quinta-feira, 28 de março de 2013

CHARME E ATENDIMENTO PERFEITO

O Cabo de Santo  Agostinho e demais cidades da região podem se orgulhar de ter um Restaurante de primeira linha. O Restaurante NATRIELLI, localizado no Shopping Costa Dourada, Cabo de Santo Agostinho, tem instalações requintadas, um cardápio variado e de qualidade indiscutível, além da excelência em atendimento.

Além do excelente almoço, servido no modelo Self Service e a La Carte, o Natrielli tem o melhor Rodízio de Pizza da região, todos os dias, a partir das 17 horas. Comer bem, num ambiente da melhor qualidade, tem nome: RESTAURANTE NATRIELLI.

quarta-feira, 27 de março de 2013

RENASCER



Por DOUGLAS MENEZES*

É bom lembrar: Páscoa é renascer. Buscar na vida uma manhã onde o sol não se ponha nunca. No amanhecer os pássaros cantam todos os dias, mas o canto parece inédito, não repetido, sempre novo.Nos versos do poeta nordestino, a manutenção da chama que é a vida, essa celebração que faz o milagre acontecer quando menos esperamos, aliviando o fardo da existência sofrida e desesperançada. Nascer de novo é nascer duas vezes ou mais. Disse o poeta: ”O entardecer é bonito; mas belo mesmo é o amanhecer, pois coisas novas podem acontecer.”
Esse é o momento. Não o do paraíso consumista, da obrigação do peixe e do ovo de páscoa. Nem das solenidades coletivas dos templos repletos, muitas vezes mecânicas, superficiais até, rotineiras, para marcar uma data apenas. Mas o momento individual, reflexivo, onde você estará somente com você. Ao mesmo tempo sozinho e pensando nos outros. A busca da luz em meio às trevas. A cura da embriaguez do vinho amargo do orgulho, da soberba, da opressão, do egoísmo que embota os sentimentos bons. Renasçamos para, mesmo com os defeitos que levaremos até à morte, sejamos um pouco melhores.
Na visão pós-moderna, a Páscoa tornou-se um grande feriado turístico, onde a Paixão transformou-se em algo rentável, fonte de riqueza para empresários e divertimento para pessoas em busca de lazer.
Então, o espírito do nascer de novo deveria ser retomado, no sentido de entendermos bem o sacrifício DELE.
É preciso um renascimento da consciência, alcançando todos os ângulos da vida, notadamente aquele que trata das injustiças, das condições existenciais degradantes de grande parte da humanidade: os desprovidos de tudo. As eternas vítimas de uma ordem desumana e hipócrita.
Comamos o peixe e o chocolate, bebamos do vinho, sem, no entanto, esquecermos daqueles que nada disso possuem.
*DOUGLAS MENEZES é professor, poeta e escritor – Cabo de Santo Agostinho – PE

PÁSCOA: O RENASCER



Antonino Oliveira Júnior

Infelizmente, as comemorações cristãs tomam um rumo mercantilista, como produto do marketing comercial, que se aproveita para vender produtos supérfluos e que nada têm a ver com os momentos que se comemora.
Assim acontece com o Natal, quando o nascimento de Jesus tem, a cada ano, menos importância que o papai noel. Dessa forma, o apelo comercial dos presentes e das ceias natalinas, exploram e, na maioria dos casos, deixa a maioria da população endividada, esquecendo de viver a importância do nascer do Cristo. Viramos escravos da Mídia e nos embelezamos e procuramos nos fartar de coisas materiais que em nada lembram o Homem simples que nascia naquela data.
Não menos alienante tem sido a Páscoa, com o apelo comercial e a massificação da Mídia desviam as pessoas do verdadeiro olhar que deveria jogar sobre este momento. Na maioria dos casos, os ovos de chocolate, as guloseimas do almoço, as garrafas de vinho, desviam o olhar da população para o relevante fato da Ressurreição do Cristo. Este, sim, é o verdadeiro sentido da Páscoa, quando Jesus   mo0rreu crucificado e renasceu com a Páscoa.
Quantos entendem que ali Jesus estava falando para o mundo que o amor supera a violência? O simbolismo do renascer de Jesus está, justamente, na mensagem que Ele nos deixava da vitória do amor sobre a violência, sobre o ódio e sobre as injustiças.
Comemoramos muito pouco o Seu nascimento. Até choramos um pouco a Sua morte na cruz, porém, esquecemos da grande comemoração que deveria ser feita pelos cristãos: A PÁSCOA, A RESSURREIÇÃO DO CRISTO, O RENASCER DO AMOR, A VITÓRIA DA VIDA SOBRE A MORTE.

sábado, 16 de março de 2013

DANÇAS POPULARES

A partir de terça-feira, a atriz e dançarina Viviane Souto Maior promove o Trocadilho: I  Encontro Prático e Teórico de Pesquisa em Danças Populares. O evento, com entrada grátis, conta com a participação de artistas-pesquisadores, como Helder Vasconcelos, Maria Acserald, Roberta Ramos, Tainá Barreto Valéria Vicente e Lineu Gabriel.

