sexta-feira, 23 de julho de 2010

INUMERÁVEIS NOITES



Natanael Lima Júnior

Da janela do quarto

vejo a noite transfigurar-se

bela sutilmente bela

única tímida frágil

refletindo-se negra

alma canção poesia



inumeráveis as noites



o universo se move

e as estrelas parecem paradas

renegadas? condenadas?

e as encontrei envelhecidas

nas madrugadas do meu corpo



inumeráveis as noites



quis possuí-las

e as vislumbrei despidas

reveladas de corpo inteiro

translúcidas vidas



inumeráveis as noites


*Natanael Lima Júnior é membro da Academia Cabense de Letras


julho/2010

MENSAGEIRA DAS VIOLETAS (Para Florbela Espanca)



Antonino Oliveira Júnior

Ó, construtora de versos e rimas,
flor bela que espalha lirismo
e espanca meu ser com poesias,
conquista-me
com a força das tuas palavras,
envolve-me com teus mistérios
e desbrava os sertões
dos tempos que me separam de ti.

Estendo mãos e coração para além-mar,
na espera inconsequente
de encontrar-te em ventos, em chuva,
em raios que doiram tua imagem,
para alcançar-te, quem sabe,
na esperança vã de te impedir o gesto
que te levou como corpo
e te deixou em forma de versos...

E não és, sequer, a razão do meu viver...

Ó, construtora de versos e rimas,
flor bela que espalha lirismo
e espanca meu ser com poesias!


*Antonino Oliveira Júnior é membro da Academia Cabense de Letras.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

CULTURA NO SHOPPING



O professor da rede pública do Cabo de Santo Agostinho que for ao Shopping Costa Dourada hoje, poderá adquirir, gratuitamente, um exemplar do Livro O MARQUÊS DE RECIFE - MORGADO DO CABO. Basta levar o contra-cheque ou outro documento de comprovação profissional. Quem não é professor poderá adquirir o Livro ao preço simbólico de apenas R$ 5,00. No caso da aquisição por compra, a direção do Shopping Costa Dourada decidiu por doar a renda à Academia Cabense de Letras.

Paralelamente, acontece no local a Exposição fotográfica "UMA CIDADE DE TANTAS HISTÓRIAS", com parte do acervo da Casa da Memória do Cabo, com apoio do Shopping Costa Dourada e Fundação Joaquim Nabuco.

A FLOR (do Nordeste para a Candelária)



(a uma menina de olhar tão infantil quanto ela mesma) – 1994

Antonino Oliveira Júnior

A avenida explodia
Na guerra dos homens
E o ar poluído
Ardia-me as entranhas.
Meio-dia de sol ardente
Sob o efeito estufa.
Vietnã, Golfo, Somália,
Nordeste, Carandiru, Candelária.

Em pleno momento agonizante
Germino e renasço
No teu olhar terno
E na pureza da flor que me ofertaste.

PS: Como imaginar que ao meio-dia, num engarrafamento de trânsito na Av. Agamenon Magalhães, uma menina de rua avançaria em minha direção para entregar uma flor?

*Antonino Oliveira Júnior é membro da Igreja Batista da Cohab e membro da Academia Cabense de Letras.

terça-feira, 20 de julho de 2010

LIVRO E EXPOSIÇÃO NO SHOPPING



Pça. da Prefeitura, sem a Prefeitura.

Dia 21, quarta-feira, o Shopping Costa Dourada será palco do lançamento do Livro sobre o Marqês de Recife e Primeiro Morgado do Cabo. O livro, patrocinado pelo Shopping Costa Dourada, será distribuído gratuitamente para os professores das escolas da rede pública (município e Estado) do Cabo de Santo Agostinho.
Abrilhantando o evento, haverá a exposição Fotográfica "Uma Cidade de tantas Histórias", composta por parte do acervo da Casa da Memória do Cabo.

DOMINGO É DIA DE FLICTS



A Troupe Cara & Coragem apresenta domingo, dia 25 de julho, FLICTS, adaptação de Aderbal Freire Filho do classico de Ziraldo. Final de férias da garotada, essa será a oportunidade para os pais levarem seus filhos ao Teatro e assistirem, também, um espetáculo de boa qualidade. A montagem cabense tem a seguinte Ficha Técnica: direção de Luiz Navarro, no elenco Osvaldo Castanha, Gilson Paz, Nice Albano, Belly Nascimento, João Pedro de Albano e Moraes, Kirly Katarine, Val Martins, Tierry Fernandes e Hilquis Oliver. Direção Musical de Zé Caetano e Nice Albano. Coreografias de Osvaldo Castanha e figurinos de Luiz Navarro e Síntia Alves. Será um espetáculo único de encerramento das férias e o ingresso será promocional, custando meia entrada para todos, ou seja, apenas R$ 5 reais.

Em agosto o grupo viaja ao espírito Santo, onde participará do Festival nacional de Guaçuí, naquele Estado. A ida a Guaçuí, segundo a direção da Troupe, recebe o apoio da Prefeitura do Cabo de Santo Agostinho.

Vá e leve seus filhos. Vale a pena conferir. Eu assisti e indico.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

A ESTRELA FRIA



O Instituto Maximiano Campos promove o lançamento do Livro "A ESTRELA FRIA", do escritor José Almino de Alencar, neste dia 20 de Julho, às 19:30 horas, na Livraria Cultura, em Recife.

ENTRE A PORTA E A ESQUINA



Antonino Oliveira Júnior*

Junho trouxe a chuva, os festejos juninos, a Copa do Mundo. Junho nos ofereceu também, via Luiz de Lima Navarro, ENTRE A PORTA E A ESQUINA, mais uma montagem da Troupe Cara & Coragem, grupo que já nos acostumou a bons espetáculos teatrais.

