segunda-feira, 29 de outubro de 2012

SONETO PARA GRETA GARBO

Carlos Pena Filho



Entre silêncio e sombra se devora
e em longínquas lembranças se consome
tão longe que esqueceu o próprio nome
e talvez já não sabe por que chora
Perdido o encanto de esperar agora 
o antigo deslumbrar que já não cabe
transforma-se em silêncio por que sabe
que o silêncio se oculta e se evapora
Esquiva e só como convém a um dia
despregado do tempo, esconde a tua face
que já foi sol e agora é cinza fria
Mas vê nascer da sombra outra alegria 
como se o olhar magoado contemplasse
o mundo em que viveu, mas que não via.

TODOS MO CINEMA


Participando do 40º Congresso da ABAV e Feira de Turismo das Américas, no Rio de Janeiro, semana que passou, conheci de perto interessante Programa da Prefeitura do Rio, o CINEMA PARA TODOS. No Programa, os alunos e Professores das Escolas da Rede Municipal e funcionários da Prefeitura, recebem tickets que lhes dão o direito de assistirem filmes brasileiros em exibição na cidade, pagando apenas R$ 3,00, com a Prefeitura subsidiando o restante do valor dos ingressos às Salas exibidoras.

Muitas vezes as pessoas ficam perguntando o que é Políticas Públicas de Cultura. Está aí um dos exemplos: o dinheiro do povo volta para a população em forma de incentivo para que o povo goste de cinema, que goste do cinema brasileiro, que tenha uma diversão sadia e instrutiva e, ainda, complementa a renda dos produtores ao subsidiar os ingressos.

DE BREGA A CULT



Douglas Menezes*

Recentemente a Rede Globo incluiu na trilha sonora da novela Gabriela a música do cantor Fernando Mendes “Você não me Ensinou a te Esquecer”, canção que já fora trilha musical do filme Lisbela e o Prisioneiro, baseado na obra do grande escritor Osman Lins. Música classificada como brega romântico há trinta anos, desprezada pela intelectualidade brasileira que curte MPB de qualidade, foi sucesso à época na voz do seu autor Fernando Mendes. É interessante notar como o conceito do brasileiro médio muda de acordo não só com o passar do tempo, mas pela presença de quem “apadrinhou” o novo elemento cultural.

Pois bem, O “monstro Sagrado”, com inteira justiça, da música brasileira Caetano Veloso resolveu dar uma roupagem nova à música. Deu um tom mais dramático à canção, incluindo uma instrumentação de nível inquestionável. O resultado foi novo sucesso da música, com algo que impressiona: sua inclusão no repertório da MPB de bares e emissoras de rádio, junto a Djavan, Chico, Gal, Betânia, o  próprio Caetano, entre  outros, incluindo aí, o público jovem, com menos de trinta anos. Quer dizer, o que não possuía valor antes, passou a ser “nata” da música romântica brasileira de qualidade.  Mostrando que os mitos realmente são intocáveis, gerando verdades nunca questionáveis, pois já se disse demais versos como estes: “ Não vejo mais você faz tanto tempo/ Que saudade que sinto ; De olhar nos seus olhos sentir seu abraço/ É verdade eu não minto...”. No entanto, “Você não me Ensinou a te Esquecer”, retornou ao pódio do sucesso, inclusive por parte do público mais exigente, a ponto de a TV colocá-la na trilha de bom gosto da nova versão do romance de Jorge Amado, junto a obras consagradas de Djavan, Geraldo Azevedo, Alceu Valença, Moraes Moreira e Dorival Caymmi.

Aliás, Caetano Veloso é pródigo, ao longo de carreira, em despreconceitizar aquilo que é visto quase como tabu em nossa sociedade conservadora. Na música, fez isto, também, com Coração Materno, de Vicente Celestino e Sonhos, de Peninha, mostrando que, às vezes,  é tênue a fronteira entre o culto, de sentido elitizante, e o popular, naquilo que o povo assimila como sua cultura.

*Douglas Menezes é escritor, professor de Língua Portuguesa, pós-graduado em Literatura Brasileira e em Leitura, Compreensão e Produção Textual pela UFPE, membro da Academia Cabense de Letras.


FESTIVAL DE TEATRO DE IGARASSU

Ganga meu Ganga, o Rei - foto: Pedro Portugal



Já estão abertas as inscrições para o 4º Festig – Festival de Teatro de Igarassu, que acontecerá neste município da Região Metropolitana do Recife, distante 30Km da capital, de 30 de novembro a 09 de dezembro de 2012, numa realização do Grupo Teatral Ariano Suassuna e incentivo do Funcultura. Podem se inscrever, até o dia 02 de novembro, espetáculos de todo o Brasil nas linguagens do teatro para a infância e juventude, para adultos, de rua ou de formas animadas. Por não ser uma mostra competitiva, o festival entregará a cada grupo troféu de participação, com o nome da homenageada do evento, a atriz e diretora Geninha da Rosa Borges, “A Dama do Teatro Pernambucano”, e certificado, arcando ainda com alojamento, alimentação e cachê a negociar com as equipes participantes.