No dia 20, quarta-feira, haverá a Aula-Espetáculo  "Fervo Frevo". com Viviane Souto Maior.

O evento acontece no centro Cultural Correios, no Recife Antigo.

TUA FORÇA



Antonino Oliveira Júnior


Apenas achei que dominaria
e quis mandar e ditar
o caminho da luz,
a direção do olhar.
A tua cor escrava,
teu olhar tão menino,
teu sorriso de onze anos
derramou-se no mar
e mostrou a mulher escondida
que veio de longe
com a força dos pés,
pelo grito de guerra
Zumbi ! Ganga Zumba !
dominou, venceu,
prendeu-me o olhar,
perdeu-me a razão,
arrastou-me na relva,
derrotou-me no amar.

ESSA CRÔNICA VONTADE DE DIZER


                                            
                        
                                                        DOUGLAS MENEZES*

 Desejo de dizer sempre. Busca de luz pela palavra que teima em ser difícil. Quero cantar uma coisa que não sai porque a vida não deixa. Procura de um otimismo cá dentro existente, mas conflituoso, pois a existência é antítese: ilusão não entender isto. Bem ou mal convivem e não temos o direito de negar pra ninguém. Ir e voltar. Ofender pedindo perdão logo adiante.  “Existirmos a que será que se destina?”. Poeta fala coisa que queremos dizer e não sabemos como, ele sabe mais que os racionais, os pragmáticos de plantão.
  Não à toa que alguém falou ser a Literatura mais coerente que a vida. Coerência própria, interna: a Arte não nega nem a fantasia, o sonho, o mágico; nem a realidade mais concreta desse mundo. Não insana a loucura. Insanidade maior essa briga por espaços, por dinheiro, desenfreada. Poder pelo poder. Sujeira disfarçada. Gentilezas artificiais dessas figuras pegajosas, de cumprimentos leves, macios, falsos por demais. Corra desse: fala mansa, sempre resolvendo tudo, artificial humildade, oportunista em tudo, no entanto: Terra cheio dessa gente que faz da hipocrisia a marca da existência.
   Marinita, não. Diz o que quer entre uma merenda e outra e sempre expressando verdade. Verdade dos humildes sem mãos macias, calejadas de honestidade. “Sou um atleta sexual, Marinita”. A merendeira não perde o ritmo: “Só gosto de mentira quando eu conto”. Não me ofende, Marinita. Pois ali, pureza; pois ali, sinceridade; ali, amizade que os títulos, os cursos e os livros, aos montes, não trazem. Não de graça que loucos bons, feito Manuel Bandeira e o Buarque Francisco gostavam e gostam tanto desse povo simples. Gente que faz a história da vida.
   Ah, essa crônica vontade de dizer. Letras no lugar do som da voz. Tão tímida que não emite quase ruído. Esse cuidado covarde no falar da boca. Essa coragem de dedos e mente, porque expressar é preciso. Cabeça pior se não engendrar frases e períodos, mesmo que poucos leiam e aumente a ilusão de que isto serve para alguma coisa.
   Madrugada tão alta. O calor da existência aparece devagar, como os gestos calmos de Débora, lembrando dia que chega. Os dedos não têm sono, mas querem terminar esse pedaço apenas. Pois sei, vida afora, até a morte, não vai cessar nunca, haja o que o houver , essa vontade crônica de dizer.

*Douglas Menezes é da Academia  Cabense de Letras
  










         