Luiz Navarro continuou a percorrer a sua caminhada como dramaturgo de forma horizontal, mantendo o bom nível ao abordar temas sérios e delicados, que envolvem as realações e reações humanas. ENTRE A PORTA E A ESQUINA, mais que um texto teatral, é uma reflexão acerca das relações mais aproximadas e mais intimistas que podem acontecer entre duas pessoas. O sentimento que aproxima, pode, igualmente, separar, tornar equidistantes duas pessoas que se amam. De um lado, uma mãe carente de afeto, externa o medo da perda que a liberdade do filho representa; do outro lado, um filho angustiado pela falta de perspectivas concretas, inseguro em dar os passos de afirmação que necessita dar. Carência e possessão, medo e angústia, amor e desamor, dão a tônica da luta de duas vidas que não conseguem se ver como vidas. No fim, a perda é inevitável, a luta travada não tem vencedores.

O elenco é um brinde para o público, com os atores Alcy Saavedra e Evânia Copino esbanjando competência e qualidade de interpretação. A direção segura de Luiz Navarro se mostra, digamos, de forma convencional, sem marcações mirabolantes, mas, valorizando o trabalho de ator. O cenário simples, não deixa de ser criativo e não se distancia dos atores e do texto. É uma casa, é um quarto, é um aquário, é uma prisão. Um enorme obstáculo ao crescimento de duas vidas. E ele estava entre a porta e a esquina.

Em síntese, um espetáculo acima do bom e que se aproxima do excelente. Um drama que precisa ser visto pelas platéias de Pernambuco e outras por aí afora.

Para encerrar, vou ser repetitivo: é lamentável que mais um bom espetáculo tenha o seu nível de direção e montagem ameaçados por um sistema de iluminação deficiente. É preciso profissionalizar a administração do nosso Teatro Barreto Júnior.

*Antonino Oliveira Júnior é membro da Academia Cabense de Letras.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

UMA MULHER MENINA


Antonino Oliveira Júnior

Teu sorriso de menina
Abre o tempo
E anuncia, da primavera,
As flores que perfumam teu corpo,
Por onde flutua meu olhar...

Um corpo de mulher,
Que desperta pensamentos
E libera desejos...

Um corpo percorrido pelo meu olhar,
Em silêncio, mas afoito,
Buscando em teus olhos
Começar a entrega.

Tímida, envergonhada,
A face rubra,
Pareces te esconder sob as pálpebras,
Deixando à mostra
Um sorriso entreaberto, sutil,
Com a beleza e a pureza
De uma mulher em moldura de menina.

*Antonino Oliveira Júnior é membro da Academia Cabense de Letras

O CHORO



Romero Menezes*

Após a desclassificação do Brasil pela Holanda, saí da casa do meu irmão Douglas, onde assisti todos os jogos, com o olhar atento para poder analisar o impacto causado pela inesperada derrota.

Fui caminhando, como sempre faço, até a localidade onde moro, olhando em cada rosto a reação do povo, o que deixou em mim a sensação de caminhar em um imenso “velório coletivo”. Além das lágrimas, um silêncio assustador.

Vi crianças e adultos chorando, vi os bares fechando suas portas, como se a tristeza ficasse ali guardada até a próxima Copa (eram 14 horas). Presenciei também o apagar das churrasqueiras, sob a chuva fina que caía na tarde da mais triste sexta-feira do ano.

No meu caminhar, cheguei à conclusão ser um verdadeiro absurdo tanta gente chorar e sofrer por um simples jogo de futebol. Continuei convencido ser coisa de idiota e fanático. Lembrei minha avó, que sempre me dizia: -Quando chorar, Romero, nunca chore por tolices.

Confesso que segui meu caminho com um certo ar de superioridade, pois, apesar de ser brasileiro, estava sendo diferente da maioria de idiotas e fanáticos. Não estava chorando. Chorar por futebol? Por que? Tô fora! Quem quiser, que chore.

Cheguei na minha moradia bastante cansado. Coloquei a sacola sobre a mesa, sentei no sofá e tirei os sapatos. Aí, lembrei da seleção, senti um forte aperto no peito...
E também comecei a chorar.


*Romero Menezes é funcionário do CRAS da Charneca.

terça-feira, 13 de julho de 2010

SURGEM OS PRIMEIROS NACs




Jaboatão dos Guararapes começa a conviver, a partir de amanhã (14 de julho de 2010), com os primeiros frutos do Projeto de implantação dos NÚCLEOS DE AÇÃO CULTURAL (NACs). Iniciado em outubro do ano passado, o projeto cumpriu as suas fases de alicerce.

Os NACs são células culturais que resgatam e fomentam as manifestações culturais das comunidades. Tudo se inicia com uma pesquisa feita junto às comunidades, e com base nos resultados, é planejado o processo de implantação para aquela localidade.

Hoje acontece, no Hotel Barramares, o lançamento oficial do projeto, a partir das 8 horas da manhã, com apresença do Prefeito Elias Gomes, Secretário e Oficineiros e Coordenadores dos NACs.

Na quarta-feira acontece a abertura do NAC de Cajueiro Seco, às 9 horas da manhã, onde serão ministradas, a partir de então, oficinas de Capoeira, Percussão, Dança e ritmos Afros. Nos próximos dez dias acontecrão a abertrura de mais três NACs, nas comunidades de Cavaleiro, Comporta e Jaboatão Centro.

VIEMOS PELA MÃO DAS HORAS



Natanael Lima Jr


Viemos pela mão das horas,

pela mão dos séculos.

A existência em nossa mão

desregrada, efêmera.



Viemos donde tudo é transitório

e o desconhecido,

um sonho irrevelado.



De que norte ou miragem

limitamos a morte?



Viemos

pelo desejo de recriar,

transformar, transcender

a dor e ciciar de emoção

que fala à alma e revela,

pelas vias do coração.


*Natanael Lima Jr. é membro da Academia Cabense de Letras

FLICTS



Foto: Weidson Gomes

No fim-de-semana que passou (10 e 11 de julho), no Teatro Barreto Júnior (Cabo de Santo Agostinho), aconteceu a estréia do espetáculo FLICTS, uma obra-prima infanto-juvenil de Ziraldo, adaptado por Aderbal Júnior. A montagem é do Grupo Cabense TROUPE CARA & CORAGEM, sob a direção de Luiz Navarro e um elenco de excelente nível de interpretação, destacando-se o jovem ator Osvaldo Castanha, com uma interessante presença de palco, principalmente quando executa passos de frevo e interpreta o texto de Ziraldo. Acompanhando Osvaldo Castanha, um elenco de bom nível de atuação e com a perspectiva de crescimento ao longo da temporada.