Para se inscrever é preciso preencher ficha de inscrição, anexada com todos os requisitos solicitados pelo regulamento em projeto, e enviá-la para o endereço: Escola Santos Cosme e Damião (Grupo Teatral Ariano Suassuna) – Av. Joaquim Nabuco, nº 222,Centro, Igarassu/PE, CEP: 53610 070. As sessões dos espetáculos acontecerão no Centro de Artes e Cultura Poeta Manoel Bandeira, já que a cidade ainda não possui um teatro oficial, ou praças e ruas de Igarassu, com possibilidade de apresentações especiais nas escolas municipais ou estaduais da região. Maiores informações com a produtora cultural Albanita Almeida – Tel. 8765 6633 ou 3543 1367. As três primeiras edições do Festig foram sucesso absoluto de público. O regulamento e ficha de inscrição podem ser adquiridos no endereço eletrônico festig.blogspot.com.br O Grupo Teatral Ariano Suassuna comemora 12 anos de atividades em 2012.



domingo, 21 de outubro de 2012

A SAGA DE UMA CAMINHADA HERÓICA

Antonino Oliveira Júnior*




Nasci no agreste,
pequenino, frágil,
mas corajoso.
Ainda um pequeno filete,
recebi  pisadas e ameaças diversas,
mas segui adiante,
tomando corpo,
criando brilho próprio,
encantando as cidades por onde passei.
Segui meu curso
em busca de novos ares,
na ânsia de chegar ao litoral,
de me entregar ao mar,
como todo aquele que deixa o árido
em busca do frescor tropical.
A caminhada da felicidade
tornou-se dolorosa
e chorei,
sofrendo as dores da tortura,
da falta de ar, da vida se esvaindo,
fugindo de mim.
O chegar à cidade tornou-se um sofrer,
uma certeza que o mal estava a caminho:
espumas tóxicas, dejetos humanos,
lixo contaminado matando meus frutos...
Que dor horrível!
Os peixes, coitados, morrendo afogados...
Que dor horrível!
Pessoas morando pertinho de mim,
suspensas em varas, distantes da vida...
Mas eu sigo a viagem,
mulheres guerreiras, pedaço homem, pedaço mulher,
lavando as roupas, cantando cantigas alegres
em rostos felizes que escondem a tristeza
da alma que teima viver diante da morte...
Aqui, acolá,
crianças brincando em gritos e risos,
Inocência, pureza,
sem ver a sujeira que eu carregava;
Levo doenças, sofrimento e até a morte.
A canoa vai,
A canoa vem...
O homem olha triste para mim
e não entende...
sua vida está ali...

A minha agonia
é a fome dos seis,
dos sessenta, dos seiscentos.
O peixe afogado,
o pescador sem sorriso,
as crianças com fome...
Que dor horrível!
A espuma amarela
A cor da doença,
Prenúncio de morte...
E eu sigo a viagem,
quase não respiro
e tento (em vão) limpar-me com lágrimas...

O mangue!!!!

Tenho que ali chegar vivo,
ajudar a nascer novas vidas
de peixes, crustáceos, de plantas...
Estou chegando,
muito fraco, ofegante,
mas chegando,
levando espumas amarelas,
esgotos humanos,
restos de fábricas...
Reencontro mulheres guerreiras,
pretas da pele e do mangue;
mulher e mangue se abraçam...
Estou feliz...

Ainda que muito ferido e abatido,
levei a vida
ao mangue que resiste,
à mulher que teima em viver;

E vou um pouco mais além...
Que alegria!!!
Vejo o mar,
sinto a brisa tropical,
chego fraco, abatido,
ajoelho-me diante do mar
tão forte, tão imponente, tão envolvente...
Estou chegando mais perto
e volto a lembrança lá atrás...
As casas suspensas em varas,
o triste olhar do pescador,
a espuma amarela,
os dejetos,
os peixes afogados,
as mulheres guerreiras,
o mangue tinhoso...

Não há tempo para nada...

Estou sendo tragado...
Estou sendo engolido...

Cheguei ao final,
estou maior,

Virei infinito...
agora sou Mar...


