quinta-feira, 19 de agosto de 2010

DEUS ACREDITA EM MIM*



Fernando Farias

Deus acredita em mim.

Quando comprei um piano, meus dedos foram decepados num assalto. Quando minhas pernas foram amputadas, ganhei um carro na Loteria. Quando comprei um TV, tela plana de cristal, 90 polegadas, fiquei cego.

Não, não acho que Deus tenha raiva de mim. Acho que Ele tem muito senso de humor; diverte-se comigo.

Quando te encontrei me apaixonei, já estava velho e impotente. E ao declarar todo meu amor, você riu. Disse que era apenas um bom amigo.

Espero que Deus não saiba que adoro o perfume das rosas.

*Do Livro Salada mística

ENCERRAMENTO DO FESTIVAL CHOPIN /SCHUMANN



Pianista Maria Clara Fernandes foto: Wellington Dias

Acontece no dia 23/08 o encerramento do Festival Chpin/Schumann 200 anos, no Teatro de Santa Izabel, às 19:30 horas, com a apresentação de:Orquestra Jovem do Conservatório Pernambucano de Música (80 componentes), com regência do maestro convidado Lanfranco Marcelletti e participação especial de dois solistas convidados, o polonês Julian Tryczynski (violoncelo) e a recifense Maria Clara Fernandes (piano)

* Nesta data, os ingressos – 350 – serão distribuídos gratuitamente a partir das 18h30 na própria bilheteria do teatro. A procura tem sido muito grande neste teatro. É bom chegar cedo. Os outros 350 ingressos foram destinados aos patrocinadores e artistas participantes (somente a Orquestra é composta de 80 músicos), mas caso os convidados não apareçam até 19h15, as entradas estarão disponíveis para uma fila de espera do público, com prioridade para pessoas da terceira idade.

De quinta a domingo, as apresentações acontecem no Teatro da UFPE.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

AS MORENAS, nos escritos de ANTONINO E THEO SILVA



FRUTA DO MATO
Theo Silva(1943)


Foi a morena mais bonita que minha terra criou...

Eu não sei mesmo dizer assim,
Ao pé da letra,
Mas uma morena daquela só podia ter nascido
Na casa do Nosso Senhor!

-Foi a morena que eu vi não ter chiquê nem faceta.

É aquilo mesmo bonito
Que a gente gosta de ver...
E quanto mais a gente vê,
Mais vontade tem de ver...
É como fruta do mato, que a gente tem sem querer,
Aquela vontade danada
De pegar, partir e comer!


DOCE MASCAVO
Antonino Oliveira Júnior (2009)


No horizonte que alcanço,
teus olhos verdes,
canaviais que se perdem
no tempo de um tempo já sem tempo...
e tua pele
morena como o açúcar
que me adoça a vida
como o doce mascavo...

Os olhos, o verde,
a cana, o açúcar,
do tempo sem tempo,
da vida sem vida...

Morena,
meu horizonte...



DESEJO
(Para uma morena que vi chupando pitomba na feira...)
Theo Silva

Moreninha cor de jambo
Cheirando a flor de mangueira,
Domingo eu lhe vi na feira
E tive um gosto!...
(extravagante, já se vê...)

Ai quem me dera que eu fosse
Uma pitombinha bem doce
Pra ser chupada por você...

Que importava eu sentir
Os seus dentinhos afiados,
E os seus lábios rosados
Me morder e me esmagar,
Se eu ia deixar meu gostinho
Bem no céu da sua boca...

- morena, coisinha louca -
Que me importava eu me acabar...


DEUSA DO PECADO
(para a morena que passa cedinho para o trabalho)
Antonino Oliveira Júnior (2009)


O sol das seis doura a cidade
e traz a morena
que passa e nos leva
em olhar e pensamentos,
nos rastros esculpidos
pelos passos leves
rumo ao peso do seu dia.

E na cadência de seus quadris
parece pisar nos corações
dos que desejam um olhar,
ainda que meteórico,
como mortais aos pés da deusa.

E a morena passa faceira
como quem sorri de todos,
carregando nossos olhares,
nossos suspiros
e um mundo inteiro de pecados.


FLOR MORENA (Para Monaliza, que lembra uma índia)
Antonino Oliveira Júnior (2010)


Vejo a flor-morena ao meu alcance,
sinto o cheiro da erva-doce,
como doce é o seu olhar
de olhos de amêndoas;
sinto o arrepio da pele,
da pele-emoção,
o arrepio-prazer.

Origem das raças,
és o começo de tudo,
do carinho,
do prazer,
do amor,
dos meus sonhos, enfim.

Antonino Oliveira Júnior é membro da Academia Cabense de Letras (Cadeira Nº 05) e Theo Silva é o Patrono da Cadeira nº 10.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

RÉQUIEM PARA UM POETA QUE SE FOI


Antonino Oliveira Júnior*

E o poeta disse não,
disse adeus à inspiração...
Preferiu o exílio de si mesmo
ou o partir como quem morre...

Tanto amor cultuvado
tanta dor transformada
tanto amor
que teu olhar pétreo ignorava;

E o poeta partiu como quem morre...

Sabendo-se caidiço
recusa-se a voltar o olhar
e apenas leva na mente
a relva onde deitou seus versos...