A direção musical, a cargo de Nice Albano (que também atua como atriz) e Zé Caetano, reafirma o nível profissional do espetáculo, que se complementa com uma coreografia muito boa, dirigida por Castanha, e um figurino que contou com a participação da artista plástica Síntia Alves. A iluminação não demonstrou o mesmo acerto do restante da montagem, devido, acredito, à precariedade do próprio sistema de luz do Teatro Barreto Júnior, que costuma prejudicar os espetáculos ali apresentados.

Um espetáculo que emociona e nos dá lições incríveis de comportamento social. Lições de companheirismo, de humildade e de tolerância. FLICTS é a afirmação de que não se deve temer o novo,com aquilo que representa uma nova face. Com Flicts, Ziraldo está a nos lembrar de que é preciso acabar com o sentimento de exclusão, seja pelo medo ou pelo preconceito. Incluir-se em seu conjunto social é a grande luta de FLICTS.

Com FLICTS, a TROUPE CARA & CORAGEM representará Pernambuco no Festival Nacional que acontece em agosto, na cidade de Guaçuí, Espírito Santo. Pelo que assistimos, fica a certeza de que Pernambuco estará bem representado no Festival, e que o teatro do Cabo de Santo Agostinho voltará laureado em mais um Festival.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

ESTA CIDADE... ( PARABÉNS)



Douglas Menezes*

Às vezes menina-moça, assim tão jovem como à espera do primeiro amor. Sim, na avenida quase arborizada, de casas novas e pracinha moderna, o Cabo é uma namorada que se envaidece do seu jeito faceiro e de sua formosura adolescente, como se fora assim. Como se o tempo todo não houvesse passado. Se diz moderna, como a mais moderna das meninas que andam por aí, tendo o ontem tão bonito como o hoje. Uma história que nos enche de encanto, tal qual o presente e o futuro que se misturam. E apesar desse comportamento contemporâneo tão vivo e palpitante, pulsando tal coração emocionado, não esconde o seu romântico lirismo. É como se mocinhas e rapazes que moram ou frequentam a avenida e seus arredores guardassem um quê de ingenuidade antiga e um leve saudosismo, mesmo sem terem tempo de sentir saudade.

Ali a cidade que surge, anunciando a nova era emergente. A Historiador Pereira ironiza a parte velha, afirmando sua jovialidade nas transversais bem traçadas, nas construções que aparecem todo dia e, principalmente, no ar novo-burguês de seus habitantes, que se consideram viventes de um bairro nobre.

E no movimento incessante, na zoada estridente e melódica dos colegiais afogueados e cheios de vida, está o lado menino deste lugar, que se estende de norte a leste, numa expansão que não tem fim, ruas e avenidas multiplicando-se, afirmando um futuro que chegou e, lógico, com os problemas advindos do progresso chegado com toda a carga de coisas ruins, mas também boas que todo desenvolvimento traz.

Noutro extremo, ao sul, os morros e a parte antiga, orgulhando, pois foi onde tudo quase começou. A sensação à flor da pele de que aqui a descontinuidade, essa antítese, esse paradoxo, na verdade, é elemento que une. Elemento atravessando os séculos e fazendo desta cidade, surgida do massapê, do barro da vida, um instrumento de redenção para muitos, mais os de fora, menos os daqui, mas assim mesmo tornou-se ela a mãe que abriga, que dá leite, que possibilita a sobrevivência. A mãe centenária que ama os filhos e que não cobra retorno do amor oferecido, sofrendo ou não o desdém dos desnaturados. Parabéns amamentadora de sonhos e desilusões. De alegrias e tristezas. És o guarda-chuva que nos ampara a todos, sejam ou não nascidos aqui.
JULHO DE 2010.

*Douglas Menezes é professor, escritor e membro da Academia Cabense de Letras.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Carta a Dr. Ulysses



Roberto Menezes*

Dr. Ulysses:
Essa carta é tão absurda quanto a sua morte, há 17 anos atrás. Fiz a sua campanha presidencial. Lembro-me das imagens que via na ilha de edição: o senhor estava sempre cercado por crianças, que lhe faziam agrado e lhe beijavam. E o senhor falava isso para todos nós. E sempre alguém lhe dizia, procurando cortar sua alegria com a infância: "Criança Não Vota".

Tanto era sua alegria com os pequeninos que o senhor achou de morrer no dia 12 de outubro, Dia da Criança. E mais simbólico ainda: o senhor que sumiu nas águas para sempre, achou também de morrer no dia de Nossa Senhora Aparecida, a imagem negra que apareceu nas águas aos pescadores. E outro significado tão forte quanto os que citei: Nossa Senhora Aparecida é a Padroeira do Brasil, o país que sempre teve a sua presença, Dr.Ulysses, nos momentos mais dramáticos, sempre ao lado do povo brasileiro. Na época de sua campanha eu liguei de Brasília para o jornalista Ricardo Carvalho, no Recife, dizendo que essa armação da TV Globo para eleger Collor, só um candidato com a estatura moral e cívica de Ulysses Guimarães é que poderia desarmar. Só a eleição do Dr. Ulysses. Mas o Dr. Ulysses estava enfraquecido demais. O povo, imbecilizado, preferia o herói de camisa aberta ao peito junto de sua Barbie. Ricardo Carvalho, com a experiência de jornalista e peemedebista histórico, sem nunca misturar as duas coisas, concordou comigo.

Hoje o Brasil é outro. Aparentemente, moderno, sólido na economia e com direitos sociais assegurados. Mas piorou muito no tecido social e na política. No tecido social, assistimos a uma guerra civil aberta entre os que nada têm e os que consomem tudo que podem comprar. Na política, porque as Repúblicas de Alagoas e do Maranhão se uniram para ditar suas regras, como sempre contra o povão. Collor, aquele mesmo que chamava Sarney de corrupto e Lula de ignorante, agora se dá ao direito de atacar um homem íntegro como Pedro Simon em defesa de Lula e de Sarney.

