segunda-feira, 14 de março de 2011

UM CORPO QUE CAI, UMA ALMA QUE SOBE

Antonino Oliveira Júnior*

Foi uma mistura de surpresa e tristeza. A notícia me foi dada pelas dez horas da manhã, por Chibata, funcionário da Delegacia de Polícia: Padre Inocêncio, da paróquia de São José Operário, estava morto. Na mesma hora minha mente voltou a exibir sua participação, um ano atrás, na Páscoa Cristã realizada no Cabo de Santo Agostinho, que reuniu os três mais importantes segmentos do cristianismo, ou seja, católicos, evangélicos e espíritas. Calado, de jeito tímido, foi parceiro e integrante de primeiro momento do Movimento.

Talvez não tivesse a eloqüência da oratória de Padre Ramos, do Padre Josivaldo, de um Frederico Menezes e do Pastor Erivaldo Alves, mas, de maneira simples, humilde e com atitudes, apoiou e fortaleceu o Movimento que se desenhava na cidade. Sua morte representará, sem dúvida, uma lacuna, jamais uma ausência. Seu pouco tempo entre nós foi o suficiente para enxergarmos nele um homem de Deus, comprometido com o Evangelho e praticante de uma vida despojada, como Jesus nos ensina.

Sua partida prematura enche a todos de tristeza, mas, também, de certezas. Certezas que nos afirmam que vale a pena lutar por um Jesus vivo na prática de vida; certezas que nos afirmam que a grandeza interior advém de uma vida simples, quase anônima; certezas que nos revelam a força do homem de fala mansa e olhar, às vezes, distante de seu momento; certezas que nos afirmam que, neste momento de dor, há um corpo que cai e uma alma que sobe, para interceder pelos movimentos que lutam por um Jesus Cristo de todos.

*Antonino Oliveira Júnior é membro da Igreja Batista da Cohab, coordenador do Centro de Estudos e Divulgação do Evangelho e integrante do Movimento Cristão Ecumênico.

quinta-feira, 10 de março de 2011

MAIS QUE PAPANGUS, UM AUTÊNTICO CARNAVAL DE PERNAMBUCO


Fui a Bezerros no domingo, dia 6 de março, para ver, mais uma vez, o desfile dos Papangus. A exemplo do ano passado, lá encontrei mais que grupos de Papangus, mas, um foco de resistência cultural diante da ofensiva contra o carnaval de raiz, que se disfarça de Carnaval multi-cultural.

Em Bezerros tive contato com o carnaval de orquestras no chão, do Maracatu, do Caboclinhos, do samba, da Troça irreverente, de muita brincadeira saudável, como deve ser o carnaval de Pernambuco. Bezerros ainda produz um carnaval cuja estrela é o folião. E é o carnaval do frevo-de-rua rasgado pelos metais, da batucada de samba que nos arrasta, do maracatu que nos remete a uma viagem histórica. Em Bezerros vi um carnaval que desmente os inimigos do frevo, que vivem viciando a juventude em coisas de má qualidade. Vi jovens, meninas e meninos, alegres, bonitos, fantasiados ou de corpo pintado, numa participação que parecia querer gritar ao mundo: “Se nos derem este carnaval, nós vamos brincar e vamos gostar”.

Não consigo entender como se apelida de Carnaval multi-cultural um evento com Odair José, Joelma e Chimbinha, Marina Lima, etc., por mais que respeitemos a todos como artistas e reconheçamos o valor de cada um. Ao carnaval de Recife bastava, com certeza, as orquestras de Frevo, os Blocos, as troças, maracatus, afoxés, caboclinhos, nossos cantores e os de fora que gostam e cantam carnaval (Fafá de Belém, Beth Carvalho, etc.) e o resto o povo faz.

Sei que os “de plantão” vão jogar um trem de críticas ao meu pensamento, mas é assim que vejo o carnaval de Pernambuco. Multi-cultural, sim, porque agrega e congrega o frevo, o samba, o maracatu, o afoxé, o caboclinhos, etc., jamais essa mistura que descaracteriza nosso carnaval. Sem preconceitos contra a arte e os artistas, mas, a favor da preservação do carnaval de Pernambuco como bem cultural. No mais, a cidade estava belíssima, bem iluminada e os pólos lotados de foliões de todas as idades.