E o poeta partiu como quem morre,
no recato de seus pensamentos.

*Antonino Oliveira Júnior é membro da Academia Cabense de Letras.

2º CONCURSO NACIONAL DE POESIA




2º Concurso Nacional
de Poesia do SINTEPE

O Sintepe - Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco está comemorando 20 anos de existência. E está programada uma série de eventos para comemorar a data. Um deles é a segunda edição do seu Concurso Nacional de Poesia, com o apoio do Interpoética. O concurso terá premiação em dinheiro aos primeiros colocados e posterior publicação em livro das obras selecionadas.

Este ano o concurso será temático, abordando as duas décadas de luta do sindicato e também assuntos ligados à educação, entre eles a democratização ao acesso e melhores condições de ensino. A estimativa é que o número de participantes deverá dobrar nesta edição 2010, que segue a mesma diretriz de premiação da versão anterior, com as categorias Público em Geral e Trabalhadores em Educação da Rede Estadual de Pernambuco.

As inscrições devem ser realizadas no período de 16 de agosto a 16 de setembro, na sede do Sintepe - Rua General Semeão, 39, Santo Amaro, Recife. Válidas também inscrições pelos correios, desde que obedecido o prazo de entrega. A divulgação dos vencedores será no final de outubro. Maiores informações no site do sindicato sintepe.org.br e no Portal Interpoética: interpoetica.com. Ou pelo fone: (81) 2127 8858.

CREPÚSCULO



Natanael Lima Júnior*

Alguém transpõe o silêncio impunemente

refém da oblíqua tarde em decadência

executa a existência sem piedade

macerando os sonhos ao ar livre?


Alguém nos move

e nos remove a nada

ao acaso da morte e da vida

sem surpresa e despedida?


Alguém por sorte da exígua lida

finge ser luz da visceral noite

e em prantos ilumina o rosto

abominável reflexo que não vê o dia?


Alguém da derradeira caminhada

falseia a memória dos séculos

iludindo pobres pecadores

do orbe morto e rejeitado?


Alguém da trave do olho se inspira

e do reles argueiro nada vê

crê na mão que apedreja

despreza aquela que afaga?


Alguém do sinistro rastro finda

marca o rosto de um narciso morto

posto na lama

sem fama e desfalecido?


Alguém do crepúsculo se completa

e sustenta as mãos vacilantes

que cosem as linhas do tempo

na aurora de uma nova vida?


*Natanael Lima Júnior é membro da Academia Cabense de Letras.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

A VIDA DAS ÁRVORES



Acontece amanhã (14 de agosto)o lançamento do Livro A VIDA DAS ÁRVORES,poemas de Mariana Arraes. O evento acontece às 17 horas, na Livraria Jaqueira, em Recife. O lançamento é organizado pelo Instituto Maximiano Campos e a obra é editada pela Editora Carpe Dien.

POEMA DE BRUNA LOMBARDI


ARREMESSO
Bruna Lombardi


Porque despertar em mim esse animal
alucinado. Animal de olhos de fogo.
Selvagem e louco. Esse animal acuado
que perde sangue no jogo.
Essa fera que te ataca e te resiste.
Que por pouco não te mata.
Ah, essa desenfreada que me existe
e me devora. Porque despertá-la agora
já que há tanto vinha adormecida.

Porque assustá-la assim em meio ao sono.
Porque arrancá-la bruscamente de seu sonho
e transportá-la de repente para a vida.
Porque despertar em mim essa cavala doida
que vai te galopar de corpo inteiro.

Enlouquecida que vai se ferir em meio ao trote.
Porque atiçar esse bicho
que nessa luta vai morrer primeiro.
Que vai morrer de fome, de grito, de garganta enxuta,
de tanta entrega. Dilacerado de tanta força bruta.

Porque despertar essa besta que me habita
que se torna cruel e desumana quando aflita.
Porque gritar com ela no silêncio de um sono branco
em que já vinha há tanto.
Porque provocá-la em meio ao espanto
quando ainda não era o seu tempo.

Colaboração: Katharina Barros

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

DEPRESSÃO



Antonino Oliveira Júnior*

Há cerca de dois anos, falei que o Cabo de Santo Agostinho estava à beira de entrar numa depressão cultural. Fui criticado e alvo do bombardeio dos apaixonados pelo governo municipal. Calei diante das insinuações e das ironias e constituí o tempo como meu advogado. Hoje, o quadro está claro e não existem mais dúvidas e nem previsão. A cidade vive um grave momento de depressão cultural e o talento de tanta gente que escreve, pinta, interpreta, que canta, etc., morre no nascedouro por falta de ressonância. O artista cria, vai às ruas com a mente brilhando, mas, por estar numa cidade que não tem políticas públicas de cultura, perde o ânimo e desiste. Vem a frustração e o abatimento. E isto é um quadro típico de depressão.

Sem condenar os poucos que são abençoados pelo tesouro municipal, até porque são artistas e produtores com talento reconhecido, não podemos, no entanto, ficar omissos diante de uma situação em que a cultura é relegada a um “quase” abandono. O orçamento da cultura é muito pequeno, como todos os outros governos, mas, o quadro se agrava pela falta de sensibilidade e de entendimento de quem governa o município, que, em momento algum demonstrou a mínima vontade de tratar a cultura com o respeito e o cuidado que ela merece.