E o povo, onde está o povo? Seria a sua pergunta, Dr. Ulysses. O povo está querendo celular de última geração, tem barraco de favela que tem TV de plasma, e quando o dinheiro do Bolsa Família não dá para pagar todos os cartões de crédito adquiridos, vai assaltar nas esquinas, fazer arrastões, entrar como boi de piranha do tráfico de drogas. Tudo isso estimulado pelos novos ares de consumo. A fome não foi zerada. Ano passado, o Diário de Pernambuco mostrou, em excelente série, as crianças desnutridas dos cafundós do Nordeste. Parecia Biafra. Falta de comida, mesmo. Crianças (várias) com quase cinco anos e que não andavam de fraqueza, de desnutrição. A fome do povo não zerou. A politização do povo, sim. A mídia, vendida como sempre, cuida de criar o consenso. Instila nas massas um voluntariado imbecil e uma idolatria política sem nenhuma consciência crítica. Até no Dia do Trabalho, este ano, a TV Globo destacou desempregados mostrando a carteira para a imagem de uma santa numa procissão no ABC paulista, onde antes os operários protestavam e faziam greve contra o desemprego e os baixos salários. Agora, se espera milagre de santo. E em seguida, a TV Globo mostra reportagens sobre o Dia do Trabalho nos outros países: protestos, polícia metendo o cacete, manifestantes revidando, contra a crise e o desemprego e os baixos salários. Como um aviso aos brasileiros: aqui é o homem cordial, pacífico até no desemprego, e com muita fé. Lá fora, é o inferno dos eternos agitadores e terroristas.

Dr. Ulysses, no Brasil "desse povo que canta e é feliz", o suborno para conseguir o voto popular virou oficial. A enganação é a teoria que move o governo, que contrata até o papa dos twisters e blogs da campanha de presidente norte-americano Barack Obama para a campanha do PT. Aliás, PT, saudações.
Simpatizo, e disse publicamente nesse site, com a candidatura de Marina Silva, uma mulher extraordinária, pessoa simples, que veio do povo e o conhece bem. O problema é que o PV, o Partido Verde, o partido de Marina, tem logo de cara um Zequinha Sarney. E eu temo que o jeito manso, mas inteligente, da fala daquela morena, seja abafado pelo rolo compressor oficial, cheio de vozes possantes e olhares fulminantes (como o olhar de Collor contra Pedro Simon). Eu até escrevi um texto que o senhor desaprovaria, porque pornográfico. Escrevi um dia depois em que vi um Pedro Simon acuado e com medo do olhar da serpente. Esse texto mandei para algumas pessoas, refiz ele até tirando certas alusões que poderiam confundir, mas ele ficou pesado pra ser publicado. Baseei-me na História do Olho, de Georges Bataille. Mandei pro editor do site conhecer somente, lembrando que um texto desse não se publica. Mandei também pra algumas pessoas experientes, poupando os mais jovens. Agora, eu estou mandando para o senhor. Ele não será publicado, mas a moçada que não conheceu esse texto, vai conhecer. Ah, vai sim. É meu último desejo, como dizia Noel Rosa.
Dr. Ulysses, às vezes eu penso que a Dilma Roussef poderia ser uma solução. Autoritária e convencida de que o Brasil precisa se armar para defender suas riquezas (o Exército nem comida têm para os recrutas, os militares até hoje que não sabem que deram um golpe contra eles mesmos em 1964 para atender aos interesses dos Estados Unidos). Então a Dilma pensa em usinas atômicas, mísseis, aviões de combate, o contrário da ecologista Marina. Talvez até fosse bom uma usina atômica em cada beira de grande rio, como o Amazonas e o São Francisco, para nos garantir energia. E a fabricação da bomba atômica. O Brasil parece que está precisando mesmo de uma guerra, Dr. Ulysses, com o povão em pânico vendo o seu próprio despertar. Porque perdemos todas até agora: a Revolta dos Alfaiates, A Revolta dos Muçulmanos na Bahia e Alagoas, a Guerra de Canudos, a do Contestado, a Revolta de Pau de Colher, a do Araguaia. Uma guerra faria verter o sangue dos inocentes sobre essa "pátria mãe gentil", mas, também cortaria de vez os pescoços dos que formam o grande abscesso, que tem um olho por onde o pus não sai. Pelo contrário, engorda o abscesso: o olho de Collor. Cortaria o pescoço até dos que engordaram tanto com a roubalheira que nem mais pescoço tem. Só barriga. Então que se tirem as tripas deles.

O senhor, Dr.Ulysses, era um homem conciliador, mas altivo e guerreiro. Ouço o senhor dizer que não devo mandar a História do Olho para as novas gerações. Iria chocá-los ou gerar pessimismo. Mas a moçada vai entender: nos tempos de hoje se entende de bunda melhor do que no seu tempo.

Fique peixe, Dr.Ulysses.
O senhor leia onde estiver. E saiba de coração, que o senhor faz uma falta danada no Brasil de hoje.

Cordialmente
Roberto Menezes

*Roberto Menezes é Jornalista

OFICINA GRÁTIS DE CRIAÇÃO EM DANÇA




O 8° Festival Estudantil de Teatro e Dança, que será promovido de 12 a 29 de agosto, no Teatro Apolo, pelo produtor Pedro Portugal, abriu inscrições gratuitas para a oficina “Reflexões e Instrumentos: Processo de Ensino/Aprendizagem Para a Criação em Dança”, com o coreógrafo, bailarino e arte educador Paulo Henrique Ferreira, diretor do Acupe Grupo de Dança.

As aulas acontecerão no Teatro Hermilo Borba Filho, de 09 a 13 de agosto, das 9 às 12h. A oficina é voltada para participantes do festival e bailarinos, coreógrafos e professores de dança, independente do estilo. O objetivo é estudar na prática e na teoria os princípios gerais da linguagem do movimento do corpo, seus fundamentos históricos e, também, composição coreográfica e a metodologia no ensino de dança, contextualizada com o processo de ensino aprendizado. Inscrições gratuitas pelo e-mail festivalestudantil@gmail.com.