*Antonino Oliveira Júnior é membro da Academia Cabense de Letras

sábado, 20 de outubro de 2012

DA ALMA À METALINGUAGEM

Douglas Menezes*


  Há trinta anos ouvi, encantado, pela primeira vez ,a música “As Vitrines” de Chico Buarque. Algo me dizia que por trás da aparente simplicidade, da melodia fácil de ouvir e de tocar ao violão, e dos versos com palavras simples, havia um estranhamento típico de uma obra literária e musical de valor.
Pois é verdade ser o banal, o comum elemento básico a ser transformado num texto de qualidade. E a história de um homem acompanhando uma mulher pelas ruas da cidade, seguindo-a como a persegui-la não  seria nada que chamasse a atenção como um acontecimento diferente. Mas Chico é gênio, e gênio é aquele que faz do trivial alguma coisa singular.
  Música tema de uma novela da rede Globo, “As Vitrines” passou, pelo menos, seis meses na mídia nacional e, embora popular, não chamou a curiosidade do público para os seus aspectos mais criativos.
  Comecei, então, a sentir uma atração crescente sobre a melodia e a letra dessa música, um dos belos momentos da obra de  chico – difícil é encontrar um que não seja belo. Na verdade, o primeiro aspecto curioso da obra diz respeito ao distúrbio psicológico do eu lírico: um voyeur. Um obsessivo perseguidor da amada. Tara recheada de imagens poéticas belíssimas, como ao final da música, quando o perseguidor, quase vencido declara: “Passas em exposição/ Passas sem ver teu vigia/ Catando a poesia / Que entornas no chão”. E toda a música é um jogo de espelhos pela  cidade, num  constante ir e vir obsessivo. O mundo conturbado do personagem narrador é exposto por expressões que mostram o desequilíbrio existencial, a confusão de sua mente expressa por imagem textual que liga conteúdo e forma: “Na galeria, cada clarão/ É como um dia depois de outro dia/ Abrindo um salão...” . E esse descompasso fica claro em verso anterior  ao citado,  quando a forma, de novo, serve ao conteúdo confuso do comportamento do voyeur: “Nos teus olhos também posso ver/ As  vitrines te vendo passar”. As vitrines adquirem comportamento humano, personificação confirmando  a visão distorcida da personagem, a mente embotada, sem comando razoável, numa imagem colorida e poeticamente perfeita .  Interessante notar que, a todo momento, o eu-lírico busca um diálogo com o objeto do desejo, sem conseguir, no entanto: “Olha pra mim,/ Não faz assim,/ Não vai lá não...”. ao tentar a interlocutora,  sem conseguir, ele  acentua  seu  monólogo, sua solidão total, que de resto é a soledade do homem da cidade grande.
   Mas não para por aí, a genialidade de Chico. Ao colocarmos o poema à frente de um espelho  uma parte dele se transforma numa outra poesia. Texto projetando outro texto, metalinguagem pura. Observe que o reflexo do poema original se transfigura
Em outro: “Ler os letreiros aí troco/ Embaçam a visão marinha/  Na alegria”, indo aí até o final, como se dentro do espelho houvesse uma outra realidade, distinta da concreta.
   Por fim, na gravação original, ao ouvirmos o último verso, o arranjo expressa sons que nos remetem a palavras despencando, diluindo-se, como um brinquedo infantil formado por letras jogadas ao chão. Tudo, pura obra de arte.


*Douglas Menezes é Poeta, escritor e membro da Academia Cabense de Letras


LEOMETÁFORA - TALENTO MULTIUSO

Hugo Leonardo Muniz, o Leometáfora


"Estou tentado a fazer da minha vida um clichê. Todo mundo acha que precisa fazer algo fantástico, perfeito, original. Eu só queria viver um amor verdadeiro. Bem óbvio mesmo! Bem em carne viva! Sem enfeites, sem alforjes, sem grandes surpresas. Mas o comum não encanta, não é? O normal não agrada? E neste caos aonde se aprende tão pouco e se sabe tanto, tinha mesmo que dar nisso. Pois é! Então! Eu sou assim! Prefiro viver um amor clichê, porque, afinal, tem gente que espera demais e, no fim, se conforma com tão pouco..."

O texto acima é do talentoso Hugo Leonardo Muniz, Leometáfora, mais um nome multicultural no universo das artes do Cabo de Santo Agostinho. Além de escrever bons textos, Leometáfora é músico, compositor, excelente fotógrafo e cineasta.

WILLIAM SANT'ANNA DIRIGE "AMADEUS MOZART"

Wolfang Amadeus Mozart


Williams Sant'anna foi o escolhido para ser o Diretor Cênico da Opera DON GIOVANN, de autoria do célebre Wolfang Amadeus Mozart, um Projeto assinado por Mary Ruth Gomes aprovado pelo FUNCULTURA. Será mais um desafio para Williams Sant'anna exercitar seu talento.

Williams Sant'anna, além de Diretor, é arteeducador e ator, destacando-se nos palcos em diversos papeis, a exemplo de Palhaços e Auto da Compadecida.

UM POEMA NOVO COM QUARENTA ANOS

Poeta Juareiz Correya

Ao completar quarenta nos, o poema Americanto Amar América será lançado em 3 Dimensões (ebook), com o texto original em Português (Juareiz Correya), tradução para o espanhol pelo professor e popeta mexicano Alberto Vivar Flores, e desenhos em quadrinhos pelo artista plástico pernambucano Roberto Portella.

domingo, 14 de outubro de 2012

COMO É GRANDE O MEU AMOR POR VOCÊ


Antonino Oliveira Júnior.*

Às vezes nem sei o que sinto,
Se é ciúme ou raiva;
Tu , que me tens de tanto tempo
Te entregas a aventuras,
A coisas passageiras;

E sinto raiva
Quando te vejo amorosamente caída
Em braços sem ternura;
Quando te entregas
A quem te usa e depois te descarta.

O ciúme fere-me a alma
E uma lágrima morna rola em meu rosto
E eu sofro,
Como quem vê distante um grande amor;
E relembro todos os nossos momentos
Na quietude de tempos outros
Das juras de amor eterno, da cumplicidade;

Não gosto de ver-te assim, como estás...

Sinto raiva de quem te machuca
E, ainda que, morto de ciúmes,
Queria  colocar-te todinha em meu colo
E falar baixinho ao teu ouvido:

“Ah, minha cidade,
Como é grande o meu amor por você!”