quarta-feira, 13 de março de 2013

MUIÉ SIM SINHÔ




Pr. Adriel Henrique
As histórias, as experiências e os ensinamentos que as mulheres vêm passando ao longo dos séculos vêm sendo registradas na literatura, na pintura e na música. A literatura bíblica é um capítulo a parte, pois neste tipo de literatura temos relatos emocionantes de mulheres ousadas, determinadas e capacitadas. Porém gostaria de começar refletindo através da música, pois, como canta Benito Di Paula: “Agora chegou a vez, vou cantar. Mulher brasileira em primeiro lugar. Norte a sul do meu Brasil caminha sambando, quem não viu mulher de verdade, sim senhor. Mulher brasileira é feita de amor”. A fórmula do amor nós faz ver porque as mulheres superam e suportam tantas coisas. A mulher cabense está entre as mulheres de verdade, ela é muié sim sinhô.
            Na Música Popular Brasileira temos canções que relatam o cotidiano das mulheres, denunciando a injustiça, a violência, a desigualdade que elas sofrem. Temos ouvido através das melodias a exposição da maneira deprimente como são tratadas, passando pela maneira como são protegidas ou simplesmente enaltecidas. No cancioneiro popular brasileiro cantamos: “Olé, mulé rendeira, olé mulé rendá”; “Mas felizmente, Deus agora se alembrou, de mandar chuva, pra este sertão sofredor, sertão das mulé séria”. Sim, elas são sérias e trabalhadoras. Na obra Os sertões de Euclides da Cunha, ele diz que: "O nordestino é, antes de tudo, um forte". Já a canção diz: “Paraíba masculina muié macho, sim sinhô”. A mulher nordestina, esta sim, tem sido a representação da verdadeira força. Pois o homem vem fugindo diante da seca devastadora, como denuncia a canção. Já a mulher, esta sim, é forte, pois continua cuidando da terra, dos filhos, de si mesma e das outras mulheres. Ela leva a vida adiante.
Elza Soares retratou (e retrata) a dureza da vida das mulheres, principalmente as nordestinas quando canta: “Lata d'água na cabeça, lá vai Maria, lá vai Maria. Sobe o morro e não se cansa. Pela mão leva a criança, lá vai Maria. Maria lava a roupa lá no alto, lutando pelo pão de cada dia. Sonhando com a vida. Do asfalto que acaba que morro principia”. Além de cantar ela ora assim: “O pão nosso de cada dia dá-nos hoje”. Infelizmente ainda hoje os homens continuam sendo egoístas e ingratos com aquelas que têm sido o seu sustento e suporte. Eles ainda cantam: “Bota a água pra ferver, pego muito cedo, meu trabalho é pra valer. Hoje a minha vida é um osso duro de roer. Vivo só pensando, só pensando em te esquecer. Vivo me jurando que não quero mais te ver. Vivo só sonhando numa vida sem você”. Ora o trabalho doméstico é pra valer, sim sinhô. Pois é, depois de tudo o que as mulheres fazem por estes, eles as desprezam. Como diria minha amiga Helivete: “Estes homens são uns éguas mesmo”.
            A mulher também está representada na canção “Cotidiano” de Chico Buarque. Confira: “Todo dia ela faz tudo sempre igual. Me sorri um sorriso pontual e me beija com a boca de hortelã. Todo dia ela diz que é pr'eu me cuidar e essas coisas que diz toda mulher. Diz que está me esperando pr'o jantar e me beija com a boca de café. Seis da tarde como era de se esperar ela pega e me espera no portão diz que está muito louca prá beijar e me beija com a boca de paixão. Toda noite ela diz pr'eu não me afastar. Meia-noite ela jura eterno amor e me aperta pr’eu quase sufocar e me morde com a boca de pavor”. Se assim ela faz, é porque ama profundamente. Esta mulher é um sonho, ela é a mulher que o homem deveria querer.
Capiba sempre ouvia dizer que:“Numa mulher, não se bate nem com uma flor. Loira ou morena, não importa a cor, não se bate nem com uma flor. Já se acabou o tempo que a mulher só dizia então: - Chô galinha, cala a boca menino. - Ai, ai, não me dê mais não”. Infelizmente elas ainda dizem: “Ai, ai, não me dê mais não”. Se não dizem é porque que estão mortas. Ou porque ainda existem homens que ouvem o que Capiba ouvia.
            Em briga de marido (homem) e mulher (esposa) ninguém mete a colher? Eu digo que devemos sim, nos meter na esperança de que ela não cante mais: “Ai, ai, não me dê mais não”. Ou podemos fazer como um grupo de mulheres, moradoras de um dos morros da cidade do Recife, que quando na vizinhança tem alguma mulher apanhando do marido, elas simplesmente pegam seus apitos e se reúnem em frente à casa em que está ocorrendo a violência e ficam apitando até que ele pare. Desta forma elas denunciam e não se calam. E disse Deus: “Não é bom que o homem esteja só; farei para ele alguém que lhe auxilie e lhe corresponda”. Precisamos resgatar este propósito. Ou então oremos para Deus mande para as que vêm sendo violadas um homem que lhe auxilie e lhe corresponda como Deus quer. Amém?

segunda-feira, 11 de março de 2013

UM CONTO SOBRE LOUCURA E SOLIDARIEDADE


                                     