No Cabo de Santo Agostinho, infelizmente, ainda prevalece aquela “máxima”: “Vamos atender, porque esse pessoal é da gente”, como se artista fosse gado ou animal de estimação. Passaram-se quatro anos de letargia, anos angustiantes até para os que, uma vez integrando a máquina, não tiveram forças para formar um cenário diferente. Basta ver a Semana Cabense de Cultura, realizada a partir do esforço de alguns abnegados da Secretaria de Cultura, mas desprestigiada e esvaziada pelo próprio governo.

Na transição do primeiro para o mandato atual, esperavam-se modificações em relação ao comportamento com a cultura. Ou mudando nomes ou posturas. Ou, ainda, os dois. Mas, tudo foi mantido, como se tudo estivesse bem. E reconheço a capacidade de alguns dos servidores da Secretaria de Cultura. Mas, o problema, diferentemente do buraco, não é mais embaixo, é mais em cima.

É preciso repensar a cidade a partir da sua cultura. Os produtores, os artistas, os intelectuais, devem à cidade uma tomada de atitude em defesa da sua identidade cultural de forma independente, à luz da inteligência e do compromisso com a verdadeira riqueza do Cabo de Santo Agostinho. Mais do que urgente, é necessário uma reflexão acerca da situação da cultura no município, objetivando a formatação de uma política pública de cultura, evitando, assim, que vivamos numa cidade tão pobre que só tenha dinheiro.

Sem zelarmos pela manutenção de nossa identidade cultural, deixaremos de ser povo, para sermos, tão somente, um amontoado de gente. Povo sem identidade cultural é povo sem rosto, sem norte e sem rumo, que se perde na ida e na vinda. Perde a consciência e se deixa manipular.

*Antonino Oliveira Júnior é membro da Academia Cabense de Letras.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

“Festival Chopin/Schumann 200 Anos”



Pianista Edson Bandeira de Melo / Foto: Wellington Dias

A partir desta quinta, “Festival Chopin/Schumann 200 Anos” passa a ocupar o Teatro da UFPE dando destaque somente a pianistas

Após o sucesso absoluto das cinco apresentações gratuitas e completamente lotadas de gente no Teatro de Santa Isabel, de 31 de julho a 04 de agosto último, o “Festival Chopin/Schumann 200 Anos”, promovido pela Companhia Editora de Pernambuco (CEPE), com produção executiva da Paulo de Castro Produções, inicia nova fase a partir desta quinta-feira até o domingo, desta vez no Teatro da UFPE, mas com entrada ainda totalmente franca. O bom é que não é mais preciso pegar ingresso com antecedência, já que o espaço comporta um imenso público, com mais de 1.900 lugares. O evento segue, depois, de 19 a 22 de agosto naquele mesmo palco, com encerramento dia 23, retornando ao Teatro de Santa Isabel. A iniciativa é da pianista Elyanna Caldas, que divide a direção artística com o também pianista Edson Bandeira de Mello. Maiores informações: 3222 0025 / 3082 2830.

O projeto nasceu para inserir Pernambuco nas comemorações dos 200 anos de nascimento de dois compositores considerados geniais, o polonês Frédéric Chopin (1810-1849) e o alemão Robert Schumann (1810-1856), com uma programação exclusivamente dedicada às suas obras, tendo como atrações músicos pernambucanos com carreira aclamada, aqui ou fora do Brasil, além de convidados de outros estados e até outros países. A novidade desta vez é a exposição “Chopin: Vida e Obra”, doada pelo Consulado da Polônia, em São Paulo, que estará em cartaz no foyer Jandaia do Centro de Convenções da UFPE (onde fica o teatro), resgatando aspectos da trajetória do compositor. A organização local é de Elyanna Caldas.

Programação desta semana:

Dia 12 de agosto (quinta-feira), 19h30
Edson Bandeira de Mello: Estudo op. 10 nº3 e nº 11, Scherzo op. 20, Estudo op. 25 nº 1 e op. 10 nº 12 e Scherzo op. 31, de Frédéric F. Chopin
Andréia da Costa Carvalho: Fantasia op. 17, de Robert Schumann

Teatro de UFPE
Dia 13 de agosto (sexta-feira), 19h30
Elyanna Caldas: Mazurkas, Improviso op. 51 e Balada op. 52 nº 4 em fá menor, de Frédéric F. Chopin
Maria Clara Fernandes*: Carnaval de Viena op.26, de Robert Schumann
* Recifense que mora em Viena, na Áustria

Teatro da UFPE
Dia 14 de agosto (sábado), 18h
Fernando Muller: Barcarola op.60 e Fantasia 0p.49, de Frédéric F. Chopin
Jussiara Albuquerque: Humoresque op. 20, de Robert Schumann

Teatro da UFPE
Dia 15 de agosto (domingo), 18h
Rachel Casado: Balada op. 23 nº 1, Balada op. 38 nº 2 e Scherzo op. 54 nº4, de Frédéric F. Chopin
José Henrique Martins*: Balada op. 47 nº 3, de Frédéric F. Chopin, e Carnaval op. 9, de Robert Schumann
* Curitibano radicado em João Pessoa (PB)