UMAS E OUTRAS: LIÇÃO DE HUMANIDADE


Douglas Menezes*

Faz mais de quarenta anos que Chico Buarque gravou a canção Umas e Outras e, apesar do tempo, ela continua com a mesma atualidade humana da época em que foi lançada. Ali, Chico, um artista  ainda em busca de afirmação e já tendo problemas com a censura da ditadura militar, mostrava ao país a tendência de uma obra tão vigorosa artisticamente como igualmente forte em relação ao conteúdo humanístico. Além disso, confirmava ao Brasil que sua música não se detinha apenas a questões políticas, mas que abrangia o humano, naquilo que os seres têm de mais importante: o sentido da existência aqui na terra.


O encontro de uma freira e uma prostituta numa rua da cidade é um dos pontos altos do fazer musical do compositor carioca. E a possível antítese contida no poema, paradoxo mesmo, dilui-se, no desenrolar do texto, à medida  em que a identidade entre as duas se afirma: ambas sofrem com as frustrações da existência. Ambas olham-se com o mesmo olhar que a vida vazia e angustiada trouxe para elas: “ O acaso fez com que essas duas / Que a sorte sempre separou/Se cruzem pela mesma rua, olhando-se com a mesma dor”.



Na música, a evidência de que nas duas não existiu escolha. O recato forçado da religiosa,  “Se uma nunca deu sorriso, que é pra melhor se resguardar”, corresponde, também, ao sorriso artificial da prostituta, “Se a outra não tem paraíso,/não dá muita importância não / Pois já forjou seu sorriso / E fez do mesmo profissão”. O destino traçou para as mulheres o elo de ligação que faltava para que tivessem algo em comum: a vida é um fardo pesado para carregar e trata de juntar a todos numa mesma dor.



Assim, a infelicidade não escolhe a quem “contemplar”. A religião, na verdade, é vista como uma fuga. O paraíso é algo incerto e talvez infernal, já que o “céu” não foi uma opção individual, mas vindo de fora para dentro, arrastando, tormenta sem fim, qualquer possibilidade de uma vivência feliz aqui no plano terreno. As duas, vítimas do todo social. As duas vendendo-se para poder suportar o viver. E cada uma a seu modo: “E toda santa madrugada / Quando uma já sonhou com Deus/ A outra triste namorada /  Coitada, já deitou com os seus”.



*Douglas Menezes é escritor, professor de Língua Portuguesa, pós-graduado em Literatura Brasileira e em Leitura, Compreensão e Produção Textual pela UFPE, membro da Academia Cabense de Letras.

sábado, 13 de outubro de 2012

BEIJO NO ASFALTO ESTREIA

O BEIJO NO ASFALTO, um dos clássicos de Nelson Rodrigues estreia neste fim de semana em Recife. O espetáculo acontece no Teatro de Santa Izabel, neste sábado às 20:30 hs e domingo às 19 hs, sob a direção de Cláudio Lira, tendo no elenco: Arthur Canavarro, Andrêzza Alves, Eduardo Japiassu, Ivo Barreto, Pascoal Filizola, Sandra Rino, Daniela Travassos e Lano de Lins, com Produção de renata Phaelante e Andrêzza Alves.

O texto conta a reviravolta que acontece na vida do jovem Arandir, que socorre um desconhecido atropelado e, atendendo um pedido deste à beira da morte, dá-lhe um beijo na boca. Por ser casado, o caso ganha espaço na imprensa, sendo explorado com intensa crueldade.

OLIVIER E LILI DEIXAM SAUDADE

OLIVIER E LILI - UMA HISTÓRIA DE AMOR EM 900 FRASES, excelente espetáculo vai deixar saudade no público recifense. Com ótima direção de Rodrigo Dourado, OLIVIER E LILI tem LEIDSON FERRAZ  e FÁTIMA PONTES no elenco, agradando ao público que prestigiou a temporada no Teatro Hermilo Borba Filho, em Recife.

O texto conta a história verídica da inusitada amizade entre Elizabeth Mazev e Olivier Py, hoje, dois aclamados artistas do teatro francês. A montagem é um exercício de interação entre elenco e público.

AMANDA FLORENCE - A REVELAÇÃO GOSPEL

O universo gospel mostra ao Brasil um de seus maiores valores, uma das grandes revelações da música, AMANDA FLORENCE. Cantora, compositora, AMANDA conquista pela beleza e maciez de sua voz, o que concorre para que as mensagens das músicas que compõe e canta alcancem seus objetivos de forma mais rápida e eficaz.

Concorrendo ao prêmio Promessas,  AMANDA FLORENCE aparece como forte concorrente ao título. Ela é uma espécie de Paula Fernandes Gospel, tanto na qualidade da voz e do repertório, quanto na simpatia e na interação com o público.

AMANDA FLORENCE é filha do Pastor e Cantor/Compositor  Armando Filho.

domingo, 24 de junho de 2012

OLHA PRO CÉU MINHA GENTE, VÊ QUE LUA MAIS LINDA !

