fala,
poeta,
Teu
canto de amor à vida;
Fala,
poeta,
Porque,
ainda que te deixem longe,
Estarás perto de nós,
Pois
teus versos
Não
respeitam o tempo,
Não
respeitam a distância,
Ignoram
a fronteira entre o corpo e a alma
E
ainda batem em nossos corações.
A MINHA VIDA É UM BARCO ABANDONADO
Fernando Pessoa
A minha vida é um barco abandonado
infiel, no ermo porto, ao seu destino
por que não ergue ferro e segue o atino
de navegar, casado com o seu fado?
Ah! falta quem o lance ao mar, e alado
torne seu vulto em velas; peregrino
frescor de afastamento, no divino
amplexo da manhã, puro e salgado.
Morto corpo da ação sem vontade
que o viva, vulto estéril de viver,
boiando à tona inútil da saudade.
Os limos esverdeiam tua quilha
os ventos embala-te sem te mover,
e é para além do mar a ansiada ilha.
NÃO SÓ COMOVENTE E HUMANO
DOUGLAS
MENEZES*
Não só comovente e humano; nem apenas um
drama familiar dentro de uma produção bem realizada, que leva ao riso e ao
choro. Que nos faz refletir e virar
menino na sala escura. Mas uma obra que, sem ser genial, tem a importância de
nos alertar para a necessidade de valorização de nossos aspectos culturais mais
caros. O filme sobre Luiz Gonzaga e Gonzaguinha é daqueles que deveriam ser
vistos por todos os brasileiros, principalmente por tratar da existência de
dois ícones de nossa vida artística, assim classificados por absoluto mérito,
pela inserção comunicativa com a realidade do Brasil, cada um a seu modo.
Luiz Gonzaga de Pai para Filho, mesmo com
alguns classificando-o como filme “chapa
branca” e com toda a carga negativa que essa expressão carrega, é uma obra que
não se limita a uma biografia, tem pretensão de ser arte, até ficção, pela dramaticidade dada aos
conflitos, à vida conturbada, mas rica
porém, dos dois personagens. Quer ser arte e consegue. A começar pela linguagem
simbólica, especial, conotativa, o que o
faz diferir de um simples documentário de duas vidas, levando-nos a um clima de
um trama romanesca, às vezes de tirar o
fôlego, apesar de em alguns momentos se tornar monótono. Um enredo tipicamente
de uma história de ficção, prendendo o espectador do começo ao fim, como se a
gente não soubesse o que aconteceu durante a passagem por aqui, de
Gonzaga e Gonzaguinha. É um presente ao público o ritmo do enredo, entrelaçado
com fatos históricos e músicas que marcaram a carreira dos dois. Ressaltemos,
inclusive, a coragem do autor, em
desvendar os aspectos negativos da
relação pai e filho. Mostrando, inclusive, ter sido Gonzaga um relapso, que não
cuidou como devia da educação e da afetividade de Gonzaguinha, expondo-o ao
mundo urbano violento e até a maus-tratos de sua segunda
mulher, muito embora a reconciliação venha a preencher a expectativa do
público, retomando a condição de ídolos
do país dos dois grandes artistas. Essa
coragem é outro mérito da obra: a de expor um ídolo nacional a sua condição
humana, de virtudes e defeitos.
Some-se a tudo isso, a dimensão dada à
diversidade brasileira. O Brasil urbano e rural. A mentalidade de um homem de
formação rude, e mesmo assim, sensível,
um conservador que ainda hoje encanta os modernos; e o outro, uma figura da
cidade, com uma obra revolucionária, portentosa, muito diferente do pai,
politicamente assumido como uma pessoa de esquerda e inimigo da ditadura
militar, ficando bem claro como eram
díspares as personalidades de ambos. E
esse Brasil contraditório do sertão e do cais; das feiras interioranas, que
ainda existem, e dos arranha-céus, já existentes em décadas passadas e do
sufoco urbano na luta pela sobrevivência, é mostrado com um certo ar de saudosismo,
mas querendo expressar que somos um e muitos ao mesmo tempo.
Então, vale a pena curtir esse filme. Não
sendo uma obra prima, nos leva, no
entanto, a entender que as
transformações mudam o mundo, mas que a tradição e a história formam os
alicerces para a identidade humana e cultural de um país.
*Douglas Menezes é da Academia Cabense de Letras
sábado, 10 de novembro de 2012
A FACE OCULTA DE BELCHIOR
Douglas Menezes*
Escuto com prazer e sempre numa paixão
renovada “De Primeira Grandeza”, poesia música do compositor cearense Belchior.
Canção transformada em hino do amor de todas formas. Uma exaltação aos deuses
que propagam a afetividade sem medida, inclusive aquela cuja sociedade
hipócrita ainda põe como pecado e passível de recriminação pública.
Música de melodia simples, sensível, mas de uma letra profunda, tem, no
eu- lírico, a voz homossexual declarada logo no começo, como um aviso aos
navegantes, ao mesmo tempo que expressa a condição de artista, daquele que vai
ao palco para brilhar, difundir ilusões e talvez mostrar sua outra face, que a
vida real não permite mostrar. Início de uma canção marcante, como de resto é
toda obra do cantor brasileiro: “Quando estou sob as luzes / Não tenho medo de
nada / E a face oculta da lua que é a minha/ Aparece iluminada/ Sou o que
escondo sendo uma mulher / Igual a tua namorada...”