CONTATOS:
Elyanna Caldas 3265 5857 / 9292 0927
Edson Bandeira de Mello 3268 6909
Andréia da Costa Carvalho 3228 0033 e 9417 7371

DETALHES sobre atrações desta quinta-feira:

Edson Bandeira de Mello (pianista)
Mineiro radicado no Recife há muitos anos. Foi Bolsista do Governo da França e da Capes por oito anos, quando estudou com grandes músicos internacionais. Sua formação foi solidificada na École Marguerite Long-Jacques Thibaud, em Paris, no Conservatoire National de Musique de Paris e no Instituto de Música da Bahia. É fundador dos Cursos de Música e Comunicação Social da UFPE, Professor Titular da UFPE (por Concurso Público de Títulos e Provas) e Membro da Academia de Artes e Letras de Pernambuco. É autor de publicações e teses sobre percepção estética, interpretação pianística e técnicas pianísticas expressivas tendo, ainda, produzido e realizado grande número de programas musicais para a TV Educativa. É concertista, recitalista e camerista com múltiplas apresentações no país e no exterior. Por isto, e por ter sido Diretor Geral do Núcleo de Rádio e Televisão da UFPE, Diretor Cultural da Fundação Centro Educativo de Comunicação Social do Nordeste e Membro do Sistema Nacional de Televisão Educativa, atualmente ministra aulas a alunos talentosos desprovidos de condições financeiras.

Andréia da Costa Carvalho (pianista)
Pernambucana de Olinda, professora de Piano. Da UFPE, foi professora do Curso de Bacharelado e Licenciatura em Música, além de Coordenadora de Extensão da área musical no Centro de Artes e Comunicação, onde dirigiu vários projetos. Atuou no Conservatório Pernambucano de Música como professora de Piano por muitos anos. Colaborou ativamente com o Centro Musical de Olinda, ensinando História da Música e Piano; ministou várias Master Classes e, atualmente, ensina e prepara vários alunos de piano em caráter particular para vestibulares, cursos e concursos. Quando estudante, teve o privilégio de estrear com a Orquestra Sinfônica do Recife em Concerto Oficial, no Teatro de Santa Isabel, sob a batuta do Maestro Eleazar de Carvalho, um dos maiores expoentes musicais do mundo, tocando páginas primorosas de Ludwig Van Beethoven. Após o Festival, pretende dedicar-se a estudo mais aprofundado de obras de Beethoven e Brahms, dois gênios musicais que também a fascinam.
_________________

UM POEMA DE ALBERTO DA CUNHA MELO



NOBREZAS
Alberto da Cunha Melo

Vista-se de jambo,
a cor irmã
do sangue velho,
e das frutas
caindo abandonadas
no lamaçal
da delícia degradada,
porque esse traje
de machucada mortalha
tem a cor da vida
que vamos, juntos,
ressuscitar.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

SEXTA DE LETRAS COMEÇA A TODO VAPOR






Quem foi à Câmara de Vereadores do Cabo na sexta-feira passada, dia 6 de agosto, pode ver a arrancada do Projeto SEXTA DE LETRAS, da Academia Cabense de Letras, que estará, toda primeira sexta-feira de cada mês repetindo um evento literário de excelente nível. O primeiro, acontecido na sexta-feira passada, teve palestra do professor e Presidente da Academia Cabense de Letras, Nelino Azevedo, sobre a EDUCAÇÃO LIBERTADORA DE PAULO FREIRE, seguindo excelente debate com a participação dos demais acadêmicos e do público presente, formado, na sua maioria, por estudantes e professores, lotando o Plenário da Casa Vicente Mendes, com cerca de duzentas pessoas.

O público tem, ainda, a oportunidade de presenciar uma reunião da Academia Cabense de Letras, com os acadêmicos usando seus Fardões e sempre abordando temas que possam contribuir para o desenvolvimento cultural da população, em especial a juventude.

Dia 3 de setembro acontece a segunda SEXTA DE LETRAS, às 19 horas, na Câmara de Vereadores, com uma palestra do professor e acadêmico Douglas Menezes, que falará sobre A OBRA DE GRACILIANO RAMOS. Vale a pena conferir.

MEIO SÉCULO DE MIRÓ




Parabenizamos ao grande poeta Miró, de Muribeca, que está fazendo 50 anos de idade-poesia lançando livro novo, o Quase crônico. Miró é poeta recitador e seus trabalhos têm forte apelo social. A poesia/verdade de Miró busca as entranhas de um Recife que não se conhece, fala de um povo quase invisível. A seguir, umas das pérolas de Miró:

"Recife,
Cidade das pontes e das fontes de miséria
Poetas mendigando passes pra voltar pra casa
e sua poesia passando despercebida.
Aliás, nem passa".


"Merece um tiro
quem inventou a bala!"


(Miró)

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

NELINO AZEVEDO ABRE O SEXTA DE LETRAS


Nelino Azevedo

Começa hoje o Projeto SEXTA DE LETRAS, às 19 horas, na Câmara de Vereadores do Cabo, com uma palestra do acadêmico e professor NELINO AZEVEDO, que abordará "A EDUCAÇÃO LIBERTADORA DE PAULO FREIRE".

O evento acontecerá toda primeira sexta-feira do mês, sempre com uma palestra e debate entre os acadêmicos, além de um momento para intervenção do público. Vale a pena conferir. Dessa forma, a Academia Cabense de Letras começa a chegar mais perto da população, um de seus objetivos.