Voltando a Bezerros, ali encontrei, além do carnaval produzido e brincado pelo povo, uma cidade preparada para o carnaval, com ruas e casas enfeitadas, um povo receptivo, com um enorme sorriso estampado nas faces, uma cidade, enfim, no clima do carnaval, preparada para brincar.

Aqui, na querida Cabo de Santo Agostinho, terra que um dia Pinzón pisou, uma cidade escura, sem enfeites, sem folia, quase não nos deixou saber que era carnaval, com exceção, claro, das nossas pobres e bravas agremiações que, ainda que paupérrimas, conseguem romper a barreira dos descasos e tomam as ruas da cidade, coitadas, numa alegria triste, que mais causa admiração pela pobreza e desarrumação, do que pela beleza do desfile. Destaque mesmo para o abuso dos motoqueiros, para quem não existem normas e nem lei. Tudo podem e tudo fazem.

Em tempo: discordo de um amigo que falou que o carnaval do Cabo de Santo Agostinho agoniza. Morreu mesmo. Na verdade, “descansou”, vítima de uma doença que teve início há mais de vinte anos e se agravou nos últimos sete anos.


*Antonino Oliveira Júnior é da Academia Cabense de Letras, autor do Estatuto do Folião, do Frevo-de-Rua Centenário do Frevo, foi um dos diretores e desfilante da Escola de Samba D.Pedro I, ajudou a fundar e desfilou, na década de 70, na Escola de |Samba Boi Kagado, do GRECUEC) fundador do Bloco Anárquico Deixa Chiar (1983), do Bloco Infantil Pinto da Madrugada (1989), desfilou vários anos no Lira da Mocidade e que, em 1984, puxou o carnaval da cidade, de dentro das sedes sociais para a rua e instituiu a eleição direta para Rei e Rainha do carnaval. Enfim, um cara que gosta de carnaval. Só.

19 ANOS DO AUTO DA COMPADECIDA

Foto: Priscila Buhr

IMPERDÍVEL para este final de semana: aniversário de 19 anos do espetáculo AUTO DA COMPADECIDA

Texto original de Ariano Suassuna. Direção: Marco Camarotti (in memoriam). Realização: Dramart Produções. Comemorando 19 anos de trajetória pelo Brasil, esta farsa popular é uma das montagens mais aplaudidas da história do teatro pernambucano. Com referências ao universo circense, a divertida peça mostra as peripécias do espertalhão João Grilo e seu inseparável amigo Chicó, enganando muitos e brincando até com Deus e o Diabo.

NO RECIFE - Única apresentação dia 12 de março (neste sábado), às 19h30, no Teatro de Santa Isabel (Praça da República, s/n, Bairro de Santo Antônio. Tel. 3355 3322). Ingresso: R$ 20 e R$ 10 (estudantes, professores com carteira e maiores de 60 anos).

EM CARUARU - Única apresentação dia 13 de março (neste domingo), às 20h, no Teatro Rui Limeira Rosal, no Sesc Caruaru (Av. Rui Limeira Rosal, s/n, Petrópolis. Tel. 3721 3967), dentro da programação da Mostra Rui Limeira Rosal de Teatro e Dança. Ingresso: R$ 10 e R$ 5 (estudantes, professores com carteira e maiores de 60 anos).

o elenco, Socorro Rapôso, Sóstenes Vidal, Williams Sant’Anna, Maria Oliveira, Max Almeida, Leidson Ferraz, Célio Pontes, Didha Pereira, Hélio Rodrigues, Márcio Moraes, Luiz César, Cleusson Vieira, Luiz de Lima Navarro, Buarque de Aquino e a Banda Querubins de Metal.

Maiores informações: 3222 0025 / 9292 1316.

quarta-feira, 9 de março de 2011

VERSÃO ( COMO DIRIA FERREIRA GULLAR)

DOUGLAS MENEZES – 1981

Subversiva é a fome que nos agride e mata

Subversiva é a flor que não se deixou nascer.

Subversiva é a raiz que fabrica o medo.

Subversiva é a cola da criança adulta.

Subversiva é ver a moça que já foi bonita

E traz um rosto desesperançado.

Subversivas são as asas cortadas desse pássaro

Que há em todos nós.