                                               DOUGLAS MENEZES*

   O universo literário de Guimarães Rosa é marcado pela singularidade e, ao mesmo tempo, por uma postura de um tradicional contador de histórias. Nele, o revolucionário convive com o passadismo, com o provincianismo dos sertões das Minas Gerais. E isto se dá claramente no conto “Soroco, Sua Mãe, Sua Filha”.
    A estrutura narrativa é conservadora, numa história com começo, meio e fim,  além da característica típica de um conto: um único conflito próximo do desfecho. O narrador, heterodiegético, onisciente conduz a história de modo linear, na medida em que há uma sequência cronológica, levada até o final da história.
   Mas, a partir daí, começamos a observar os elementos inovadores e próprios das construções literárias de Guimarães Rosa. A temática se apresenta comum: a loucura como “gancho” no fazer artístico. O assunto, a ida das duas mulheres, mãe e filha de Soroco, ao hospício, não expressa  novidade, nem a presença da personagem sobre a qual gira todo o conto que, diga-se de passagem não consideramos redonda e sim, menos plana que as outras. Na verdade, o elemento humano emoldura o  conteúdo do texto. O que se quer chamar a atenção em termos de algo diferente em Soroco, Sua Mãe, Sua Filha são os aspectos ligados à linguagem: presença forte de neologismos, como “humildoso, “brutalhudo”, entre outros; o regionalismo evidente: “ O povo caçava um jeito”, “Para o pobre, os lugares são mais longe”.
     É interessante notar algumas construções frasais na ordem indireta, o que confere um tom poético: “ Em mentira, parecia entrada em igreja”. O poético está no fato de que a imagem figurada indicando que a cena se assemelhava a um casório é logo colocada como mentira, algo só aparente.
     O núcleo dramático do conto, podemos dizer o clímax do conflito, não está na expectativa da ida das duas mulheres ao sanatório em Barbacena, isto é uma preparação para o verdadeiro ápice conflitante do texto. O surpreso, o criativo em termos de conteúdo está no enlouquecimento de Soroco. A ausência da mãe e da filha, os únicos entes da personagem principal, nos leva a duas interpretações: uma, determinista, naturalista, a predisposição congênita a certas doenças, a loucura, por exemplo; a outra, de cunho humanístico: as ausências, mesmo de quem nos aperreia, doem mais. A solidão pode levar à loucura também. Mãe e filha distantes tornam a vida insuportável.
     Outro fato que nos chamou a  atenção, diz respeito ao final do conto, quando observamos dois elementos interessantes: a solidariedade da população para com Soroco, desde o início, mas sacramentada quando da sua loucura, ao acompanhá-lo na cantiga e em romaria; outra leitura que fazemos do desfecho da história se refere `loucura coletiva,  a predisposição de todos, no sentido de serem iguais aos três, que enlouqueceram.
    Notamos, também, que o ritmo lento da narrativa lembra um velório, um acompanhamento fúnebre, um réquiem, uma música triste em tom menor. Uma visão apocalíptica, melancólica, mostrando que não só os versos se ligam à música: a sonoridade pode estar em qualquer texto literário.
     Por fim, a evidente universalidade do conto. Do particular se discute encontrável em qualquer lugar do planeta, pois a vida pulsa, seja numa aldeia do interior nordestino ou numa megalópolis. Os problemas existenciais do homem não possuem residência fixa.

*Douglas Menezes é da Academia Cabense de Letras.


domingo, 3 de março de 2013

UM CANTO EM SURDINA

Gabriel Dourado


Cidade de minha infância,
dos meus sonhos de rapaz,
dos meus primeiros amores
- dize-me agora,
aonde vais?

Cidade quase sem ruas,
apertadinhas demais,
cidade das boemias,
dos verdes canavoais,
(como aquelas nunca mais...!)

Terra do meu romantismo,
dos engenhos patriarcais,
do São João de seu Zumba,
das loas de Inácio Pais,
das glosas de Mergulhão,
Chico taboca e Caju,
de seu Vigário sem croa
dos coqueiros de Gaibu.

Cidade das serenatas,
das cantigas ao luar,
cidade de tanta história
sem nenhuma prá contar...

Cidade da minha infância
dos verdes canaviais
- Minha cidade querida,
dize-me agora,
aonde vais?

NO CABO DE SANTO AGOSTINHO

José _Plech Fernandes


Lançando o olhar do espírito eo levante
-remora Pátria mística da Lenda-
vejo singrar a Igara-açu farfante,
que, do Brasil, abriu a ignota senda.

Vejo a maruja, o intrépido Almirante
e a  Cruz de Cristo, em sangue, por legenda,
na Bandeira das guinas tremulante,
como a  sangrar a exótica oferenda.

Vejo no embate, ânimo esforçado,
o vigor de quem soube fecundar
a inacessível glória do passado...

E na cena fugaz do meu cismar
eu me suponho um bugre aparvalhado
ante a estranha visão que rasga o mar.

AO CABO DE SANTO AGOSTINHO

Israel Felipe*


Santa Maria da Consolação
foste para o espanhol sem esperança.
Depois Santo Agostinho a salvação
do luso que nos trouxe a segurança.

do Nordeste brasileiro
és o primeiro do Atlântico
que o marujo timoneiro
fêz-te evocar belo cântico.

Mais tarde veio o belga usurpador
muito arrogante e muito sanguinário,
um movimento assaz libertador
achou no povo revolucionário.

Sempre olhando pro levante
permaneces mudamente
haja tempestade uivante,
ou do mar calma somente.