É preciso mandar um breve currículo. São 25 vagas no total, sendo vinte para participantes do evento e cinco para o público em geral (haverá seleção). Maiores informações: (81) 9146 2402 / 9292 1316.

terça-feira, 6 de julho de 2010

JOSÉ SARAMAGO, A CONSISTÊNCIA DOS SONHOS



Antonio Campos*

Tive a oportunidade de ver no Instituto Tomie Ohtake, na capital paulista, há dois anos, a exposição José Saramago: a consistência dos sonhos. A mostra, que também foi exibida em países como Espanha e Portugal, reuniu cerca de 500 documentos originais do escritor apresentados através de recursos digitais e audiovisuais. Organizada pelo diretor da Fundação César Manrique, Fernando Gómez Aguilera, o evento contou com obras inéditas, traduções, manuscritos, notas, primeiras edições, fotografias pessoais e vídeos. Foi uma forma de comemorar os 85 anos bem vividos de Saramago. Uma bela exposição.

No último dia 18 de junho, uma nota publicada pela Fundação José Saramago anunciou que o escritor português homenageado pela instituição morreu aos 87 anos. O intelectual faleceu por conta da leucemia que enfrentava há vários anos. No momento de sua morte, o autor de "Ensaio sobre a cegueira" estava em casa junto da família no arquipélago espanhol Lanzarote onde vivia desde 2003.

Conheci Saramago na minha adolescência, durante o segundo governo de Miguel Arraes em Pernambuco. O escritor era um dos integrantes da comitiva do presidente de Portugal na época, Mário Soares. Na ocasião, lembro-me que meu pai, o escritor Maximiano Campos, conversou longamente com Saramago e que Arraes - meu avô - foi presenteado por Mário Soares com uma litografia do pintor português Julio Pomar com a imagem de Fernando Pessoa. Litogravura essa que também foi dada à José Saramago, que a expunha em sua casa. Hoje, guardo carinhosamente o quadro que herdei do meu avô lembrando dele, de Fernando Pessoa, de Saramago e de nossa ancestralidade ibérica.

O vencedor do prêmio Nobel de Literatura em 1998 ficou conhecido pelas obras "Memorial do convento", "O evangelho segundo Jesus Cristo” e "O ano da morte de Ricardo Reis", livro através do qual conheceu sua segunda esposa: a jornalista e tradutora espanhola Pilar del Rio que passou a se interessar pela obra de Saramago a partir da leitura do romance traduzido para espanhol “La muerte de Ricardo Reis”. Ao terminar de ler o livro, a jornalista se sentiu extremamente emocionada e “chorou compulsivamente”. Foi então que ela resolveu procurar o escritor para agradecer o livro e a emoção que sentira ao lê-lo. Nasceu assim uma relação de amizade, que aos poucos deu lugar a uma relação sedimentada e em 1988 se tornou um casamento construído com a mais intensa cumplicidade. Foi uma grande história de amor.

No dia em que o falecimento do português completou sete dias, a escritora e atual diretora da Casa Fernando Pessoa, Inês Pedrosa, que esteve na edição da Fliporto 2009, juntamente com a viúva do literato criaram um evento que marcou a morte do autor. Através da leitura coletiva do clássico O ano da morte de Ricardo Reis, centenas de pessoas puderam recordar Saramago. O mundo ficou um pouco mais cego e triste com a morte de Saramago. Contudo, a consistência de seus sonhos por um mundo mais livre e justo permanecerá.

ANTONIO CAMPOS e Advogado e Escritorr

Fonte: Território da Palavra.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

AO PIRAPAMA



Zeca Plech

Ridentes margens, plácidas, amenas,
A recenderem tépida flagrância,
Éreis, no estio, não recreio, apenas;
Mas epicúreo Val, flórida estância.

Essas paisagens clássicas, helenas,
De virgínea, bucólica elegância,
Trazem-me à mente as mais risonhas cenas
De uma longínqua, farta e doce infância.

Encantamentos, flores, utopias...
Onde o banho lustral daqueles dias,
Em que brincava, ingênuo, em tuas águas?

Hoje, a usina – Locusta agindo às claras –
Tornou-as negras, pútridas, amaras,
Como as do curso vil das minhas mágoas.

*Zeca Plech é um dos Patronos da Academia Cabense de Letras.

EXISTIRMOS



Natanael Lima Júnior


Acabo de traduzir o acaso:

existirmos o que se destina ser


e o excesso me serve

no gozo de sê-lo

tão infinito, eterno


minha ciência, o universo

qualquer outra não me acrescenta

exceto a alma que anima

e a palavra que semeia


existirmos, o que se destina ser?

*Natanael Lima Júnior é membro da Academia Cabense de Letras

sexta-feira, 2 de julho de 2010

O PALHOÇÃO DO SHOPPING




No período de 02 a 29 de junho, aconteceu o Palhoção Costa Dourada, armado na Praça de Eventos daquele Shopping. Durante o mês de junho, o legítimo forró pé-de-serra rolou solto, sempre das quartas-feiras aos domingos. Barraquinhas foram armadas ao redor do Palhoção, vendendo comidas típicas da época junina, como a pamonha, a canjica, o milho verde, etc.

Rafaella Barros, coordenadora de marketing do Shopping Costa Dourada, é toda sorrisos com o sucesso da iniciativa.