*Douglas Menezes é da Academia Cabense de Letras

sábado, 5 de março de 2011

UMA PAUSA PARA O CARNAVAL


POR CONTA DO CARNAVAL SÓ VOLTAREMOS A POSTAR NOVAS MATÉRIAS NA QUARTA-FEIRA, DIA 09 DE MARÇO. BOM CARNAVAL PARA TODOS, SEM EXCESSOS.

sexta-feira, 4 de março de 2011

JABOATÃO ANTIGA ABRE AS PORTAS PARA O LIRISMO DE GETULIO CAVALCANTI!!



JABOATÃO CENTRO
ESTAÇÃO CULTURAL SANTO AMARO.



06/03 - DOMINGO 16:H - CONCENTRAÇÃO DE BLOCOS LÍRICOS:

BLOCOS, "O BONDE"/" FLOR DA LIRA" E "MENESTRÉIS DE PAULISTA", ORQUESTRA DE PAU E CORDA "EMOÇÕES" DO MAESTRO BARBOSA E O CANTOR E COMPOSITOR GETÚLIO CAVALVANTI

07/03 - SEGUNDA 17:H -

CABOCLINHOS:
TRIBO TUPINAMBÁ DE JABOATÃO
TRIBO CABOCLINHO TUPY DE CAVALEIRO
TRIBO CANINDÉ DE CAVALEIRO
BOI ESTRELA - SOTAVE
URSO POLO SUL - SOTAVE
URSO MANHOSO

08/03 - TERÇA 17:H -

COMEMORAÇÃO AO DIA INTERNACIONAL DA MULHER - CONCENTRAÇÃO DO BLOCO MULHER.
ORQUESTRA DE FREVO - DANDA E SUA ORQUESTRA
ESCOLA ITINERANTE DE FREVO
A BONECA LINDA DA TARDE
MAIS DEZ BONECAS GIGANTES REPRESENTANDO AS MULHERES DE JABOATÃO
ARRASTÃO DE MULHERES SAINDO DA RUA DE SANTO AMARO E PASSANDO NO CORREDOR DA FOLIA.

CULMINANDO COM SHOW DE EDILZA AYRES, NO PALCO DA PRAÇA DO ROSÁRIO.

08/03 - TERÇA 18:H - NOITE AFRO

ENCONTRO DE MARACATÚS: "BAQUE VIRADO"

NAÇÃO AURORA AFRICANA DE JABOATÃO
BAQUE VIRADO ALAFIM - PRAZERES
LIRA DO MORRO DA CONCEIÇÃO
BAQUE VIRADO RAIZES DO KILOMBO
CAMBINDA ESTRELA

MARACATÚ RURAL / "BAQUE SOLTO"

GAVIÃO DA MATA
LEÃO FORMOSO

AFOXÉS:

RAIZES DO KILOMBO
OBA NIJÉ
KAWO KABIYESILÉ
AFOXÉ ELEGBARÁ
AFOXÉ LELOKÉ

ESCOLAS DE SAMBA:

IMPERIAIS DO RITMO - RECIFE
UNIDOS DE SÃO SEBASTIÃO - CAVALEIRO
REBELDES DO SAMBA - JABOATÃO

* A RUA DE SANTO AMARO, SERÁ PALCO DAS CONCENTRAÇÕES DE TODAS ESTAS AGREMIAÇÕES QUE DESFILARÃO NO CORREDOR DA FOLIA, NA AVENIDA BARÃO DE LUCENA, EM FRANTE Á PRAÇA DO ROSÁRIO, ONDE FICARÁ O PALANQUE OFICIAL DO CARNAVAL DE JABOATÃO *


Moradores decoram casas em Jaboatão Centro

Em parceria com a Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes, moradores enfeitam suas casas para receber o carnaval 2011. Ontem, a Rua de Santo Amaro recebeu o micro-ônibus da Escola Itinerante de Frevo, passistas, orquestra e decoradores, que junto com os moradores decoraram as casas da rua. A ação é uma inovação do carnaval 2011 e visa deixar o Corredor Cultural do Centro Histórico de Jaboatão dos Guararapes ainda mais bonito.