UNIVERSO NO TEU CORPO



UNIVERSO NO TEU CORPO
(Taiguara)

EU DESISTO, NÃO EXISTE ESSA MANHÃ QUE EU PERSEGUIA
UM LUGAR QUE ME DÊ TRÉGUA OU ME SORRIA
UMA GENTE QUE NÃO VIVA SÓ PRÁ SI
SÓ ENCONTRO GENTE AMARGA MERGULHADA NO PASSADO
PROCURANDO REPARTIR SEU MUNDO ERRADO
NESSA VIDA SEM AMOR QUE EU APRENDI

POR UNS VELHOS VÃOS MOTIVOS
SOMOS CEGOS E CATIVOS
NO DESERTO DO UNIVERSO SEM AMOR

E É POR ISSO QUE EU PRECISO
DE VOCÊ COMO EU PRECISO
NÃO ME DEIXE UM SÓ MINUTO SEM AMOR

VEM COMIGO MEU PEDAÇO DE UNIVERSO É NO TEU CORPO
EU TE ABRAÇO, CORPO IMERSO NO TEU CORPO
E EM TEUS BRAÇOS SE UNEM EM VERSOS A CANÇÃO

E EM QUE EU DIGO QUE ESTOU MORTO PRÁ ESSE TRISTE MUNDO ANTIGO
QUE MEU PORTO, MEU DESTINO, MEU ABRIGO
SÃO TEU CORPO, AMANTE AMIGO, EM MINHAS MÃOS.

Colaboração: Tony Dionísio

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

SEXTA DE LETRAS




AMANHÃ, SEXTA-FEIRA, 6 DE AGOSTO, ÀS 19 HORAS, LANÇAMENTO DO PROJETO SEXTA DE LETRAS, DA ACADEMIA CABENSE DE LETRAS. PALESTRAS E DEBATES. CONHEÇA DE PERTO A ACADEMIA CABENSE DE LETRAS. PARTICIPE.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

SEXTA DE LETRAS




Será nesta sexta-feira, dia 6 de agosto, às 19 horas, o lançamento do Projeto "SEXTA DE LETRAS", da Academia Cabense de Letras. O evento acontece na Câmara de Vereadores do Cabo e se repetirá toda primeira sexta-feira de cada mês.

O Projeto abre as portas das reuniões da Academia, possibilitando à população conhecer as reuniões dos acadêmicos. Na primeira sexta, dia 6 de agosto, haverá palestra do Acadêmico Nelino Azevedo, sobre "A Educação Libertadora de Paulo Freire" e um debate entre os acadêmicos e um espaço que será dedicado à participação do público.

A programação até Dezembro de 2010 é a seguinte:

6 de agosto: A EDUCAÇÃO LIBERTADORA DE PAULO FREIRE (Nelino Azevedo)

3 de setembro: A OBRA DE GRACILIANO RAMOS (Douglas Menezes)

1 de Outubro: JOSUÉ DE CASTRO E A GEOGRAFIA DA FOME (Frederico Menezes)

5 de Novembro: A OBRA DE PAULO CULTURA (Natanael Lima Júnior)

3 de Dezembro: ESPERANTO LÍNGUA INTERNACIONAL (Vera Rocha.

QUANDO O SOL VEM À JANELA




O público do Cabo de Santo Agostinho terá domingo, dia 8 de agosto, uma nova oportunidade para assistir "QUANDO O SOL VEM À JANELA", belíssimo espetáculo escrito e dirigido por Luiz de Lima Navarro, com Evânia Copino e Nice Albano no elenco. A apresentação será às 19 horas, no Teatro Barreto Júnior.

A peça mostra, de forma poética, a relação de amizade entre duas mulheres que se dedicaram uma à outra, anos a fio. Doente, uma delas é a expressão da carência afetiva, mas encontra na outra o porto abrigo que precisou em seus momentos mais difíceis. O final, surpreendente, é um dos momentos mais bonitos dos palcos pernambucanos.

ANIVERSÁRIO DE IRAH CALDEIRA




A cantora Irah Caldeira não podia comemorar de maneira mais apropriada seu aniversário: com muito forró na Sala de Reboco. A mineira radicada em Pernambuco há onze anos cantará o repertório da temporada 2010 que vai desde as raízes mineiras da cantora até os grandes sucesso de Luiz Gonzaga, mas com uma particularidade que promete agradar ao público, maior interação entre Irah e os forrozeiros.

O show será mais intimista e segundo a cantora, a descontração vai possibilitar que os pedidos dos fãs sejam atendidos. O aniversário da cantora é no dia 08 de agosto, mas devido a outros compromissos, a comemoração com o público foi antecipada para o dia 05. A expectativa é grande, pois para Irah essa é melhor maneira de retribuir o carinho dos fãs. "Meu presente é meu público, é poder dar alegria aos meus fãs por meio da minha música e na comemoração do meu aniversário quero fazer o que mais amo, cantar para pessoas queridas", afirma Irah Caldeira.