Douglas Menezes*


   Eu invento frases de efeito que aprendi com os mestres. Eu douro as palavras de modo artificial porque os bancos e os livros me ensinaram. Digo coisas, às vezes bonitas, legítimas até, mas apropriadas por um conhecimento adquirido. Ele, não: disse o que eu sempre quis dizer e não soube como. Ele, natural; ele, voz do povo; ele  enquadrado naquilo que outro poeta falou: “ se a gente sofre, ele sente”. Aridez da vida transformada em ternura. Na poesia, a terra seca chega a parecer molhada, mesmo expressando a dor maior da sobrevivência.
   Vi de perto um dia, muito tempo faz, jovenzinho ainda. Ele junto, atencioso. Ele respondendo as perguntas, paciência de Jó
Quando soube que não éramos jornalistas, brincou, fingindo severidade: “vocês são uns nojentos” e depois riu aquele riso sertanejo, forma carinhosa de falar que estava só brincando. Depois, a missa, os vaqueiros perfilados, a fé maior,o canto inconfundível ecoando na imensidão do mundo do interior. Contrita aquela gente, ouvindo a voz que ela conhecia tão bem, famosa e, ao mesmo tempo de uma simplicidade comovente. Deus ali, também refletindo por que tanto padecimento, já que aquele povo acreditava tanto Nele. A missa nordestina com charque e rapadura, e a música dele, misturada a toda a paisagem dessa Palestina brasileira.
   Na poética, a sensibilidade nata, as personificações nunca esquecidas, de emoção à flor da pele? “ Quando vivim cantou / Corri pra ver você / Atrás da serra o sol tava pra  se  esconder / Quando você partiu / Eu não esqueço mais / Meu coração amor/ Partiu atrás”. Ou o jogo de palavras do ABC DO SERTÃO, com a defesa da língua sertaneja, do sotaque que faz a diferença e reafirma a personalidade própria. Aliás, décadas vivendo no sul e nunca mudou o modo de falar, criticando aqueles que macaqueavam, que perdiam a identidade, imitando o sulismo, mesmo com pouco tempo naquela região.
   Toda uma vida dedicada a analisar musicalmente a sociologia de um povo. O amor, a natureza, as cidades, as serras, as paisagens diversas, as festas, os personagens, as injustiças sociais, a dignidade do nordestino sempre ultrajada até hoje. Conseguiu, como poucos, unir forma e conteúdo. Sem conhecimento histórico, expressou na obra, na melodia,  a origem Ibérica e do Oriente Médio da música nordestina.
   Telúrico em toda a trajetória. Chão de terra batida, cheiro e mato seco, uma voz de quintal ouvida em todo canto: “ vem ver quanta fogueira / No terreiro embandeirado,/Foguetes e balões/ Sob o céu todo estrelado / Namoro à moda antiga / Com suspiro ao luar /Vem ver coisa bonita / São João no arraiá”.
  Sim, faço frases que a escola ensinou a fazer. Ele ganhou a elite pensante com o pulsar de uma poesia vindo do coração e do músculo sensíveis, no entanto.  Passou por todos os temas possíveis. Gente de peso da arte nossa rende-lhe até hoje homenagens. Cem anos que vão ser centenas, com certeza. Pois arte maior não morre nunca. Discípulos estão aí, bons ou maus, perpetuando seu legado. Os pés-de-bode continuarão animando as festas da cabroeira que tanto ele amava. Agora, também o ano inteiro.
    Pois é, o casal olha no céu deste junho a lua redonda, que insiste em ficar entre as estrelas. Lua gorda, morena escura. Ele olha de cima, risonho, feliz, vendo ainda algumas fogueiras brilhando lá embaixo na terra. Lua feliz olhando, com alegria de menino, ouvindo o som que ele deixou. E mais ainda, a confirmação de que, mesmo com a tirania do tempo, implacável com o destino humano, o seu povo não o esquecerá jamais.

Douglas Menezes, junho 22 de 2012

*Douglas Menezes é da Academia Cabense de Letras.
   