A Escola Itinerante de Frevo circulará na cidade oferecendo aula de frevo gratuita para turistas e moradores. Comandada pelos campeoníssimos dançarinos Valdeck e Luana, jovens da Escola Municipal de Frevo, visitarão os pólos de animação e acompanharão a concentração de alguns dos mais de 300 blocos carnavalescos que percorrerão as ruas da cidade.


quinta-feira, 3 de março de 2011

UM SONHO QUE DUROU TRÊS DIAS

Irmãos Valença

“Tive um sonho que durou três dias
Foi um sonho lindo, sonho encantador
Eu dançando tu me conduzias
Ao castelo azul onde mora o amor

Tu cantavas assim
Bem pertinho de mim
Essa linda canção
Comigo a dançar
No rico salão

Este sonho real
Foi o meu carnaval
A mais grata emoção
Que já se passou
Em meu coração”

POR QUEM SONHA ANA MARIA?

Juca Chaves

Na alameda da Poesia
Chora rimas o luar
Madrugada e Ana Maria
Sonha sonhos cor do mar
Por quem sonha Ana Maria,
Nesta noite de luar?...

Já se escuta a nostalgia
De uma lira a soluçar
Dorme e sonha Ana Maria
No seu leito de luar
Por quem sonha Ana Maria,
Quem lhe está triste a cantar?

No salão da noite fria
Vêem-se estrelas a dançar,
Dorme e sonha Ana Maria
Sonha sonhos cor do mar,
Por quem sonha Ana Maria,
Quem lhe fez assim sonhar?

E raia o sol e rompe o dia
Desmaia ao longe o luar,
Não abriu de Ana Maria
Inda a flor de seu olhar.
Por quem sonha Ana Maria,
Eu não sei nem o luar...

quarta-feira, 2 de março de 2011

CRÔNICA DE UMA DECLARAÇÃO INGÊNUA


Douglas Menezes - Crônica escrita em 1981.

Todo dia eu te fabrico uma esperança nova, como um amanhecer no sertão, como o riso ruidoso da estudante. Como quem sente saudade da cidade lá distante e que só existe na memória: aquela onde a gente nasce e só lembra de coisa boa. Acendo em mim a paixão mais vulcânica. Pra ti, imagino uma lua inexistente, sol de verão, já sem graça, pois cantado muito, por todo mundo. A poesia que te faço agora não tem limite de ternura: pura, branca e azul, tirada dos nervos, do sangue daqui de dentro, lugar abissal. Intenção apenas de mostrar que só existe o hoje. Só o presente do poeta maior, só o instante, não a busca efêmera do futuro, que a morte pode levar, e aí, tenha certeza, amanhã é amanhã e não se sabe o que virá, se virá. Só te ofereço esse momento, instantâneo, porque não recordo do ontem, desconheço o quem vem depois: a vida pulsa aqui, agora, moça.

Douglas Menezes é da Academia Cabense de Letras.

PROJETO PIRUETA PROCURA ALUNOS



Cia dos Homens - foto: Hans Von Manteufell

Projeto Pirueta procura alunos de escolas públicas com talento para o ballet clássico



A Cia. dos Homens, através do inédito Projeto Pirueta, está à procura de jovens alunos de escolas públicas que queiram dedicar-se ao ballet clássico com afinco. Para isso, estão fazendo seleção para que crianças de nove a doze anos possam participar, com capacitação gratuita em ballet clássico, além de aulas de música, dança popular, lanches diários e preparação física. Também terão atividades extras como visitas a eventos culturais, ateliês, espetáculos de grupos artísticos e ensaios. O objetivo é conquistar, ao final dos cursos, certificados pela Escuela Nacional de Ballet de la Republica de Cuba (ENBC), que se diferencia das demais escolas de ballet do mundo por seu método de ensino e avaliação. Com 25 anos comemorados em 2011, a Cia. dos Homens é representante da ENBC no Recife, recebendo, ao final de cada ano, a diretora cubana Ramona de Sá Bello. Também está agendada uma apresentação dos alunos selecionados em espetáculo no final deste ano. Serão duas turmas, uma com 12 alunos de 12 a nove anos, no preparatório de ballet; e outra com 12 alunos, de 10 a 11 anos, na 1ª série de ballet. Contam idade, desempenho escolar, biotipo adequado ao treinamento (avaliados por um fisioterapeuta e um preparador físico). A iniciativa conta com patrocínio da Chesf e STN (Sistema de Transmissão Nordeste S/A), através da Lei Rouanet, a Lei Federal de Incentivo à Cultura. Haverá seletiva na próxima quarta-feira, 2 de março, na OAF (Organização de Auxílio Fraterno do Recife – Rua Coelhos, 351 - Boa Vista, tel. 3222 6859), às 15h30, e nos dias 11 e 14 de março, respectivamente às 14h e 16h na sede da Cia. dos Homens (Rua Doutor Napoleão Laureano, 260, Madalena. Tel. 3228 7472). Informações no próprio local.