A partir daí, no entanto, há toda uma valorização da condição masculina
e feminina. A importância de todos os gêneros aflora de modo cristalino,
mostrando que somos seres em igualdade de condições, independente de opção
sexual, para viver a vida com intensidade e paixão.
Primeiro, a força masculina, sua importância para a existência humana: “
A força masculina atrai e não é só ilusão”. Lembrando antes a presença feminina
atraída pelo oposto: “Musa, deusa, mulher, cantora e bailarina”. Como fica
evidente, então, a concepção democrática do eu-lírico! Como difere daqueles
movimentos “libertadores” que criam abismos humanos, incentivando o rancor e a
noção de que a liberdade deve ser cultuada apenas para o gênero que se supõe
merecedor dela! O cearense dá a noção exata do valor humano como um todo,
inclusive lembrando ao ouvinte essa visão, quando junta os dois lados humanos,
homem e mulher: “ Anjo, herói, Prometeu, poeta e dançarino / A glória feminina
existe e não se fez em vão”. Então, o homossexual do início, conclama a todos a
serem iguais enquanto seres fazedores da humanidade. A primeira grandeza é
justamente a busca da fraternidade e do direito ao prazer que as pessoas
deveriam possuir.
Por fim, a certeza de que só se vive bem a vida quando, no cerne dela,
existe paixão. Tudo o que a humanidade construiu de bom e
de ruim até hoje foi fruto de uma visão apaixonada: “ E se destina ao gozo a
mais que se imagina / O louco que pensou a vida sem paixão”.
*Douglas Menezes é da Academia Cabense de Letras
FESTIVAL SESI DE BONECOS DO MUNDO
Recife é a capital mundial dos Bonecos. Até este domingo, dia 11 de Novembro acontece o FESTIVAL SESI DE BONECOS DO MUNDO, com apresentações de teatro de bonecos de diversos países. Os espetáculos acontecem no Teatro de Santa Izabel e no Parque Treze de Maio, levando aos locais públicos grandiosos, que saem das apresentações maravilhados com os trabalhos dos Grupos.
O Festival começou no dia 7 e termina neste domingo, dia 11 de Novembro.
MOSTRA "PARA TODOS"
Inaugurada com sucesso, neste dia 7, a Exposição com o Tema "PARA TODOS - O MOVIMENTO DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA NO BRASIL", no Aeroporto Internacional dos Guararapes. A solenidade de abertura contou com a presença do Secretário Nacional de Promoção dos Direitos das Pessoas com Deficiência e outras autoridades nacionais e estaduais.
A Exposição acontece no Aeroporto Internacional dos Guararapes até o dia 24 do mês em curso e a entrada é grátis.
NÓS E OS NÓS
Roberto Menezes*
Entre nós
nos negamos
como somos nós:
amantes antes
e sempre.
Nó se desata
embora o nó cego
da faca sente falta
e sobramos nós
pobres de nós
o nosso amar
amarga que nem jiló
tão longe tão perto
e é só um nó.
sábado, 3 de novembro de 2012
AMAR SE APRENDE AMANDO
Carlos Drummond de Andrade
O ser busca o outro ser, e ao conhecê-lo
acha a razão de ser, já dividido.
São dois em um: amor, sublime selo
que à vida imprime cor, graça e sentido.
"Amor" - eu disse - e floriu uma rosa
embalsamando a tarde melodiosa
no canto mais oculto do jardim,
mas seu perfume não chegou a mim.
1985.
A PRIMEIRA ACÁCIA
Antonino Oliveira Júnior*
Não é apenas um cacho de flores
é uma acácia...
também não é, apenas,
uma acácia...
é a nossa primeira,
fecundada, cuidada, esperada
e que nasce para fazer renascer
nos corações justos e perfeitos
o amor pela humanidade.
*Antonino Oliveira Júnior é da Academia Cabense de Letras
Não é apenas um cacho de flores
é uma acácia...
também não é, apenas,
uma acácia...
é a nossa primeira,
fecundada, cuidada, esperada
e que nasce para fazer renascer
nos corações justos e perfeitos
o amor pela humanidade.
*Antonino Oliveira Júnior é da Academia Cabense de Letras
VISÃO DO MAL
Cláudio Oliveira
(à minha irmã Jura, partícula do meu coração)
Jesus, quando veio ao mundo, sem vaidade
Unindo o bem ao amor e à perfeição
Recebeu em troca de sua bondade
A recompensa cruel de um não cristão.
Calmo, sereno e justo sem a maldade
Irmã do egoismo e da traição.
O Cristo-Rei entre a torpe humanidade
Leu nas faces do homem a traição;
Ignorantes somos aqui na Terra,
Voltados a todo mal que nela encerra,
Encobrindo com um sorriso a hipocrisia.
Indiferente e alheio eu passo a vida,
Recordando a minha infância querida,
A saudade do tempo que sorria.
Acróstico feito em 12/09/1935, no Cabo
(à minha irmã Jura, partícula do meu coração)
Jesus, quando veio ao mundo, sem vaidade
Unindo o bem ao amor e à perfeição
Recebeu em troca de sua bondade
A recompensa cruel de um não cristão.
Calmo, sereno e justo sem a maldade
Irmã do egoismo e da traição.
O Cristo-Rei entre a torpe humanidade
Leu nas faces do homem a traição;
Ignorantes somos aqui na Terra,
Voltados a todo mal que nela encerra,
Encobrindo com um sorriso a hipocrisia.
Indiferente e alheio eu passo a vida,
Recordando a minha infância querida,
A saudade do tempo que sorria.
Acróstico feito em 12/09/1935, no Cabo
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