sexta-feira, 8 de junho de 2012

UMA LÉGUA NEM TÃO TIRANA



               
                                                    DOUGLAS MENEZES

  Ele não está mais aqui, mas o sol continua testemunhando a agonia do seu povo. Uma dor sem fim que os homens que podem não acabam nunca. Dá lucro a inclemência natural para os donos de gado e gente. Dá voto e prestígio o sofrimento do sertanejo. Tão seca a Palestina. Tão seco Israel e eles resolveram a escassez de água. Tirana e infinita essa légua sertaneja. O poeta, no entanto suavizou a angústia trágica de séculos: “Ah que estrada mais comprida,/ Ah que légua tão tirana; / Ai se eu tivesse asas inda hoje eu via Ana”. Amor onde poderia apenas haver o ódio. Lua, em outro espaço, deve estar chorando a repetida tragédia de sua gente. Manchete sem graça: “a pior seca dos últimos cinquenta anos”. Grande artista é aquele que ultrapassa, com sua obra, o tempo presente e ingressa no futuro. Nesse aspecto, é triste a atualidade do cancioneiro de Luiz do Exu. Quisera ele, com certeza, que parte de sua música fosse apenas lembrança de um passado que não voltasse mais.
  Não é bem assim, porém. Entretanto, o mestre faz da dor um rasgo de esperança e de confirmação que o místico ajuda a amenizar a agonia de todo um povo: “ Quando o sol tostou as foias/  E bebeu o riachão / Fui inté ao Juazeiro/ Pra fazer a minha oração”. É como se o sofrimento fosse tão-somente um modo de expiar os pecados. Não há um mínimo de revolta contra o divino. O esgotamento traz, na verdade, a grandeza de quem sofre sempre tudo e não perde a condição de humanismo e bondade:” Tou voltando estropiado / Mas alegre o coração/ Padim Ciço ouviu a minha prece/ Fez chover no meu sertão”. Uma légua cuja tirania é desconstruída a favor de uma visão otimista. A concepção de que a vida vale a pena  viver, apesar de tudo de ruim que os próprios homens fazem. Talvez não seja bom esse conformismo conservador, mas não deixa de ser um exercício de que a humanidade tem salvação.
  É por isso que existe poesia. Para que creiamos num mundo possível, mais feliz e solidário. O poeta crê no homem, até mesmo quando o expressa o mais profundo pessimismo. Há, na Légua tirana do Lua uma confirmação de que a estrada da vida é tortuosa e longa, todavia com um vislumbrar de se atingir algum lugar como objetivo: “ Varei mais de vinte serras/ De alpercata e pé no chão/ Mesmo assim, como ainda farta ! / Pra chegar no meu rincão”.
  Gonzaga, então, modifica o sentido da palavra “tirana”. Põe um bálsamo sobre a aridez original do vocábulo. Tirana: opressora, déspota, ruim, desumana, ditadora, violenta. A tirania do rei é leve para o homem. O eu-lírico sofre, cansaço atroz que, no entanto, não atinge as pessoas, necessitadas de algo leve,  criando a ilusão de um sol menos inclemente, de uma existência pouco sofrida. O final arrebata, na singeleza dos versos, essa concepção de cantiga de ninar, alguma coisa que faz dormir e sonhar, como um céu de estrelas, como uma chuva fazendo brotar a fartura: “Trago um terço pra Das Dores / Pra Reimundo um violão / E pra ela e pra ela trago eu e o coração”.

"O PÁSSARO DE PAPEL" SE DESPEDE DIA 10

foto: Pedro Portugal

Acontece neste domingo, dia 10, a última apresentação da Peça  O PÁSSARO DE PAPEL, que discorre sobre um pássaro cor de mel, desenhado por uma garota numa folha de papel, que aprende a voar, mas que acaba rejeitado pelos outros pássaros, por ser diferente.

O texto é baseado em conto da pesquisadora sergipana Aglaé D'Avila Fontes e tem no elenco Sofia Abreu e Regina Medeiros. A realização é dos produtores Pedro Portugal e Paulo de Castro. A encenação é de Moncho Rodriguez.

A apresentação é no Teatro Arraial, na rua da Aurora, 457, Boa Vista, Recife, às 16:30 horas. O preço dos ingressos é R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia).

terça-feira, 5 de junho de 2012

CINEMAS DO COSTA DOURADA SÃO UMA REALIDADE

Será nesta quinta-feira, dia 7 de junho, a inauguração das quatro Salas de Cinema do Shopping Costa Dourada. As instalações são excelentes e os equipamentos todos top de linha, o que assegura uma projeção de qualidade. Das quatro Salas, duas utilizarão o sistema 3 D, que serão, com certeza, um atrativo a mais para os usuários.

A primeira Sessão será sempre às 12 horas e a última às 21 horas, terminando por volta das 23 horas. Segundo Carla Cardoso, Diretora dos Cinemas, o ônibus grátis estará à disposição após a última sessão, o que tranquiliza aos que não possuem veículo próprio.

Os primeiros filmes programados estão em cartaz nos principais cinemas da capital: Madagascar 3, Homens de Preto 3,  Os Vingadores e Paraísos Artificiais. Nesta terça-feira houve uma sessão especial para a imprensa e na oportunidade a direção do Shopping, Dr. Ayrton Cardoso, Carlos Eduardo e Carla Cardoso, recepcionaram o pessoal da imprensa e serviram de cicerone por todas as dependências dos cinemas, incluindo-se as salas de projeção.

Assistindo à sessão estavam Emerson Santa Rita (Biu) e sua esposa. Biu é funcionário do Shopping Costa Dourada e nunca tinha entrado num cinema antes. No final da exibição do filme, Biu revelou que estava maravilhado e emocionado com o que viu.

A Direção dos cinemas revelou que dentro dos próximos oito ou dez dias o público poderá adquirir seu ingresso pela internet (www.ingressos.com) ou, ainda, num dos terminais de auto-atendimento à disposição na entrada dos cinemas.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

UM VELHO BAR, UM VELHO SISUDO, UMA LIÇÃO DE VIDA.


José Ambrósio

Simplicidade, sinceridade, serenidade, afetividade, tolerância. Foi exercitando diariamente essas cinco qualidades que ele conquistou gerações de adeptos, no seu caso fregueses. Daqueles fregueses que quando viajam ficam marcando o dia da volta para dar uma chegadinha naquele lugar especial, um simples boteco à moda antiga que o pouco dinheiro que rendia não permitia ao proprietário apetrechá-lo com objetos que se costuma ver em bares e que de certa forma cativam muita gente.