De muitos destemidos marinheiros
as batalhas tem visto memoráveis
nas quais heróicos luso-brasileiros
venceram sempre gringos miseráveis.

Guarda fiel desta nação
de justiça e liberdade,
conquistadas com ação,
com ânimo e brasilidade.

*Israel Felipe é o autor do livro História do Cabo

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

AS VITRINES: FORMA E CONTEÚDO, COESÃO E COERÊNCIA.


                                      DOUGLAS MENEZES
                                      AS VITRINES – CHICO BUARQUE
Eu te vejo  sair por aí / Te avisei que a cidade era um vão / Dá tua mão / -Olha pra mim / - Não faz assim / - Não vai lá não / Os letreiros a te colorir /  Embaraçam a minha visão / Eu te vi suspirar de aflição / E sair da sessão frouxa de rir. / Já te vejo brincando gostando de ser / Tua sombra a se multiplicar/ Nos teus olhos também posso ver / As vitrines te vendo passar /  Na galeria / Cada clarão / É como um dia depois de outro dia/ Abrindo um salão / Passas em exposição / Passas sem ver teu vigia / Catando a poesia / Que entornas no chão.
               #############################################

  O texto “As Vitrines”, letra e música de Chico Buarque, pode ser  inserido, dentro da música brasileira, como uma canção popular e, ao mesmo tempo, um poema concreto, além de um romântico exercício de voyeurismo, estranhamente concebido, também, como um jogo, uma prática lúdica, tornando-o uma das produções mais criativas de Chico.
   Toda “As Vitrines” nos leva a um mundo de espelhos de reflexos mágicos, uma viagem a princípio confusa, um labirinto de vidros e figuras geométricas, que depois de penetradas, desvendadas em todas as suas nuances, vislumbra-se um texto coeso e coerente, dentro da proposta do autor, brincante das palavras, de esgotar as possibilidades semânticas dos vocábulos, dando volume aos significantes e significados do texto. Uma inesgotável capacidade criativa refletida na formação de outro poema dentro da poesia mãe.
    A atitude patológica do eu lírico, obsessão, perseguição desesperada a um ente amado , torna-se uma viagem a um mundo subjetivo de sonho. E o que se prenunciaria como um conto de mistério, terror e suspense, filme policial é, na essência, uma declaração de amor. Um amante tímido, sem coragem de declarar-se, escolhendo a perseguição oculta como forma de expressão maior e, ao contrário dos criminosos esquizofrênicos das narrativas policiais, o nosso voyeur acaba causando-nos simpatia, nos poucos mais de três minutos da música.
    No entanto, é também objetivo deste trabalho, analisar os elementos que levam  à `textualidade da canção.
    Antes, porém, é preciso justificar o porquê de chamarmos de poema concreto a música do compositor carioca. Na verdade, só podemos confirmar isto se dispormos o texto, a letra da música de forma normal,  de cabeça para baixo e de trá para frente. Aí, tem-se a ideia de ver-se múltiplas imagens refletidas nas vitrines, formando um retângulo que nos remete a uma loja, de uma vitrine ou de uma cadeia de estabelecimentos de vidro. E a ocupação desta maneira no papel caracteriza o poema-concreto. Domina, aí, a noção predominante do significante: som da música e imagem evocadora do ambiente em que circula o alvo da observação.
   Salta, então, aos olhos, ao analisarmos atentamente a letra da música, uma unidade de sentido enorme. Uma coerência de significados mantidas do início ao fim. Ao descobrirmos o voyeur, suas intenções, descortinamos, ao mesmo tempo, a linha sequencial da significação, e por ser um texto literário, essa coerência se dá a nível de linguagem figurada e na ampliação da capacidade semântica dos vocábulos. Seria bom lembrarmos que a coerência implica conhecimento prévio por parte do leitor receptor a respeito de como se configura um escrito de característica literária. Sem esse conhecimento, impossível buscar ou encontrar coerência em um texto. Assim, passeemos pela linguagem conotativa, cuja presença nos traz a primeira grande diferença entre o não literário e a escritura artística.
     A primeira metáfora surgida nos sugere o domínio que o objeto amado possui da cidade: “Te avisei que a cidade era um vão da tua mão”. Depois, um hipotético diálogo, que só existe na confusa mente do voyeur: “Da tua mão, / Olha pra mim / Não faz assim / Não vai lá não”. Entretanto, ela continua, indiferente, o seu percurso pela cidade. Resta ao eu lírico, acompanhá-la. Aparece, a partir daí, outra figura, a Personificação: “Os letreiros a te colorir / Embaraçam a minha visão”. Neste verso, a clara intenção do poeta em tornar opaco, sem nitidez, todo o drama do personagem perseguidor. Imagem belíssima aparece logo abaixo, onde os olhos do objeto amado ao invés de virem as vitrines, ocorre justamente o contrário:“Nos teus  olhos também posso ver/ as vitrines te vendo passar”. Prosopopeia bonita, além de imagem criativa, ampliando e aprofundando a conotação e a capacidade semântica das palavras. Na sequência, surge uma Comparação, enriquecida caso fosse transformada numa Metáfora: “Cada clarão é como um dia. No entanto, isto não compromete a  literariedade  do texto como um todo.
     O trato especial dado à linguagem nos remete à constatação de que todo o processo conotativo serve, sobremaneira, ao aspecto da coerência. Imagens e figuras juntam-se para confluírem a um mesmo objetivo: dar sentido ao conteúdo do texto. E com certeza, esse alvo é atingido, à medida em que o “voyeurismo romântico” aparece como temática básica da canção, além do sentido de poesia concreta aqui já citada, tendo neste ponto, uma outra possível interpretação dessa “concretude”. A configuração gráfica da letra no papel pode nos dar ideia de que a própria poesia se desmantela, num desespero do “vigia”: Passas em exposição / Passas sem ver teu vigia / Catando a poesia / Que entornas no chão”.
     E para ilustrar a marcante coerência do texto e afirmando a escolha do título, ao colocarmos o poema frente a um espelho,  encontramos uma nova poesia, a imagem refletida torna-se um outra realidade. A escrita virtual, fruto da genialidade de Chico,  expressa-se assim: “Ler os letreiros aí troco / Embaçam a visão marinha / Vi tuas fúrias e predileção/  Errar, sisuda, sã, fora dos eixos / Doce vento, grandes beijos do jantar / Um militar saber tuas poucas / bem postos meus veros antolhos /  Patinavas, sorvetes, diners /  na alegria o cara do clã/ Um doutor doido me cedia poesia / Um absalão rindo / Pião, sexo, asa, espaço / és supita virgem avessa / A asteca do piano / Quão sonha no Center”.