O forró começa às 22h, com o Quinteto Sala de Reboco, Irah Caldeira entra em cena a partir da meia-noite e contará com as participações especiais das cantoras Andrezza Formiga e Ilana Ventura. Mais informações pelos telefones: 3228.7052 / 9677.2525 / 8822.0203

terça-feira, 3 de agosto de 2010

LILÁS (Ao Centro das Mulheres do Cabo)



Antonino Oliveira Júnior*

Teu lilás cintilante
expressa a fecundez de teus atos
e na forteza terna
de tua voz firme
(um brado brando)
alças voos de mistérios e verdades,
abraçando, acolhendo
e abrindo horizontes de vida.

*Antonino Oliveira Júnior é membro da Academia Cabense de Letras.

TROUPE CARA & CORAGEM PREMIADA OUTRA VEZ



Belly Nascimento - melhro atriz no Festec
Foto: Wedson Gomes

A Troupe Cara & Coragem participou do IX FESTEC (Festival de Esquetes de Caruaru) com o espetáculo AS MENTIROSAS OCAS, de Luiz de Lima Navarro. O Festival foi realizado no teatro João Lyra Filho, em realização da Associação de Teatro de Caruaru e a premiação aconteceu no próprio Teatro João Lyra, dia 31 de julho e AS MENTIROSAS OCAS foi a grande vencedora do Festival, trazendo para o Cabo de Santo Agostinho os prêmios de Melhor Texto, Melhor Direção, Melhor Espetáculo e Melhor Atriz para Belly Nascimento.

A Troupe Cara & Coragem agora arruma as malas para viajar até a cidade de Guaçuí, no Espírito Santo, para participar do XI Festival Nacional de Teatro daquela cidade capixaba, com FLICTS, uma adaptação de Aderbal Freire Filho da obra de Ziraldo. O Grupo apresenta FLICTS no próximo domingo, às 16 horas, no Teatro Barreto Júnior do Cabo de Santo Agostinho, com ingresso custando apenas R$ 5,00.

domingo, 1 de agosto de 2010

MORRE AMÍLCAR DÓRIA MATOS



O coração de todos os que apreciam a boa leitura está de luto. A morte nos levou, na noite do dia 29 de julho, o escritor AMÍLCAR DÓRIA MATOS, membro da Academia Pernambucana de Letras. Cuidadoso ao extremo ao escrever, Amílcar sempre demonstrou zelo no uso das palavras corretas e muita responsabilidade com o que escrevia. Premiadíssimo nacionalmente, escreveu mais de dez livros de qualidade indiscutível.

O Brasil perdeu mais um grande escritor. Como pernambucano, fiquei triste com sua partida e, como leitor, igual a tantos outros que gostam da leitura de qualidade, sinto o coração de luto.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

“Festival Chopin/Schumann 200 Anos”



“Festival Chopin/Schumann 200 Anos” vai promover quatorze concertos gratuitos no Recife em comemoração aos 200 anos de nascimento de dois dos mais importantes compositores eruditos do mundo. No total, 110 músicos participam do evento. A entrada nos teatros de Santa Isabel e da UFPE será sempre franca, mas a produção pede alimentos para doação às vítimas das chuvas.

Dois dos mais importantes compositores eruditos do mundo, expoentes do Romantismo do século 19, vão ser homenageados com uma grande programação no Recife, que marca os 200 anos de nascimento de ambos. Concebido pela pianista Elyanna Caldas, que divide a coordenação artística com o também pianista Edson Bandeira de Mello, fãs confessos de Frédéric Chopin (1810-1849) e Robert Schumann (1810-1856), o “Festival Chopin/Schumann 200 Anos” vai promover nos teatros de Santa Isabel e da UFPE quatorze concertos gratuitos, de 31 de julho a 23 de agosto, com a participação de 110 músicos ao total, quase todos pernambucanos residentes no estado ou fora dele, e até em outros países. Uma equipe aclamada internacionalmente por seu reconhecido talento. O evento conta com produção executiva da Paulo de Castro Produções.


O projeto nasceu para inserir Pernambuco nas comemorações dos 200 anos de nascimento destes dois compositores considerados geniais (“a alma romântica do piano está com eles dois, tanto que desenvolveram a técnica pianista ao máximo”, diz Elyanna Caldas), com uma programação exclusivamente dedicada às suas obras. A primeira etapa do evento acontecerá a partir do sábado, 31 de julho, indo até a quarta-feira, dia 04 de agosto, com concertos noturnos no Teatro de Santa Isabel. Os ingressos serão distribuídos gratuitamente 1h30 antes de cada apresentação, na bilheteria do próprio teatro (mas a produção pede que levem alimentos para doação às vítimas das chuvas).

A partir do dia 12 de agosto, o palco do Teatro da UFPE (não é necessário pegar ingresso com antecedência) passa a receber o Festival, com programação até o dia 15 e de 19 a 22 de agosto. O encerramento acontecerá dia 23 de agosto, no Teatro de Santa Isabel, com a Orquestra Jovem do Conservatório Pernambucano de Música (80 componentes), com regência do maestro convidado Lanfranco Marcelletti e participação especial de dois solistas convidados, o polonês Julian Tryczynski (executando Concerto Para Violoncelo e Orquestra, de Schumann) e a pianista recifense Maria Clara Fernandes (em Andante Spianato e Grande Polonaise Brilhante, de Chopin).


Maiores informações: 3222 0025 ou 3082 2830.