"ENTRE NÓS"



Foto: Breno Cesar

A partir desta sexta-feira, dia 02, “Entre Nós”, com a Cia. Vias da Dança, estará em cartaz somente às sextas-feiras de julho, às 20h, no Teatro Barreto Júnior (rua Estudante Jeremias Bastos, s/n, Pina. Tel. 3355 3054). Ingresso: R$ 10 e R$ 5 (estudantes, professores com carteira e maiores de 60 anos). Incentivo: Funcultura/Governo do Estado de Pernambuco

No elenco, Juan Guimarães, Eduardo Carvalho, Simone Carvalho, Andréa Salcedo, Ana Gama, Fernando Oliveira, Januária Finizola e Patrícia Cruz. Trata-se de um espetáculo de dança contemporânea concebido e coreografado pelo premiado Ivaldo Mendonça (que já integrou a Cia. dos Homens, no Recife, e a Cia. Deborah Colker, no Rio de Janeiro), sob direção geral de Heloísa Duque. É uma espécie de ode ao amor, retrato de encontros e desencontros, com o corpo dos bailarinos sendo visto como reduto de dor e alegria, complementando-se uns aos outros; a emoção dividida entre dois ou mais amores, não importando a cor ou o sexo dos indivíduos. Tudo embalado pelas músicas interpretadas magistralmente por Maria Bethânia, que canta ao amor, o início ou o fim dele, o próprio recomeço, mesmo utópico, numa homenagem aos sentidos.

terça-feira, 29 de junho de 2010

UMA ELEIÇÃO MEMORÁVEL


Douglas Menezes*

Corria o ano de 1972. Anos de chumbo aqueles daquela década. Tortura, mortes e medo, muito medo. Ser oposição ao regime militar era tarefa para fortes, para as pessoas que possuíam, acima de tudo, uma consciência democrática e capacidade de doação acima de suas conveniências pessoais. Aquelas que são úteis e imprescindíveis porque lutam a vida inteira. São os que sacrificaram a própria vida para que hoje respiremos os ares democráticos da ainda incipiente democracia brasileira.

Pois bem. Naquele ano, haveria eleição para prefeito. Forma que a ditadura encontrou para dar um feitio democrático ao regime de exceção, já que não havia pleito nem para governador, presidente ou governante das capitais. E a cidade do Cabo de Santo Agostinho era uma das mais visadas pela sua importância econômica e, sobretudo, por sua politização e pelo fato representar um dos centros da resistência democrática. Uma cidade em que o governo não admitia sair derrotado.

Já naquela época, o instituto da sublegenda funcionava a todo vapor. Instrumento criado para dificultar o avanço da oposição ao regime, consistia na soma de votos de um partido que poderia eleger um candidato mesmo sendo ele o menos votado. Com isso, o governo lançou, na eleição do Cabo, dois candidatos: José Feliciano de Barros e Vicente Mendes Filho, pela Arena, partido governista; enquanto a oposição ia de Lúcio Monteiro e José Ribeiro de Jesus.

Sem dinheiro, usando um fusca velho e um banquinho para fazer discurso, Lúcio Monteiro conseguiu empolgar o povo, desbravando o caminho para a renovação política do Cabo, além de um aspecto importante: o apelo à conscientização política, abrindo espaço para que o poder econômico influísse menos na eleição. Uma campanha memorável. Lúcio teve mais de cinco mil votos, ganhou do segundo colocado com uma diferença de quase mil e quinhentos votos mas perdeu, porque a soma dos dois candidatos da Arena suplantou sua votação. No entanto, a lição ficou. Uma década depois, um político de esquerda ganhava as eleições no Cabo: Elias Gomes iniciava uma nova era na política cabense.

Os cabenses um pouco mais velhos não podem esquecer esse fato histórico. Após o resultado das urnas, Lúcio foi carregado pelas ruas da cidade, nos braços do povo, que gritava seu nome. Há derrotas que de tão emblemáticas parecem vitórias, pelo seu sentido épico, por representarem a possibilidade real de mudança e a chegada de um futuro melhor para as pessoas. Isto aconteceu e eu vi.
Cabo, 28 de junho de 2010.

*Douglas Menezes é membro da Academia Cabense de Letras.

2º FESTIVAL DE TEATRO DE IGARASSU




Já estão abertas, até dia 23 de julho, as inscrições para o 2º FESTIG (Festival de Teatro de Igarassu), que será promovido de 03 a 12 de setembro naquele município, pelo Grupo Teatral Ariano Suassuna, sob a coordenação de Albanita Almeida e André Ramos, com incentivo do Funcultura/Governo do Estado de Pernambuco e apoio da Artepe (Associação de Realizadores de Teatro de Pernambuco). A ficha de inscrição e regulamento de participação, tanto para os espetáculos para adultos ou para crianças, incluindo montagens de rua ou com bonecos, estão disponíveis no endereço eletrônico www.artepe2004.blogspot.com. O evento vai prestar homenagem ao produtor cultural Pedro Portugal, realizador do Festival Estudantil de Teatro e Dança no Recife. Maiores informações: grupoteatralarianosuassuna@yahoo.com.br ou grupoteatralarianosuassuna@hotmail.com / 8765 6633 / 9155 8317.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

SEXTAS DE LETRAS




Inicialmente marcado para começar no dia 2 de julho, o Projeto SEXTAS DE LETRAS, reunião aberta da Academia Cabense de Letras, foi adiado para 6 de agosto, a primeira sexta-feira do mês.

Os acadêmicos decidiram pelo adiamente por conta do recesso escolar, uma vez que o projeto deseja alcançar, prioritariamente, a juventude, mais concentrada nas escolas.

A primeira reunião aberta terá como palestrante o professor Nelino Azevedo, Presidente da ACL, que falará sobre "A PEDAGOGIA HUMANÍSTICA DE PAULO FREIRE", sucedendo-se debate entre os acadêmicos. O evento acontecerá na Câmara de Vereadores do Cabo, a partir das 19 horas.

EM JULHO, OS PRIMEIROS NACs



Os Núcleos de Ação Cultural nascem da discussão com a comunidade.
O Secretário de Cultura, Ivan Lima, comanda a implantação dos NACs

Jaboatão dos Guararapes recebe, a partir de julho, as primeiras unidades dos NÚCLEOS DE AÇÃO CULTURAL (NACs), que representam a implantação de uma política cultural para o município. O Projeto é desenvolvido pela Secretaria de Cultura e Eventos e tem seus alicerces na discussão com as comunidades dos divesos bairros, com o objetivo de traçar um norte para a cultura local, a partir da demanda detectada junto à população.

Tudo começa com um trabalho de pesquisa junto à comunidade, que responde questionários que são aplicados pelos Agentes Culturais. A partir do resultado das pesquisas, são planejadas as ações para cada bairro. Dentre as questões dos formulários das pesquisas, três são fundamentais: O que havia de manifestação cultural nesta comunidade e já não existem? Que manifetações culturais existem hoje na comunidade? Que atividades culturais você gostaria que acontecessem na sua comunidade?