       Observe que o outro texto surgido do reflexo do espelho, representa a caoticidade,  a angústia do voyeur ou vigia. É o mundo desintegrado, tal qual o de Luís da silva, de Graciliano Ramos. Esse surrealismo de fato torna-se plausível com o doentio mundo mental do eu lírico. Um subconsciente incoerentemente coerente (rima proposital).
        A partir daí, analisemos outros aspectos que contribuem para a textualidade do poema.
        Um deles é a intencionalidade. Um item que tem muito a ver com o diálogo entre emissor e receptor, pois embora saibamos que a intencionalidade é prerrogativa do produtor do texto, no caso, o leitor ouvinte vai reconhecer esse elemento. No instante em que interpretamos “As Vitrines”, como exercício obsessivo de um voyeur perseguindo sua amada através da cidade e fazendo brincadeiras em um labirinto de espelhos, vislumbramos, também, a intenção de Chico, em expor no conteúdo essa mesma visão. O jogo lúdico é a visão quase infantil do eu lírico com relação ao objeto amado, fazendo essa intencionalidade parte do todo coerente da música. A descoberta da intencionalidade é algo complexo pois não se trata de um depoimento explícito do autor,  mas uma intuição de quem analisa e, sobretudo, um aprofundamento, um mergulho nas entranhas do texto.
      Da mesma forma aparece a Aceitabilidade, numa relação estreita com a “intenção”. E aí, no caso da obra em foco, essa é função é exercida plenamente por haver um certo grau de conhecimento literário por parte do receptor. Mas, além de se ter um domínio teórico de Literatura,  torna-se importante  conhecermos algo sobre psicologia e, retornando ao literário, elementos da narrativa e, lógico, de Linguagem Figurada.
      Outro fator de textualidade encontrado na canção diz respeito à Situacionalidade. O ambiente da música combina bem com seu conteúdo. Uma cidade grande, uma rua comercial ou galeria que dão suporte e condições para situarmos o tema. Esse fator nos afigura particularmente importante, já que não bastariam os aspectos psicológicos do “vigia”, suas ações, seu romantismo e a indiferença do objeto alvo, se não soubéssemos onde se dão os acontecimentos expressos. Não haveria compreensão temática sem o ambiente,  a Situacionalidade.
         O fetichismo ou sua parte patológica acompanha a história da humanidade. As perversões de qualquer ordem, por outro lado, sempre foram conteúdos da Literatura,  através dos tempos, estão aí, os romances naturalistas que não nos deixam mentir. As obsessões de todas as formas caminham com o ser humano. E Chico, em “As Vitrines”, na temática, não foi original. Isto confirma a teoria da Intertextualidade. Não há escrito adâmicos, totalmente original. O que existe é um grau maior ou menor de distanciamento. A obra de Chico, no texto em foco, lembra alguma coisa de Nelson Rodrigues, a ênfase à perversão, ao comportamento patológico. E mais ainda, retoma o fetiche encontrado em “A Pata da Gazela”, de José de Alencar, onde o personagem principal possui doentia obsessão por um pé feminino, e pratica seu voyeurismo em todo os recantos da cidade. Isto, entretanto, não invalida a obra musical  buarqueana, já que esse princípio, o da intertextualidade, faz parte dos fatores da textualidade. Aliás, podemos mesmo dizer que o poeta com “As Vitrines” exercita a Intertextualidade interna, ou seja, a Intratextualidade, pois na música “Até Pensei”, do início de sua carreira, há um claro fetichismo: um adultério não consumado, pela existência apenas na imaginação do eu lírico, observador atraído amorosamente por uma vizinha: “ Junto a mim morava a minha amada / De olhos claros como o dia / Lá o meu olhar vivia de sonhos e fantasia / E a dona dos olhos nem via / Do lado de lá tanta ventura / E eu aqui na noite escura a dedilhar essa modinha / A felicidade morava tão vizinha / Que de tolo até pensei que fosse minha”.
     Passemos, então, para os fatores de coesão, cuja presença, contribui para a compreensão e estabelecimento da coerência.
     De fato, alguns acham ser a Coesão dispensável na busca da textualidade, isto considerando esse fator como elemento a nível sintático e de ligação. Sabemos, no entanto,  que mesmo aparecendo de modo implícito, ela estabelece um elo para que o texto torne-se coerente, tenha sentido e esclareça para o leitor ou  ouvinte tudo o que na verdade o  autor quer dizer.
     Iniciemos pelo ritmo empreendido no poema. E já podemos dizer da afinidade entre a coesão e coerência textuais. Quem conhece a música As Vitrines sente que o andamento lembra algo como uma espreita, um constante vaguear lento por algum espaço. Um tom de suspense leve. Recordemos a Intertextualidade numa sequência de ritmo monolítico, com algumas variações de intensidade, depois voltando à monotonia inicial., indicando melancolia e um tom romântico.
     Observemos, agora, a recorrência ao pronome TE, indicando a necessidade do voyeur em mostrar-se íntimo da pessoa observada. Essa recorrência ocorre mais de meia dúzia de vezes, indicando obsessão, bem ao feitio do conteúdo do texto.
    É apropriado, olharmos também,no tocante à Coesão, o uso do discurso direto, num hipotético diálogo que não existe. O EU imaginando-se numa conversa com o ente amado,  fruto de sua desintegração mental.
   No aspecto da Coesão sequencial,  quanto às pro- formas verbais, analisamos a presença de três situações: a primeira, verbos no presente do indicativo, mostrando o flagrante, o instantâneo, a ação do momento. Depois, verbos no passado, como a indicar idas e vindas, na confusão mental. E por fim, a forma nominal gerúndio, focalizando os atos sendo feitos, numa expressão de movimento. As mudanças verbais não prejudicam o fator sequencial, pois estas servem a toda a coerência do texto.
   Enfim, Chico produz, ao longo de décadas, uma obra extremamente criativa e coerente, onde não se esgotam as análises, sempre havendo algo mais a dizer.Basta ver esta canção em análise,  aparentemente  despretensiosa,   tema de uma novela de Tv, mas que carrega um sem número de fundamentos artísticos, tanto na forma como no conteúdo. Chico parece ser daquela estirpe de artistas cuja a obra não morrerá nunca, ultrapassa o tempo, desce, sem parar, como cachoeira rio abaixo  ao encontro de um oceano criativo que parece não enxergar um final.