MOSTRA ÍNDIO BRASIL




O Vídeo Índio Brasil (VIB) é composto de curtas, médias e longas-metragens sobre índios e realizados por índios. O projeto proporciona que cidades brasileiras tenham a oportunidade de acesso à diversidade cultural indígena existente no país, revelada por meio de produções audiovisuais realizadas por indígenas e não indígenas.

O projeto consiste na exibição simultânea em 100 (cem) cidades brasileiras inscritas e criteriosamente selecionadas. A programação do Vídeo Índio Brasil será exibida nos dias 31 de julho a 07 de agosto de 2010, com a projeção dos vídeos e filmes. Todas as atividades terão entrada franca e sem fins lucrativos, com o apoio do Ministério da Cultura, por meio da Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural (SID/MinC). O Festival contou, também, com o apoio da Fundação Nacional do Índio (Funai) e do Ministério do Turismo.

As exibições acontecerão de 31 de Julho a 07 de agosto de 2010,às 19 horas, no Teatro Barreto Júnior, com apoio da Secretaria de Cultura.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

UM OLHAR SOBRE A JANELA




É o título da tela da artista Síntia Alves. Na janela, é possível ver a expressão e sentir o sentimento da sofrida mulher nordestina. O quadro de Síntia foge do clichê de mulher pobre do nordeste, apesar da identificação. Nele, é possível sentir um mulher forte, apesar do olhar um tanto triste e distante, como quem tenta enxergar, lá longe, a vida que deseja alcançar.

*Síntia Alves é atriz, cenógrafa, figurinista, artista plástica e mãe de Thiago.

terça-feira, 27 de julho de 2010

ERA TÃO POBRE QUE SÓ TINHA DINHEIRO



Antonino Oliveira Júnior

Comenta-se que em determinada cidade havia um homem que tinha muito dinheiro, que “arrotava” grandeza e, acima de tudo, falava só acreditar na força de seu dinheiro. Deus só existia para ele pedir mais dinheiro, pra continuar tendo sucesso nos negócios; Jesus era uma figura decorativa em seus pensamentos; amigos “lisos”, nem pensar, pois fazia sempre questão de viver cercado daqueles amigos que dão risadas bem altas e falam sem noção de volume e que se deliciavam nas churrascadas que ele promovia nos finais de semana. Era muito comum, quando indagado acerca de uma vida mais fraterna, ouvir desse homem expressões tipo: “meus filhos se formam este ano, porque tive dinheiro para pagar boas escolas”, “comprei uma casa na praia, porque este mês sobrou muito dinheiro”, “ter amigo pobre é esperar a facada a qualquer momento”, etc., e sua ignorância espiritual continuava: “Se eu não tiver muito dinheiro, nada vai cair do céu”. Amor ao próximo, nem pensar.

Um dia, surpreendido pelas incertezas da vida, o homem poderoso começou a cair em desgraça, com a esposa acometida de doença incurável, o filho tão querido, paraplégico, vítima de acidente e, para sua agonia, o dinheiro escorrendo pelo ralo. Aos poucos, sua conta bancária foi esvaziando, churrascos já não aconteciam, os “amigos” foram sumindo, a casa cada dia mais vazia, ele, cada vez mais solitário. Morrem a esposa e o filho, causando uma tragédia no interior daquele homem, que não encontrava um ombro sequer onde depositasse suas lágrimas, uma mão para afagar seus sofrimentos, um coração capaz de acolher o seu, tão sofrido, tão marcado pela dor.

Certo dia, cansado pela dor e deprimido pela solidão afetiva, sentou-se em um banco de praça, a mesma praça que ele só via pela janela do carro, olhou para o infinito com os olhos tristes, com a face úmida de lágrimas. Soluçou, chorou ainda mais, e chegou à conclusão de que era tão pobre que só tinha dinheiro.

*Antonino Oliveira Júnior é membro da Academia Cabense de Letras

DISCURSO POÉTICO, 2



JUAREIZ CORREYA
ao poeta Lara Miranda

Guarda o meu poema
no caderno do teu corpo
e desdobra sua carne à luz
e proclama sua liberdade ao vento
sua terra e suas águas
deixa que estourem da tua boca
e incendeiem os corações dos homens
para renascer suas vidas
e recriar a humanidade.

Recife, julho / 2010.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

RETRATOS




Em reunião realizada no último sábado, 24 de julho, no auditório do Shopping Costa Dourada, a Academia Cabense de Letras recebeu a visita do comunicador, cineasta e jornalista rafael Negrão. Na oportunidade, Rafael Negrão expôs todo o processo de criação e produção do filme curta-metragem RETRATOS, seu primeiro trabalho em vídeo, em parceria com Leo Tabosa. Em seguida, os acadêmicos assistiram à exibição do curta, que tem a duração de 20 minutos.

RETRATOS será exibido na Livraria Cultura, em Recife, dia 31 de julho, às 19 horas.

RETRATOS mostra, antes de tudo, o lado humano dos(as) travestis, fugindo do clichê comum que mostra a violência e a prostituição rotina dos(as) travestis. Em RETRATOS eles(as) aparecem com pessoas comuns, que estudam, trabalham, têm vida doméstica e, principalmente, uma vida afetiva.