Nada disso. Aliás, longe disso. Um velho balcão, mesas e cadeiras somente vistas em velhos barracões de engenhos. Uma pia que estava sempre a exigir mais cuidados, panos de mão que muitos dispensavam. Nada que um rápido esfregar de mãos não resolvesse e logo se estava pronto para a cervejinha gelada ou a caninha esperta para avivar ainda mais a vontade de saborear a buchadinha, o guisadinho.

Comidas cujo preparo os clientes podiam acompanhar através da porta da cozinha sempre aberta, de modo que o aroma invadia o pequeno salão. Quem sabe mais uma esperteza para que ninguém saísse sem provar dos deliciosos pratos elaborados por dona Da, sua dedicada esposa.

Nem mesmo a receptividade discreta e muitas vezes sisuda quebrava o encanto, até para clientes de primeira viagem. E eles sempre surgiam levados por poetas, boêmios, seresteiros (nem sei se se pode distingui-los), operários, estudantes, jornalistas, políticos. Muitos tinham cadeiras e horários certos. Alguns há certo tempo não mais podiam ser encontrados, pois, como se costuma dizer em mesa de bar, partiram para o andar de cima, frase dita sempre com gestos de respeito.

Quem nunca se encontrou com Murilo Lages, Laércio Monteiro, Antonino Júnior, Ronildo Albertin, Jessé Santos, Wilson Nascimento, Douglas Menezes, Elias Gomes, Natanael Júnior, entre tantos outros, nas idas àquele bar na parte velha e alta da cidade? E quem nunca se envolveu nas acaloradas discussões políticas que em algumas ocasiões tiveram a participação de interlocutores como Jarbas Vasconcelos, Cristina Tavares e Marcus Cunha, e que invariavelmente contavam com a participação serena e sábia de um atento observador de quase três quartos de século da cena política do Cabo de Santo Agostinho?

O nome do bar? Nem sei se tem nome, mas todos o conhecem como o Bar de seu Toinho. Seu Toinho partiu para o andar superior esta semana. Certamente foi recebido por muitos que abraçou em seu bar comemorando, confortando, orientando e até puxando orelhas, sempre com o aconchego de quem aprendeu a viver modestamente, mas com sabedoria e muita dignidade.

Cabo de Santo Agostinho, noite de 15 de maio de 2012 

quinta-feira, 10 de maio de 2012

ERAM TANTOS

Roberto Menezes



Eram tantos
Que já não podia se amontoar.
Eram tantos
Que não afundavam mais no mar.
Eram tantos
Que sob pistas de aeroportos
E alicerces de construção
Não podiam mais ocultar.
Eram tantos
Que passaram a incomodar
E voltaram a queimar
Como nos primeiros fornos
E nos banhos de melaço quente
Onde camponeses e operários de usinas
No golpe cruel e demente
Encontraram a morte de suas vidas severinas.
Eram tantos
E deles se livraram.
Mas esqueceram
que não se queima
Lembrança de ser querido
Afeto de desaparecido
Dor que é brasa que teima
Chama escondida que arde
Até que se faça justiça
Até que se mostre a verdade.

terça-feira, 6 de março de 2012

O PODER TÊNUE DAS ACÁCIAS (Aos Irmãos de Pernambuco)

Antonino Oliveira Júnior

O mundo,

Uma vida,

Muitas vidas;

O mundo,

Único, simétrico,

Justo e perfeito.

A vida,

Pedra lapidada (sempre)

Por mãos firmes e generosas;

O mundo,

Grande Oficina da vida,

A vida do homem,

Esculpida pelo gradim do Arquiteto;

A vida e o mundo

Suspensos em colunas

E, da janela deltóide,

Um olhar vigiante

Derrama luz por sobre os caminhos.

Uma vida,

Muitas vidas,

Fecundadas pelo poder tênue

Da beleza das acácias.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

BALMASQUÉ DA TERCEIRA IDADE

Acontece nesta quinta-feira, no Grêmio da Rhodia, Cabo de Santo Agostinho, mais uma versão do BALMASQUÉ da Terceira Idade. O evento tem início às 17:30 horas e é uma realização da Secretaria Municipal de Programas Sociais.

A prévia da Terceira Idade será animada pela Banda Pinguim e Patusco, além da participação do Bloco Lírico; e na programação haverá o tradicional Concurso de Máscaras e Fantasias. A expectativa é de muita animação, a exemplo de outras promoções que envolvem o pessoal da Terceira Idade do Cabo de Santo Agostinho.

Os foliões deverão trocar duas bolsas de leite em pó por uma ingresso, na Secretaria de Programas Sociais, na Praça do Jacaré, centro da cidade, por todo o dia de hoje.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

DIA DO FREVO

105 ANOS DE BELEZA E ALEGRIA

Antonino Oliveira Júnior

Que ritmo é esse, que é mais que música, mais que dança, mais que brilho? Que ritmo é esse que supera a timidez e arrasta multidões numa dança que mistura graça, beleza e energia?