  DOUGLAS MENEZES , FORMADO EM LETRAS  E EM COMUNICAÇÃO SOCIAL PELA UFPE. É ESPECIALISTA EM LITERATURA BRASILEIRA E EM LEITURA, COMPREENSÃO E PRODUÇÃO TEXTUAL. É PROFESSOR DA REDE PÚBLICA DO ESTADO DE PERNAMBUCO E DA REDE  PARTICULAR. MEMBRO DA ACADEMIA CABENSE DE LETRAS.
DOUGLAS MENEZES. EMAIL: douglasmenezesnet@gmail.com
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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

AFETIVIDADE E PRAZER NO LIVRO DE NEILZA BUARQUE

DESEJOS & DEVANEIOS é o título do primeiro livro da poetisa Neilza Buarque, a ser lançado dia 22 de março, na Livraria Cultura, no Paço Alfândega, no Recife Antigo, com direito a recitação e confraternização. O livro de Neilza Buarque é um lançamento da Editora Protexto.

No Prefácio, a Psicóloga Maria Aurélia de Sá, diz: "a autora expressa com convicção a necessidade latente de poetizar seus sentimentos e ainda permite ao leitor admirar uma viagem sutil ao universo dos jogos e fantasias, inúmeras vezes representadas no livro pela expressão do prazer e alegria do toque corporal e imaginário".