O Curta, que nasceu como um trabalho universitário, ganhou as ruas e tornou-se uma referência para o debate sobre um tema tão delicado e tão importante. Após a apresentação, abriu-se um pequeno debate entre os acadêmicos e o autor do vídeo, com Rafael Negrão sendo bastante parabenizado por todos. A Academia Cabense de Letras declarou apoio ao Projeto que está levando RETRATOS às comunidades.

RETRATOS vem participando de importantes Festivais no Brasil e no exterior, a exemplo do México e Estados Unidos. No Brasil, foi premiado no Rio de Janeiro e participará do Festival que acontecerá no Ceará.

A DEMOCRACIA BRASILEIRA




Janguiê Diniz*

A revista inglesa The Economist realizou em 2008 a sua segunda pesquisa sobre a democracia no mundo. Esta pesquisa avaliou as liberdades civis, o funcionamento do governo, a pluralidade eleitoral e a cultura política da população em 167 países. Pesquisa de fôlego e oportuna. As democracias dos países foram classificadas de plenas ou imperfeitas. A pesquisa também qualificou os países de híbridos ou autoritários. Suécia, Noruega e Islândia foram classificados como países democráticos, com democracia plena. Os menos democráticos foram Coréia do Norte, Chade e Turcomenistão. Cumpre ressaltar que na América Latina o único país qualificado como democracia plena foi o Uruguai, já que o Brasil foi considerado uma democracia imperfeita.

Nessa perspectiva, registre-se que são inúmeros os eventos presentes nos contextos social e institucional do Brasil que corroboram com a conclusão da pesquisa realizada pela The Economist. Inicialmente, vale salientar que nesses últimos anos a Polícia Federal Brasileira realizou diversas operações de combate à corrupção pública em instituições brasileiras. No cotidiano social é frequente o relato da prática da corrupção. Por outro lado, o “jeitinho brasileiro” é utilizado como ferramenta social para solucionar entraves criados pela burocracia estatal. Ademais, o desrespeito à lei é visível. Citamos como exemplo o desrespeito à lei do trânsito. Ao caminhar pelas ruas, constatamos carros estacionados nas calçadas impedindo o direito de ir e vir das pessoas.

Em qualquer tipo de conflito é muito comum o uso de outra ferramenta social, o questionamento: “Você sabe com quem está falando?”. O uso dessa máxima evidencia a hierarquização de parte da sociedade brasileira perante as leis. Ou seja, a lei só se aplica à parte da sociedade, os pobres e pretos. Diante dessa realidade, importa constatar a forte presença da desigualdade de direitos perante a lei, o que me faz indagar: como posso falar em democracia no Brasil diante de uma patente desigualdade social de direitos perante a lei? Isso me faz enfatizar que existe relação direta entre desigualdade econômica e desigualdade de direitos. Quanto maior a desigualdade econômica, mais desigual o acesso às instituições estatais. Isso é retratado com muita propriedade por Roberto DaMatta que frisa: “os que têm algum tipo de poder econômico, social ou político conseguem garantir os seus direitos. Fazem com que as instituições atendam as suas demandas. Os que não têm penam pelo auxílio das instituições”.

Infelizmente, é particularmente triste consignar que as oportunidades econômicas, sociais e políticas no Brasil ainda não são para todos. Não deveria ser assim, já que os recursos destinados para a educação pública são avultantes e volumosos. Entretanto, na sociedade do conhecimento em que vivemos, onde o conhecimento é muito mais importante que os recursos materiais, considerado instrumento de poder, a educação pública brasileira ainda não foi capaz de educar e capacitar os indivíduos brasileiros para que adentrem no mercado de trabalho, mercado este cada vez mais carente de mão de obra qualificada.

Por fim, realço a necessidade premente de se criar condições para que os brasileiros adquiram igualdade de oportunidades, embora isso só seja possível com a diminuição da desigualdade econômica. Friso, contudo, que o Brasil avança apesar de lentamente. Afirmo sem medo de errar que temos condições de fazer com que o Brasil seja considerado uma democracia plena. Basta que a sociedade se una e que todos façam sua parte.

*Fundador do Grupo Ser Educacional -janguie@sereducacional.com

UM CANTO DE AMOR



Valéria Sampaio* (abril de 1995)

Natureza virgem e pura
Que o homem não ouse te tocar
E que ele não lhe faça sofrer
Como faz a tantos dos teus filhos.

Ó, mais bela de todas as belezas,
Que habita a água das cascatas
E vê o orvalho nas folhas das tulipas.

Ouve este canto que os passarinhos tentam cantar.

Que canto é este tão branco
Que pela selva de espanto
Vem o fogo calar?

É o canto das andorinhas
Que nesta selva de espanto
Vêem seus filhos queimar.

É um canto de pranto,
É um canto de dor,
Vendo a vida morrendo,
Vendo o fogo matando,
Vê seus filhos chorando,
Vê o pranto correndo.

Que canto é este que trás
Tão triste melodia?

Ó deusa do amor,
Ouve este canto de dor,
Cala este canto
Como calaste tantos
De alguns filhos que nem chegaram a viver.

Acende uma luz em meio à escuridão
E chora mais uma vez a última andorinha.

Valéria Saraiva é enfermeira, pós-graduada em Saúde da Família, poetisa, cabense de coração que adotou nossa cidade.