A cada ano mais jovem e vibrante, o FREVO chega aos 105 anos, liderando a mais bela manifestação popular do Brasil, o carnaval. FREVO, um ritmo que se divide para abraçar a todos. O de rua, eletrizante, leva ao delírio coletivo; o Canção é pessoal e fala, muitas vezes, da afetividade pessoal; e o de Blocos, a parte lírica, guardada pelo frevo para alimentar os corações sonhadores dos eternos apaixonados, seja pela colombina, seja pela cidade, seja pelo próprio frevo.

Evoé!, Miro de Oliveira, Nelson Ferreira, Capiba, Felinho, Edgar Moraes, J. Michilles, Getúlio Cavalcanti, Raul Morais, Bajado, Banhistas do Pina, Bloco das Flores, Homem da Meia-Noite, Vassourinhas, Orquestra e Coral Juventude Lírica, Domingos Sávio, José Geraldo, Luiza Oliveira e Fernando da Lira.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

CHARTE CHEGA PARA FICAR

A Cia. Teatral CHARTE dá os primeiros passos no universo cênico de Pernambuco, mas, já chegou demonstrando força na proposta de trabalho do grupo. Já no segundo espetáculo, que tem o sugestivo título de "60 Segundos", dá o seu recado, ao montar um trabalho voltado para provocar o público e levá-lo a refletir em relação aos problemas que rondam o dia a dia do país.

O texto é assinado por Heyder Sanfer, com a direção cênica assinada por Cesar Rasec e um elenco formado por Heyder Sanfer, Lais Monique, Adriano Severo e Araci, contando com a participação especial de João Neto e Itamar Phellipe.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

SOFREGUIDÃO

Antonino Oliveira Júnior


Os minutos pingam
sobre o caminhar lento das horas
e o aguardar angustiante
faz-me oscilar constantemente
entre os intermináveis compassos de espera
e os efêmeros momentos do pulsar acelerado.

A cada sensação nova
tua figura surge viva e imponente
até se esvair
no labirinto dos sonhos
e dos desejos arrebatadores.

O abrir a porta
revela a dor da espera vã
e o vento frio
deixado por tua ausência
chove meu rosto
e inunda meu coração de tristeza.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

PALHAÇOS



Foto: Toni Braga


Interpretando há quase 20 anos os personagens João Grilo e Chicó, na peça "Auto da compadecida", vale a pena conferir mais uma faceta dos atores Sóstenes Vidal e Williams Sant'anna, no espetáculo PALHAÇOS - O REVERSO DO ESPELHO, pela Dramart Produções, no Teatro Barreto Júnior, Pina, Recife, nesta quarta-feira, 18 de jneiro, `s 20:30 horas. A entrada custa apenas R$ 10,00, dentro da programação do 18º Janeiro de Grandes Espetáculos.

O espetáculo é um tenso jogo sobre afetividades e a existência humana e sobre "quem é, na verdade, palhaço na vida".

CORAÇÃO EM EROSÃO


Antonino Oliveira Júnior


Você chegou daquele jeito...
Tinha que ser assim...

Suas carícias, seus carinhos,
Uma enxurrada de prazer
Causando essa erosão em meu coração,
Uma fenda profunda
Preenchida por tudo o que sinto,
Por tudo o que desejo,
Pelo tudo que é você.

Não fala nada agora
E apenas fecha os olhos...
E com o sal de seu suor
Batizo com o nome de amor
o recheio dessa fenda
que me abre e me preenche o peito.

sábado, 14 de janeiro de 2012

GRUPO DE POESIAS "VOZES FEMININAS"




O Grupo de Poesias VOZES FEMININAS lança seu mais novo projeto, A palavra em movimento, dia 18 do corrente, às 19 horas, na Casa Mecane, na Visconde de Suassuna, Boa Vista, Recife, com recitação das integrantes do Grupo: Suzana Morais, Silvana Menezes, Mariane Bigio e Cida Pedrosa, contando com a participação especial de Kerlle de Magalhães, Miró, Renata Santana e Rita Marize.

O Projeto é apoiado pelo Funcultura e o Grupo vai realizar vinte recitais em Recife, Olinda, Camaragibe e Cabo de Santo Agostinho, em datas a serem divulgadas.

domingo, 8 de janeiro de 2012

COMO É GRANDE O MEU AMOR POR VOCÊ



Antonino Oliveira Júnior.


Às vezes nem sei o que sinto,
Se é ciúme ou raiva;
Tu , que me tens de tanto tempo
Te entregas a aventuras,
A coisas passageiras
E sinto raiva
Quando te vejo amorosamente caída
Em braços sem ternura;
Quando te entregas
A quem te usa e depois te descarta.
O ciúme fere-me a alma
E uma lágrima morna rola em meu rosto
E eu sofro
Como quem vê distante um grande amor;
E relembro todos os nossos momentos
Na quietude de tempos outros
Das juras de amor eterno, da cumplicidade;

Não gosto de ver-te assim, como estás...

Sinto raiva de quem te machuca
E, ainda que, morto de ciúmes,
Queria colocar-te todinha em meu colo
E falar baixinho ao teu ouvido:

“Ah, minha cidade,
Como é grande o meu amor por você!”