A partir daí, os Núcleos de Ação Cultural passam a existir. É a Gestão Participativa na cultura. Nada é jogado de cima para baixo, na comunidade. O processo teve início em outubro do ano passado e agora começa a dar os primeiros frutos, em Cajueiro Seco e Comporta, e, brevemente, em Jaboatão Centro e Cavaleiro.

A implantação dos NACs é uma realização da Secretaria de Cultura e Eventos, sob a coordenação da Gerência de Cultura. O Secretário municipal de Cultura, Ivan Lima, não tem medido esforços para que o Projeto seja viabilizado, alcançndo o objetivo de ter um NAC em cada bairro, formando um cinturão cultural em Jaboatão dos Guararapes. Os NACs de Cajueiro, Comporta, Jaboatão centro e Cavaleiro são considerados pilotos, passando pelo processo de avaliação a partir do fucionamento.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

CONSUARTE EM FESTIVAL CEARENSE




A Cidade do Cabo de Santo Agostinho será representada pela ConsuArte Ltda. no VII FECTA (Festival de Esquetes da Cia. Teatral Acontece) em Fortaleza - Ceará. A ConsuArte é uma Empresa Cabense de Produção Cultural, que atualmente presta serviço atuando em áreas integradas: Segurança, Qualidade, Saúde, Meio Ambiente e Responsabilidade Social, sempre utilizando a Arte como principal ferramenta para alcance de resultados especialmente o Teatro Empresa. Conheça um pouco mais acessando o site: www.consuarte.com

No ano de 2010 o FECTA, torna-se um festival Nacional e nesta edição terá trinta e duas esquetes. O período do festival será de: 23/07/2010 à 30/07/2010.
A ConsuArte participa com duas esquetes: Os Seminaristas – Texto - Flávio Alves, Direção - Lugg Alves, e no elenco – Gilson Paz e Lugg Alves. E a outra esquete selecionada foi Lição de Segurança – Texto de Flávio Alves, Direção – Lugg Alves, e no elenco – Flávio Alves, Flávio Silva e Lugg Alves.
A equipe técnica consta com o apoio de Ednilson Oliveira do Grupo da Gente – GRUDAGE.

FUTEBOL E CIDADANIA



Douglas Menezes*

É muito gostoso esse clima de Copa do Mundo que paira sobre o país. Interessante, à hora de cada jogo do Brasil, as ruas, lentamente, ficando desertas, silêncio de milhares de cidades fantasmas, como se todo mundo abandonasse o país e fosse para outro planeta .Dizia o grande Nelson Rodrigues: “a seleção é a Pátria de chuteiras”. Realmente a Nação se mobiliza quando o assunto é o escrete em confronto com o mundo. Mais além ,o sonho de milhares de meninos pobres, quase sem futuro, parece se aproximar da realidade. Os jogos na televisão têm o valor de catarse.
Nossas crianças sonham em fazer as mesmas jogadas e completarem para o gol. Cada um desses meninos é Kaká, Luís Fabiano, Robinho, Júlio César, ou até o inimigo comum e argentino Messi. Mas, sabemos, poucos irão atingir um pedaço dessa glória. Muitos que se tornam jogadores profissionais, não passarão de mais um contingente que vai ganhar até três salários mínimos, a grande maioria dos salários de jogadores profissionais do país. Outros morrerão sem nem ao menos sentirem no bolso, o gosto de uma remuneração como jogador. Infelizmente essa a grande maioria, aumentando a fileira de frustrados pretensos jogadores.

Este é apenas um lado dessa reflexão sobre o futebol e a Copa. Ao passo que é bonito ver o povo se motivando, colorindo as ruas, enchendo de alegria essa nação ainda tão sofrida e cheia de fossos sociais, vibrando, acelerando o peito, quase às vezes enfartando e sentindo orgulho em ser brasileiro, por outro lado, é forçoso dizer da alienação causada pelo futebol e pela despolitização da população brasileira.

Que bom seria se toda essa movimentação e conhecimento de causa, tivesse um outro direcionamento. Não fosse apenas um eco da fantasia que o futebol proporciona. Que a gente entendesse não só de bola, mas, sobretudo de cidadania. Que a gente banisse de vez os corruptos da cena política. Que tivéssemos o sonho de não vermos nunca mais pessoas passando necessidade, e que a Educação Pública não fosse objeto apenas de tema às vésperas da eleição, sendo depois, posta em prática de modo hipócrita e mentiroso. Que reagíssemos com indignação ao vermos irmãos morrerem nas filas dos hospitais públicos, sempre abarrotados e tendo a desculpa de que nunca há dinheiro pra saúde, quando há para show e divertimentos duvidosos, num circo que não deveria interessar a ninguém. Aí estaríamos ganhando a verdadeira Copa da Cidadania. A copa que não dá alegria apenas por um mês, mas por décadas a fio e que nos tornaria um país feito de irmãos, sem a violência fraticida, que até hoje nos enfraquece e nos faz menor perante a humanidade.