SAUDADE DA TUA AUSÊNCIA

Antonino Oliveira Júnior




A luta renhida para conquistar-te
Norteou minha vida
E fez de mim um incansável
E irremediável sonhador;
Troféu de meu coração,
Vejo-te deitada ao meu lado,
Em corpo...

O tempo que trouxe a ti para mim
É o mesmo que te mostra distante,
Ainda que tão perto, tão junto assim...
Juntos e tão equidistantes
Vejo-te adormecida ao meu lado,
Como um corpo apenas
Sem vida, sem cheiro, sem vida...
Senti vontade de te buscar outra vez,
Senti saudade da tua ausência.


OFICINAS GRÁTIS

A partir da próxima segunda-feira (dia 25 de fevereiro) estarão abertas as inscrições para as duas oficinas gratuitas programadas para o “Trocadilho: I Encontro Prático e Teórico de Pesquisa em Danças Populares”, que acontecerá de 19 a 23 de março, no Centro Cultural Correios e sede do Coletivo Lugar Comum, ambos no Bairro do Recife. Com incentivo do Funcultura e proposto pela atriz-dançarina e pesquisadora Viviane Souto Maior, o evento propõe o intercâmbio entre artistas-pesquisadores das áreas de Dança, Teatro e Culturas Populares que têm nas danças tradicionais de Pernambuco a base do seu trabalho pessoal, técnico e cênico, assim como a divulgação de suas pesquisas para a classe artística pernambucana.

 
Duas oficinas gratuitas serão oferecidas concomitantemente:

Teatro e Dança: Uma Brincadeira, com Viviane Souto Maior
De 19 a 23 de março, das 9 às 12h, na sede do Coletivo Lugar Comum (Rua Madre de Deus, 170, sala 202, Bairro do Recife). A oficina dialoga com diferentes linguagens: teatro, dança e cultura popular, apresentando os diversos desdobramentos possíveis da dança do frevo e do cavalo-marinho e o seu aproveitamento técnico, cênico e educativo como potencial para o trabalho nas artes cênicas.

Viviane Souto Maior faz parte de uma nova geração de artistas atuantes no mercado de dança e do teatro, com um olhar voltado para as manifestações populares e suas contribuições na formação dos estudantes e profissionais das artes cênicas. A atriz é formada pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e tem grande experiência na Antropologia Teatral, tendo participado de atividades culturais do cenário teatral internacional, como Dinamarca e Equador. Mudou-se para Pernambuco em 2007 para conhecer e vivenciar as manifestações populares da região, a fim de aplicar este conhecimento ao seu trabalho de atriz. Desta pesquisa surgem dois resultados: a aula espetáculo “Fervo, Frevo” e a performance “Carnavale”, já apresentadas na Bahia, Pernambuco e Paraíba.

Cavalo Marinho e o Corpo na Cena, com Lineu Gabriel
De 19 a 23 de março, das 9 às 12h, no Centro Cultural Correios (Av. Marquês de Olinda, 262, Bairro do Recife. Tel: 3224 5739 e 3424 1935). A oficina oferece exercícios e dinâmicas elaboradas a partir da corporalidade presente na brincadeira de cavalo marinho, com o objetivo de estimular a criatividade do ator-dançarino, assim como sua capacidade de passear por diferentes gramáticas corporais. Estimulando o corpo e a construção de uma qualidade de presença para a cena, os elementos da tradição aparecem como detonadores de estados corporais que enriquecem a composição de teatro e/ou dança.

Lineu Gabriel (paulistano radicado em Olinda) é Mestre em Artes pela Unicamp, graduado em Antropologia pela mesma universidade, e docente do curso Práticas e Pensamentos do Corpo, da Faculdade Angel Vianna no Recife. Ator-dançarino do Grupo Peleja, pesquisa manifestações da Zona da Mata Norte pernambucana, em especial o Cavalo Marinho e o Maracatu Rural, desde o ano de 2003. No mais recente festival Janeiro de Grandes Espetáculos, Lineu Gabriel conquistou o título de Melhor Bailarino, pelo espetáculo “Tu Sois de Onde?”, empatado com o bailarino contemporâneo Ivaldo Mendonça.

Para inscrição nas oficinas, basta mandar e-mail com breve currículo para: trocadilhooficina@gmail.com Haverá seleção para os participantes. Todo o restante da programação (ainda a ser divulgada), que vai contar com palestras, aulas demonstrações e exibição de vídeos, tendo como convidados os artistas-pesquisadores Viviane Souto Maior, Helder Vasconcelos, Lineu Gabriel, Maria Acserald, Roberta Ramos, Tainá Barreto e Valéria Vicente, é gratuita, não sendo necessária inscrição prévia. O evento conta com incentivo fundamental do Funcultura.

Contatos: Lineu Gabriel (99259356 / 8538.7700) e Viviane Souto Maior (9600.5165).

Maiores informações com o produtor executivo do evento, Hudson Wlamir: 9699 2731 ou 88263459.