Para entrevistas: Cláudia São Bento (diretora da Cia. dos Homens 9480 3673).

terça-feira, 1 de março de 2011

LIRA DA MOCIDADE RESGATA AUTÊNTICOS CARNAVAIS



Antonino Oliveira Júnior
(Crônica publicada no Jornal A VOZ - 1993

Lá vem o Lira da Mocidade, e, com ele, o os pierrôs e colombinas, figuras há tanto tempo afastadas de nosso carnaval, que não têm, sequer, as suas fantasias reconhecidas pela nova geração, a ponto de serem chamadas de palhaços e bailarinas.

Como se não bastassem a alegria, a organização e o visual apresentados pelo Lira, iniciou-se, neste carnaval, um processo que resgata os valores dos carnavais de máscaras e fantasias. Um carnaval poético, romântico e sentimental, onde cada mascarada era disputada pelo pierrô de rosto coberto.

Como se não bastassem as lindas garotas e o bom gosto na decoração de seus carros alegóricos, o Lira resgata o desfile da elegâmcia, dos braços abertos, do sorriso na face e do convite permanente para um amor de três dias. A multidão chegava a ficar atônita, não sabendo ao certo o que era melhor para ela: acompanhar o Clube fazendo o passo ou parar e admirar aquela máquina do tempo, que trouxe para a geração dos computadores o lirismo dos carnavais de nossos pais e de nossos avós.

E a juventude "se ligou! na mensagem do Lira, "sacou" o que ele queria dizer e viu que o belo não tem idade, que o jovem ficaria bonito numa fantasia, que a gatinha ficaria mais mimosa vestida de colombina, que o gato estaria um charme vestido de pierrô.

E que gostosa a paquera dos fantasiados, tímidos foliões, que, sob a máscara, transformam-se em galantes conquistadores. Foram dus horas de desfile no domingo e mais duas na terça-feira, o que foi muito pouco, como pouco é um carnaval de três dias, diz o autêntico folião. Se no domingo, o desfile do Lira foi um sucesso pelo impacto causado, na terça foi um delírio, com o povão curtindo cada passada de seus integrantes, com os fantasiados e mascarados com um pique de quem estava apenas iniciando o carnaval (nem parecia o 3º dia).

Terminado o desfile, entreolhavam-se, como quem pergunta: "Por que parou?" "Parou por quê?" Era a hora de recolher. O estandarte baixava lentamente, os afagos carinhosos entre os mascarados demonstravam uma vontade imensa de continuar. O povo aplaudindo e cantando parecia querer parar o tempo...mas era terça-feira...

"...e a cidade adormecia / ficava a sonhar / ao som da triste melodia..."


*Antonino Oliveira Júnior é da Academia Cabense de Letras.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

MAIS QUE UMA SEDE, UM ESPAÇO LITERÁRIO





Foto 1 - Casa cedida pelo Prefeito Lula Cabral para ser a Sede da Academia.
Foto 2 - Casa onde morou o poeta Zeca Plech.
Foto 3 - A arrasada Praça Theo Silva (ao fundo a casa onde morou Zeca Plech)

A parceria que está sendo firmada entre a Academia Cabense de Letras e a Prefeitura do Cabo de Santo Agostinho deve ir muito além do comodato de cessão da casa para instalação da Instituição, mas, da conversa entre o Prefeito Lula Cabral e acadêmicos surgiu a idéia de uma reforma radical na Praça Theo Silva, que fica próxima à futura Sede da Academia. A praça, que tem o nome do poeta Theo Silva, tem ao lado a casa onde morou um outro grande poeta e, também, Patrono da ACL, Zeca Plech.

Em reunião acontecida neste sábado, 26/02, no Shopping Costa Dourada, a Academia Cabense de Letras começou a estudar a possibilidade de tornar aquela localidade um complexo literário da cidade. A Sede, a Praça e a casa de Zeca Plech, unem-se ao nome de Theo Silva na criação desse novo espaço para a literatura.