*Douglas Menezes é professor e membro da Academia Cabense de Letras

A REVOLUÇÃO TIRA O ENCANTO DO MUNDO



Roberto Menezes*

Explico porque escrevi lá em cima que a Revolução tira o encanto do mundo. Na obra-prima de filosofia, economia, e prática revolucionária, "O Capital",Karl Marx mostrou que o modo de produção capitalista faz que com vejamos tudo de modo invertido. Daí ele parte pra fazer o que fez com Hegel : extirpa, tira com, cirurgia de mestre, o abscesso do idealismo. Resta a realidade : o capital é uma máquina insaciável de explorar trabalhadores, de transformar gente em bagaço de cana como nos engenhos e usinas. Com um agravante: no capitalismo o trabalhador paga pra trabalhar e pensa que está recebendo. Sempre. Não adianta isso de sociedade cibernética,pos-industrial, sociedade líquida ou trabalho imaterial. É tudo mistificação ideológica. Na base de tudo, a mais-valia, o trabalho excedente que não é pago. O salário é para o trabalhador se alimentar com a família,comprar roupas, pagar o teto onde mora, e fazer o seu “lazer”: cachacinha no pendura, futebol enquanto que o preço do ingresso não sobe, e de vez em quando uma trepadinha .Quando a mulher, também trabalhadora, está com disposição de encarar um quarto turno.Como isso vem acontecendo também com a classe média,confirma-se que os pequenos-burgeses estão,rapidamente, virando proletários. Outra conclusão de Marx. E não adianta dar como exemplos a vida cultural e/ou gastronômica,ou mesmo as baladas e motéis do Rio,São Paulo,Brasília ou Floripa. . Sabemos que a mais-valia agora chega também (e como!) pelo cartão de crédito e pelo cheque especial.Assim como pelo consumo a crédito do proletariado. * Um velho cantor de rock que comandou a Revolução Russa de 1917 gritou do palco: ”sem teoria revolucionária não existe ação revolucionária”. E é isso que me preocupa no Movimento Bolivariano. Sabemos que a mídia faz a cabeça do brasileiro, “anti-comunista”desde que estava no ventre da mãe ( com exceção dos comunistas e demais correntes revolucionárias). Sabemos que Chavez é antipatizado por essa maioria tão estúpida,embrutecida e burra , que se traveste de silenciosa mas de vez em quando vomita sua absoluta falta de politização, quando a Tv Globo lhe dá os 30 segundos de glória de uma vida medíocre. Sabemos também que Evos Morales é mal visto, é “o cara que queria sacanear o Brasil, trair Lula e encampar a Petrobrás”. A manada silenciosa é contra tudo que foge da rotina, e chama os inconformados e militantes de “turma do derruba”. Então o Movimento Bolivariano PRECISA MESMO de uma articulação teórica. Não para que os companheiros , que querem realizar o belo projeto da Nuestra América, fiquem se masturbando em considerações acadêmicas. Nada disso. Mas a teoria justa, certa,consciente, é necessária para uma prática justa, certa,consciente. Não esqueçam o velho cantor de rock soviético. Ele é tão atual quanto os belos romances de Karl Marx. * Uma intelectual da área acadêmica, com quem eu precisava fazer contato para o roteiro do meu filme , passou pela minha página do Orkut no dia em que eu falava da beleza das guerrilheiras da Farc, e da atração sensual que elas me passaram naquele vídeo. A intelectual, também uma mulher bonita,deve ter achado que sou um machista obsceno pra escrever um texto daquele na semana dos 100 anos do Dia Internacional da Mulher. É que eu digo o que sinto e nisso vou misturando política e sexualidade,cinema e filosofia. Pena que ela não tenha lido a mensagem que mandei via email para todas as amigas do Orkut e mais de 100 mulheres do meu cadastro de emails.Nada de parabéns, agradinhos e deslumbramentos. Foi uma seca análise marxista do que significava o Dia Internacional da Mulher, que completava um século. Mandei pra todas,intelectuais ou não .Leitoras de Che ou espectadoras de novela das 8. Mas deixei o recado. Nada de luta entre gêneros, e sim luta de classes. A bela acadêmica deve ter ficado assustada com meu texto do Perfil. Entrei na página dela no Orkut e encontrei o lugar do perfil ocupado por um texto em alemão. Desta vez, o susto foi meu. E ficamos assustados um com o outro. Até hoje.

domingo, 2 de maio de 2010

*Roberto Menezes é Jornalista

sexta-feira, 18 de junho de 2010

O MUNDO ESTÁ MAIS POBRE - MORREU JOSÉ SARAMAGO




Morreu, aos 87 anos, o poeta e escritor portugês JOSÉ SARAMAGO, Prêmio Nobel de Literatura. Há algum tempo com a saúde fragilizada, o poeta Saramago deixa para o mundo um herança com os mais belos tesouros da literatura. Somos gratos por estar neste mundo na mesma época em que ele. Sobre a sua partida, apenas afirmamos: "O mundo fica mais pobre".

ARTE DE AMAR

José Saramago

Metidos nesta pele que nos refuta,
Dois somos, o mesmo que inimigos.
Grande coisa, afinal, é o suor
(Assim já o diziam os antigos):
Sem ele, a vida não seria luta,
Nem o amor amor.

José Saramago, in "Os Poemas Possíveis"


"Os ricos governam e os pobres vivem como podem" (Saramago)

quinta-feira, 17 de junho de 2010

ENTRE A PORTA E A ESQUINA



Foto: Wedson Gomes

Nesta sexta-feira, dia 18 de junho, a Trupe Cara & Coragem (que já montou outros trabalhos como o premiado "Quando o Sol Vem à Janela" - drama sobre a perda gradativa da memória - e "O Rei do Lixo" - musical infanto-juvenil sobre a reciclagem do lixo, ambos com texto e direção de Luiz de Lima Navarro), da cidade do Cabo de Santo Agostinho, estreia, às 20h, no Teatro Municipal Barreto Júnior daquele município, no centro da cidade, em única apresentação, o espetáculo “Entre a Porta e a Esquina”, com texto e direção de Luiz de Lima Navarro. No elenco: Evânia Copino e Alcy Saavedra. A peça expõe de forma crua a relação de mãe e filho numa situação limítrofe da vida. Ingressos: R$ 5 (preço único promocional). Informações: 8874 2140 (Luiz de Lima Navarro).

Na XV MOCASPE – Mostra Cabense de Sketes e Poesias Encenadas - realizada em março deste ano, no próprio Teatro Municipal Barreto Júnior do Cabo de Santo Agostinho, este espetáculo, numa versão reduzida para 15 minutos, recebeu as seguintes premiações: melhor espetáculo, melhor direção, melhor texto, melhor iluminação e melhor cenário (Luiz de Lima Navarro), melhor atriz (Evânia Copino) e melhor ator (Alcy Saavedra).
Segundo Luiz Navarro, "Entre a Porta e a Esquina expõe de forma crua a relação de Mãe e Filho que em situação limítrofe da vida, buscam esclarecer decisões tomadas e fechar feridas abertas por condições inerentes ao ser humano".

nesta sexta-feira - Teatro Barreto Júnior - Cabo de Santo Agostinho